[Resenha] Go Ahead and Die revisita os primórdios do Death Metal em debut

Go Ahead and Die
(Shinigami Records/nacional)

Material gentilmente cedido por Shinigami Records

por Clovis Roman

Se a ideia de Max resgatar o Death Metal dos anos 1980, deu certo. O som apresentado neste disco de estreia do Go Ahead and Die remete às lendárias bandas do estilo, principalmente as americanas. Esta banda a princípio era apenas um projeto do experiente e o filho, Igor Amadeus Cavalera. A matriarca da família, Gloria, viu potencial no som da dupla e botou na Nuclear Blast. Obrigado, Gloria.

Como um rolo compressor, “Truckload Full of Bodies” abre o CD com peso, tosqueira e Max com urros inspirados e partes mais rasgadas igualmente agressivas. O som seco, abafado e simples da produção é como uma viagem no tempo, soando como um álbum não lançado por alguma banda emergente do Death Metal oitentista.

Com a liberdade artística de compor sem pressões comerciais, Max meteu o pé e deixou de lado muitas daquelas coisas mais experimentais que leva no Soulfly ou até mesmo no Cavalera Conspiracy. Aqui é metal puro, datado e brutal, sem intervenções de outros instrumentos e afins. Ouça “I.C.E. Cage”, um hardcore metalizado (com algo de Raw Power, quiçá), para sacar a pegada geral do trabalho.

Com uma pegada Celtic Frost bastante evidente – começa com um “Uh!” e tudo – “Isolated / Desolated” é ainda mais desgraçada que as outras, com partes extremamente velozes que beiram o blast-beat, e outras com riffs ganchudos e agonizantes, como magistralmente fazia a banda de Tom G. Warrior.

Com passagens mais dissonantes, densas e cadenciadas, “Prophets Prey” e “Punisher” começam brutais para então adicionar um pouco em seu decorrer. Portanto, momentos velozes, até mesmo com blast-beats, se mesclam de maneira coesa com partes mais arrastadas e pouco convencionais. Como referência, chega a lembrar o Napalm Death das fases mais experimentais. Outra que remete ao grupo britânico é “El Cuco”, com sua intro e riff principal que parece “Scum”. Como a proposta justamente é celebrar o death metal e todo aquele cenário, estas referências são como um mergulho no passado.

Flertando com o hardcore, “G.A.A.D.” brutaliza tudo, sendo o título da faixa um acrônimo de Go Ahead And Die, verso berrado por um enfurecido Max no refrão. Mais calcadas no Death Metal, “Woth Less Than Piss” (título genial) e “(In the) Slaughterline” direcionam ao encerramento com “Roadkill”. Cada segundo aqui é bastante intenso e agressivo.

O Go Ahead and Die buscou trazer aos dias atuais algo mais primitivo, como o fato das gravações dos vocais não terem sido feitas a exaustão; se saia legal, entrava. O baterista Zach Coleman tampouco usou metrônomo ou recurso similar. O resultado é um CD que tem a força de um registro ao vivo, que cria um ambiente caótico e insano durante as 11 faixas, com boas variações de riffs e passagens, deixando tudo dinâmico e alucinado. É formidável ouvir Max com esta sonoridade crua, urrando como um desesperado. Que o Go Ahead And Die vá em frente e não morra tão cedo.

Compre: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9483474-Go-Ahead-and-Die—Go-Ahead-and-Die

Pouco antes do lançamento deste excelente álbum, tive a oportunidade de entrevista Max Cavalera, para falar do trabalho e relembrar causos do passado. O bate-papo você confere no vídeo abaixo:

Músicas:

1. Truckload Full of Bodies
2. Toxic Freedom
3. I.C.E. Cage
4. Isolated/Desolated
5. Prophet’s Prey
6. Punisher
7. El Cuco
8. G.A.A.D.
9. Worth Less Than Piss
10. (In the) Slaughterline
11. Roadkill

Conheça mais: www.instagram.com/GoAheadAndDieBand

Foto de capa: Clovis Roman

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