[Entrevista] O sentimento de Esa Holopainen exposto no álbum Silver Lake

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O álbum de estreia da banda SILVER LAKE by ESA HOLOPAINEN saiu no Brasil com a parceria entre Shinigami Records/Nuclear Blast Records. O trabalho é encabeçado por Esa Holopainen, guitarrista da lendária banda finlandesa Amorphis. Para sua estreia solo, o músico reuniu convidados de peso, como Jonas Renkse (Katatonia), Einar Solberg (Leprous), Björn “Speed” Strid (Soilwork), Anneke Van Giersbergen, em um trabalho suave, cativante e calcado no progressivo.

Conversamos com Esa Holopainen sobre este trabalho e o momento atual, em um bate papo muito legal que você confere abaixo, na íntegra.

por Kenia Cordeiro

Kenia Cordeiro: Quando você começou a pensar em fazer um álbum solo? Apenas quando Nino Laurenne [produtor] entrou em contato ou isso era algo que você já estava pensando antes?

Esa Holopainen: Sim, há quatro anos eu penso sobre isso, eu acho, mas nunca tive tanta necessidade de começar um álbum solo, porque sempre coloquei minhas necessidades musicais no Amorphis. E sempre estamos muito ocupados com o Amorphis, então, não havia tempo para começar esse tipo de projeto antes. Porém, agora com o COVID, em que perdemos todos os planos de turnê e os shows que estavam planejados, foi um bom momento para começar. Nino me ligou e meio que me encorajou dizendo: “O que você acha? Agora seria um bom momento para começar a trabalhar com seu álbum solo, agora que você tem tempo”. Então foi isso o que aconteceu.  Comecei a trabalhar no álbum, mostrei ao Nino algumas ideias que eu tinha para as músicas, e foi assim que começamos esse projeto.

Kenia: E há alguma possibilidade de uma turnê para promover esse novo álbum?

Esa: Temo que não, porque há vários vocalistas diferentes, e todos eles são muito ativos, na vida normal, com suas próprias bandas e projetos, então seria um grande desafio tentar organizar uma turnê. Porém, eu adoraria fazer alguns shows se houvesse uma chance para isso, talvez em alguns festivais ou algo assim, onde alguns dos vocalistas estejam lá com suas bandas, aí eu acho que seria possível. Eu definitivamente adoraria fazer pelo menos um ou dois shows com este projeto, mas fazer turnês é praticamente impossível, eu acho.

Kenia: Entendi. Bom, eu preciso dizer que eu adorei o álbum Silver Lake…

Esa: Oh, obrigado…

A capa do álbum Silver Lake by Esa Holopainen

Kenia: E a minha música favorita é Fading Moon, que a Anneke [van Giersbergen] canta. E claro, ela é maravilhosa, adoro ela, mas como surgiu a ideia de convidá-la?

Esa: O convite da Anneke… acho que ela seria a minha única opção, se eu tivesse uma música com vocais femininos. Mas eu já tinha pensado em convidá-la, porque nós temos uma grande história. Ela já cantou como convidada no Amorphis, já fizemos turnê juntos, eu a ajudei com sua banda. Por outro lado, pra mim ela é a pioneira de todas essas bandas “female fronted”, que agora são muito populares. Sem Anneke, acho que não haveria um Epica, um Nightwish, bandas do tipo.  Acho que ela e o The Gathering foram totalmente pioneiros no que se refere ao que vem a esta cena. Então, é, ela foi uma escolha óbvia, e eu queria fazer uma música para ela.

Kenia: Oh, certo. E há vários vocalistas nesse álbum, incluindo Jonas [Renkse] do Katatonia e também o… espero que eu consiga falar esse nome corretamente [risos]… Vesa-Matti Loiri, que é um ator finlandês muito famoso…

Esa: Sim [risos]. Acho que ele é a maior surpresa deste álbum. Ele é o ator mais famoso aqui na Finlândia, e para mim foi uma grande honra tê-lo no disco.  A ideia surgiu do nada, estávamos trabalhando na música no estúdio, e eu pensei que esta música provavelmente seria instrumental, porque havia um feeling grandioso e cinematográfico acontecendo, e então tivemos a ideia de que seria ótimo ter a voz de um ator ou alguém que pudesse fazer uma narração nessa música.  E temos um amigo em comum, que é na verdade o empresário de Vesa, e ele gerencia vários atores. Liguei para ele e ele disse que iria falar com Vesa e mostraria a música para ele e as ideias líricas. Para minha grande surpresa, Vesa gostou da música e quis participar. Foi ótimo, passamos um dia no estúdio aqui em Helsinque, gravamos a voz dele e ouvimos muitas histórias boas sobre os velhos tempos, afinal, ele tem 70 anos e é um ator e artista muito respeitado aqui na Finlândia. Foi muito bom poder bater um papo com ele também sobre a vida e tudo em geral.

Kenia: Ah, que incrível! E como você escolheu os vocalistas e como foi trabalhar com todas essas pessoas nesse disco?

Esa: Bom, eu queria vocalistas que de alguma forma eu tive contato na minha carreira, e pessoas que eu conheço, que já encontrei, ou até mesmo que considero bons amigos meus. Isso era muito importante para mim. Assim, realmente criamos uma grande sinergia entre quando eu estava compondo as músicas e quando estávamos trabalhando nos vocais. Acho que o principal para mim era que eu, de alguma forma, os conhecia e conhecia suas músicas e suas vozes me cativaram.

Kenia: Pode nos contar mais sobre a letra de “Storm”?

Sim, a letra de Storm é basicamente sobre o seu lar e sobre compreender as suas raízes, de onde você veio. Acho que é isso o que basicamente acontece na música. A minha inspiração foi… bom, eu viajo bastante, durante estes anos com o Amorphis e às vezes você não se sente em casa, mesmo estando em casa, como se tivesse “emprestando a própria casa”, quando volta e começa a sentir falta da turnê. É uma relação muito estranha entre viajar e ficar em casa, é sobre isso. Também é sobre entender suas próprias regras e de onde você vem.

Kenia: Bom, logo antes do lançamento do seu álbum solo, um álbum ao vivo do Amorphis foi lançado, o Live at Helsinki Ice Hall, aliás, eu tenho esse CD aqui comigo. Isso foi planejado, ou só…bem… aconteceu?

Esa: Ah, isso foi estranho, pelo menos eu não planejei dessa forma [risos]. Porém, nós temos a mesma gravadora, a Nuclear Blast, lançando o Silver Lake e o álbum do Amorphis. Acho que foi só uma coincidência que esses dois álbuns saíram com uma semana de diferença. Foi muito engraçado, sabe, em uma semana veio o álbum ao vivo, e na outra semana eu tinha meu próprio álbum sendo lançado. Então, pelo menos tive um monte de entrevistas para fazer nesse período [risos].

Kenia: Ah, imagino [risos]. Bom, mas isso é legal porque muita música boa foi lançada, então acho que isso é bom pra todo mundo.

Esa: Com certeza! Acho que esta época de COVID, em que os músicos e as bandas não podem fazer turnês, as pessoas criaram mais. Então, acho que provavelmente haverá muitos álbuns interessantes sendo lançados este ano.

Kenia: Sim, concordo com você. E como você se sentiu gravando esse álbum do Amorphis na sua cidade natal?

Esa: Oh, foi ótimo. Quando tocamos e gravamos, o show de Helsinki não foi o único que nós gravamos. Geralmente gravamos muitos shows quando nós estamos em turnê, mas esse foi tão bom, e foi uma ótima ideia porque basicamente terminamos a Queen Of Time Tour aqui em Helsinki. E esse local é muito tradicional, quando eu era criança eu vi meu primeiro show de verdade lá, eu vi o Deep Purple, Bon Jovi, AC/DC, Iron Maiden e Metallica, todas essas bandas. Então também tem aquele ângulo muito pessoal para nós, sabe, é um lugar marcante, então foi ótimo lançar um ao vivo lá. A única coisa que sinto falta é que, bom, deveríamos ter filmado aquele show, porque foi ótimo, e tudo casou muito bem, então se tivéssemos filmado, poderíamos ter lançado um DVD ao vivo também.

Kenia: Bom, você já disse também que o próximo álbum do Amorphis será lançado ano que vem, como estão os processos desse disco?

Esa: No momento, quase terminando as gravações. Ainda há algumas gravações de vocais que Tomi e nosso produtor farão neste fim de semana.  Provavelmente vamos adicionar  alguns instrumentos e tudo deve ser mixado em setembro. O álbum será lançado em fevereiro de 2022. Estou muito ansioso para que no próximo ano possamos começar a fazer turnês e shows propriamente ditos novamente.

Kenia: Sim, estamos ansiosos por isso.

Esa: Yeaah.

Kenia: Agora tenho uma pergunta diferente, que gosto muito de fazer aos meus entrevistados: qual banda ou artista você acha que faria um bom cover de alguma música do Amorphis?

Esa: Imagino que eles provavelmente devam ter o mesmo estilo. Acho que seria bom ouvir alguma abordagem do Katatonia para a nossa música. O Paradise Lost não tem teclados, mas usam samples, então não há problema. O Nightwish, por exemplo, seria bom ouvi-los tocando Amorphis.

Kenia: Ótimas escolhas! Esa, muito obrigada pela entrevistas. Espero vê-los em breve no Brasil.

Esa: Claro!  Obrigado, foi uma ótima entrevista.

Kenia: Há algo que você gostaria de dizer aos seus fãs brasileiros?

Esa: Sim, eu espero mesmo que possamos ir aí com o novo álbum do Amorphis no início do ano que vem, então eu espero que nosso amigo em comum no Brasil, o Eric de Haas, organize para que possamos fazer uma turnê no Brasil e na América do Sul. Estou ansioso pra fazer isso novamente e espero que possamos nos livrar desta pandemia.

Kenia: Sim, vamos cruzar os dedos para que isso aconteça logo.

Esa: Yeah.

Kenia: Muito obrigada, tchau!

Esa: Obrigado, nos vemos em breve, tchau!

Para comprar o álbum: https://www.lojashinigamirecords.com.br

Leia nossa resenha do álbum ao vivo do Amorphis, mencionada durante esta entrevista: https://acessomusic.com.br/2021/08/17/resenha-amorphis-lanca-estonteante-album-duplo-ao-vivo/

Fotos: Promocional/Divulgação

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