[Resenha] Amorphis lança estonteante álbum duplo ao vivo

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Amorphis – Live at the Ice Hall

(nacional – Shinigami Records)

Material gentilmente enviado por Shinigami Records

resenha por Clovis Roman
entrevista conduzida por Kenia Cordeiro

Live at the Ice Hall é o mais recente álbum ao vivo do Amorphis, uma das bandas mais fantásticas surgidas das terras gélidas da Finlândia. Capitaneada por Esa Holopainen, a formação registrou sua apresentação em casa, no Helsinki Ice Hall, em 07 de dezembro de 2019. Entrando em campo com o jogo ganho, o grupo presenteou os fãs com um repertório soberbo, passando por todas as fases da banda, trazendo novas roupagens para antigos hits e performances estonteantes das canções dos discos mais recentes.

A grandiosa “The Bee”, do mais recente disco de estúdio do Amorphis, Queen of Time, abre os trabalhos, com uma clareza e profusão de melodias acachapantes. Os vocais de Tomi Joutsen estão próximos da perfeição, mesclando os guturais e as vozes limpas lamuriosas de maneira soberba. 

A maravilhosa “Bad Blood”, com suas melodias características, remetendo ao metal melódico, mantém o ritmo em alta. A escolha do setlist e da sequência apresentada é soberba, pois apresenta as diversas facetas da obra da banda ao mesmo tempo que mantém o interesse do ouvinte. A percepção e assimilação de um repertório em um show ao vivo e ouvindo o CD em casa é bastante diferente, porém o Amorphis montou algo que é palatável em quaisquer cenários.

Fazendo uma dobradinha com a anterior, “The Four Wise Ones” com partes mais velozes e agressivas, sem deixar de lado as passagens mais também vem do Under the Red Cloud (2015). A versatilidade musical do Amorphis é potencializada ao vivo, com a energia e peso dos shows. Mesmo aqueles que acompanham a banda mais a distância certamente não passam incólumes pela força da banda em cima do palco ou ao ouvir os novos singles. O álbum de onde vêm estas duas faixas traz nuances mais folk em diversos momentos. Quando eu entrevistei o membro fundador do grupo em 2016, Esa Holopainen (que não é parente do Tuomas, do Nightwish), ele comentou as diferenças musicais deste trabalho com o anterior: “Acho que a principal diferença é a produção. Este é o primeiro álbum que fizemos com Jens Bogren. Ele nos quis trazer mais elementos que ele adora no Amorphis. Eu não sei se foi o “folk” ou o peso em geral que ele evidenciou, mas estamos muito felizes com o resultado”. 

Do clássico Tales From a Thousand Lakes, “Into Hiding” desponta mais refinada e um pouco mais rápida que a original. Outro upgrade são os vocais limpos de Tomi Joutsen, muito mais efetivos. Contrastando, “Sampoo”, com nuances mais suaves e melodias lúgubres, oriunda do Skyforger, brilha com teclados e com as passagens de vocais guturais, que dão espaço ao refrão lamurioso e inesquecível. Do mesmo disco de estúdio também consta “Silver Bride”. Nesta, no lugar do arranjo inicial, antes da entrada da parte pesada, foi anexada a intro da canção “Skyforger”. Uma troca que, aos ouvintes casuais, passará despercebida, tamanha coerência e sincronia entre ambos elementos.

A canção “Wrong Direction” aponta à direção correta ao ser a primeira da dobradinha que encerra o disco um. Ela, assim como “Daughter of Time”, mostram como o som do Amorphis aglutina componentes musicais assimilados em mais de trinta anos de estrada. O começo do disco dois é marcado com a antiga “Against Windows”, que assim como a sucessora “My Kantele” (grandiosa), são do clássico Elegy, terceiro registro do grupo, lançado em 1996 e até hoje considerado um dos melhores de uma sólida discografia de 13 álbuns de estúdio (desconsiderando Magic & Mayhem – Tales from the Early Years, uma compilação de regravações de faixas antigas).

Outra dobradinha do mais recente Queen of Time (um álbum colossal) é composta pela pomposa “The Golden Elk” (com um refrão espetacular) e pela viajante “Pyres on the Coast”, um dos momentos mais sublimes do disco. Sua audição, com os olhos fechados, leva a construção de todo um cenário na imaginação composto, claro, por piras de fogo na beira do mar, ou algo nessa linha. Os suaves barulhos de água na metade final reforçam esta sensação de acalento tétrico. Encerrando um álbum duplo magistral, dois ápices criativos do Amorphis. Primeiro, vinda dos anos 1990, “Black Winter Day”, bastante atualizada no que tange aos vocais, mas ainda bastante efetiva, e “House of Sleep”, a única representante de outro disco aclamado pelos fãs, Eclipse (2006). Este foi o trabalho de estúdio que marcou a estreia de Joutsen como frontman. Começou em grande estilo.

Uma curiosidade que marcou o lançamento deste espetacular álbum ao vivo, é o fato do trabalho solo de Esa Holopainen, Silver Heart, ter saído bem próximo deste: “Eu não planejei assim, mas temos a mesma gravadora, que é a Nuclear Blast, então foi uma coincidência que esses dois álbuns tenham saído em uma semana um do outro. Foi curioso, em uma semana você tinha o álbum ao vivo, na outra semana eu tinha meu próprio álbum. É bom porque há muitas músicas novas lançadas, então é bom para todos“, explicou o músico. Vale frisar que ambos estes trabalhos saíram no Brasil pela Shinigami Records.

O músico finlandês também comentou, em entrevista exclusiva para o Acesso Music, sobre a emoção de gravar um disco ao vivo em sua terra natal, em uma casa que lhe traz tantas memórias afetivas: “O show em Helsinque não foi o único que gravamos. Normalmente gravamos muitos shows quando estamos em turnê. Mas este ficou tão bom que foi uma ótima ideia, pois basicamente terminamos a turnê Queen of Time aqui em Helsinque e o local é muito tradicional. É o Ice Hall, e quando eu era criança vi meus primeiros grandes shows de verdade lá. Eu vi Deep Purple, Bon Jovi, AC / DC, Iron Maiden e Metallica, todas essas bandas que vi naquele mesmo local, então isto também é algo muito pessoal. É um lugar notável, então foi ótimo ter um lançamento ao vivo registrado lá. A única coisa que estou sentindo falta é que deveríamos ter filmado aquele show porque foi tudo ótimo, como uma combinação perfeita, então se tivéssemos filmado, poderíamos ter lançado o DVD ao vivo também“.

O disco Live at Helsinki Ice Hall é o registro de uma noite mágica, mostrando uma banda veterana ainda no ápice de sua criatividade e qualidade musical. O show de 07 de dezembro de 2019 (que teve abertura do fantástico The Ocean, do Leprous e do Soilwork) será, para sempre, um dos momentos mais marcantes na trajetória dos finlandeses. São 15 músicas, todas sublimes, em cerca de uma hora e meia de show. Os dois CDs capturam o grupo da maneira mais fiel possível ao que os presentes na casa de shows ouviram naquela data. Aos fãs, é um álbum imperdível, e para quem não conhece tanto a banda, um excelente registro para mergulhar de cabeça nos mil lagos sob nuvens vermelhas.

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9482444-Amorphis—Live-At-Helsinki-Ice-Hall-%5BDIGIPACK-DUPLO%5D 

Conheça a banda:

www.amorphis.net 
www.instagram.com/amorphisband
www.facebook.com/amorphis

Músicas:

CD 1

  1. The Bee
  2. Heart Of The Giant
  3. Bad Blood
  4. The Four Wise Ones
  5. Into Hiding
  6. Sampo
  7. Wrong Direction
  8. Daughter Of Hate

CD 2

  1. Against Widows
  2. My Kantele
  3. The Golden Elk
  4. Pyres On The Coast
  5. Silver Bride
  6. Black Winter Day
  7. House Of Sleep

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