[Resenha] Paradise Lost: Celebração lúgubre desses mais obscuros tempos

Paradise Lost – At the Mill
(Shinigami Records/nacional)

Material gentilmente cedido por Shinigami Records

por Clovis Roman

Durante a pandemia, a mais importante e influente banda do Gothic Metal, os britânicos de Halifax, Paradise Lost, realizaram uma apresentação no The Mill Nightclub, Inglaterra, tocando músicas de quase todas as fases (o debut death metal e Believe in Nothing, por exemplo, ficaram de fora), indo do Synth Pop Eletrônico ao Doom e ao Gothic com uma fluidez a princípio inimaginável.

O resultado do CD é um “show” frio e tétrico, que realça o clima sorumbático das 16 faixas apresentadas. Abre uma faixa do excelente Icon, “Widow”, colocando as cartas na mesa. A nova “Fall from Grace” do mais recente Obsidian (2020) estreava no setlist ao vivo, afinal, eles não excursionaram para divulgar este play devido ao Covid-19. Soou tão grandiosa quanto os clássicos do passado. Outras tocadas pela primeira vez ao vivo esta noite foram “Ghosts” e “Darker Thoughts”, que encerra o CD.

Outra mais recente, “Blood and Chaos” com excelentes riffs e um clima meio anos 2000 abre caminho para um dos maiores colossos criados pelo quinteto britânico, “Faith Divides Us – Death Unites Us”. A voz de Nick Holmes soa mais branda no forte refrão, mas de uma maneira que combinou com a pegada deste hino lúgubre. Das antigas, “Gothic”, com os vocais femininos, “Embers Fire”, a fenomenal “Requiem” (quiçá a melhor de todo disco) e a gloriosa “As I Die” brilham como o esperado, assim como “Shadowkings” pérola do perfeito Draconian Times, disco que os colocou em um alto patamar de fama em meados dos anos 1990. Curiosamente, esta é a única representante desse disco que é considerado por muitos o melhor deles até hoje.

Porém, após a explosão com Draconian Times, o grupo deu um passo em falso nos álbuns seguintes, ao menos no ponto de vista comercial. Em 1997, One Second trazia algo mais eletrônico, como mostra o single “Say Just Words”, que ficou de fora deste registro ao vivo. Quem representa este disco aqui é a faixa título, “One Second”. Do controverso Host surge, no final do repertório, o Dance/Doom “So Much is Lost”, faixa diferente porém espetacular, em uma versão especialmente bonita. Seja o estilo, o Paradise Lost jamais errou artisticamente.

O bacana é que o disco mescla tudo isto de uma maneira que funciona. Esta faixa mais dançante, por exemplo, veio logo após o colosso Doom Metal de “Beneath Broken Heart”, calcada em riffs lentos e baixo discreto. Também do disco The Plague Within, um dos mais novos e dos melhores da inspirada discografia do Paradise Lost, está presente “No Hope in Sight”, tão desesperadora – no bom sentido – quanto. Esta me traz a clara lembrança do show deles no Epic Fest, em 2016, no Audio Club, em São Paulo. Eu estava no pit de fotógrafos, e abriram com ela, que soou como uma geleira frente ao som das demais bandas, que tinham uma pegada mais alegre e festiva. Momentos únicos da música.

O encerramento com “Darker Thoughts” é apoteótico, uma música que deve perdurar no setlist por anos. A seleção de músicas é ousada, deixando algumas músicas bastante importantes de lado e trazendo algumas coisas menos prováveis. A execução é crua, na qual é possível notar detalhes como a troca de efeitos de guitarra entre as partes. É orgânico e sincero.

O resultado desta compilação é brilhante. O álbum foi mixado por Les Smith e masterizado por Jaime Gomez Arellano (Cathedral, Ghost, Moonspell), que vem trabalhando com o grupo nos álbuns mais recentes, desde The Plague Within.

O Paradise Lost continua sendo bastante relevante, pois segue lançando discos tão bons, mesmo que diferentes, quanto os primeiros do começo dos anos 1990. Não à toa, seria muito fácil bolar um repertório com outras 16 músicas que ficaram de fora deste At The Mill. Este registro não serve apenas para os fãs die-hard, mas sim para qualquer um, pois soa como uma coletânea homogênea e honesta. Compre ontem.

Compre: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9483900-Paradise-Lost—At-The-Mill

Biografia
Outro material do Paradise Lost lançado no Brasil este ano é o livro No Celebration, cujo qual tive a honra de ser um dos tradutores. A fantástica narrativa por David E. Gelcke disseca toda a carreira, dos acertos aos erros, desta fantástica banda. Confira em https://www.esteticatorta.com/produtos/livro-no-celebration-a-biografia-oficial-do-paradise-lost-bookplate-autografado/.

Músicas:

1. Widow

2. Fall from Grace

3. Blood And Chaos

4. Faith Divides Us – Death Unites Us

5. Gothic

6. Shadowkings

7. One Second

8. Ghosts

9. The Enemy

10. As I Die

11. Requiem

12. No Hope In Sight

13. Embers Fire

14. Beneath Broken Earth

15. So Much Is Lost

16. Darker Thoughts

Visite a banda em: http://paradiselost.co.uk

Foto de capa: Clovis Roman

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