[Resenha] Scrupulous – Ostia and Genocide

Scrupulous – Ostia and Genocide
(Heavy Metal Rock/nacional)

Material gentilmente enviado por Som do Darma

por Clovis Roman

O Scrupulous foi formado há 30 anos, porém apenas recentemente chegou ao primeiro álbum de estúdio. A estreia é em grande estilo, com Ostia and Genocide, um título que desperta curiosidade. O vocalista Crispim “Skullcrusher” Jr disserta a escolha do nome: “Queríamos centralizar não só o hoje, mas o sempre. Religião, guerras e política sempre andaram lado a lado. O ‘Ostia’ sem ‘H’ foi proposital, trazendo o maior símbolo do catolicismo de  forma oculta, deixar aquela dúvida mesmo. Mas jogando, como você mesmo frisou, ao nome de uma pequena cidade: Óstia Antiga é um grande sítio arqueológico, perto da cidade moderna de Ostia, que é o local da cidade portuária da Roma Antiga, há 25 km a sudoeste de Roma. ‘Ostia’ é uma derivação de ‘os’, a palavra latina para boca. Como podemos ver, andam lado a lado. Uma forma também de sair pela tangente por conta dos mais fanáticos. Então deixemos essa dúvida. Genocide (Genocídio) não é só uma alusão ao que a humanidade passou e passa em todo corpo entre os seus passos. É até mesmo um Genocídio causado por nós mesmos e para nós mesmos quando nos sabotamos”. Ta aí.

Após as explicações, é hora de apertar o play no CD, que é onde o ouvinte entende tudo de imediato: O material abre direto com uma porrada na cara, “Ius Divinium Schizo / Crown of Rubble”, um death metal repleto de passagens e peso, apostando em partes um pouco mais cadenciadas que emanam peso, entretanto com partes mais thrash aqui e acolá. O vocal remete ao Morbid Angel da fase Steve Tucker um pouco menos gutural, assim como alguns riffs. Esta similaridade é comentada por Crispim: “Sempre foi uma grande fonte de inspiração nas linhas de voz e técnicas guturais. Assim como Wagner Antichrist (Sarcófago) e Vladimir Korg (Chakal, The Mist). O Morbid Angel é como uma fonte de inspiração ao Scrupulous, mas sempre procuramos moldar às nossas características e dar à nossa música uma personalidade única”.

A capa e título do trabalho deixa evidente o teor lírico, uma crítica à política e às religiões que deveriam ser usadas em prol da sociedade, mas pelo contrário, são instrumentos de manipulação e da perpetuação da ignorância e subserviência. “[Procuramos] dar uma voz ampla às situações em que o mundo ou o nosso próprio mundo passa. Falar das atrocidades e caminhos que a humanidade viveu e vive, vem desde outrora. O lado humano e o Eu em si, como figura de linguagem. O mundo fora e dentro de você que, muitas vezes, nos confunde e acabamos por viver por mundos paralelos. Sempre tiro parâmetros da forma em que caminhamos hoje. Cheios de arrogância e num teatro dos horrores, criamos nosso espetáculo de uma saúde mental em decadência”, adiciona o frontman.

O Scrupulous tem trinta anos de existência, porém Ostia and Genocide é o primeiro álbum completo do quarteto death/thrash oriundo de Itabuna, Bahia. A faixa título segue o álbum mantendo as diretrizes da anterior, com destaque para o melodioso solo de guitarra e pelas breves e certeiras intervenções do baixo. O riff principal é espetacular. Apostando nas bases do death metal o grupo não se furta em trazer elementos que dão identidade ao som, como os momentos mais voltados ao trash, os momentos mais técnicos, caóticos (a extensa, climática e quase doom “Dark Womb”) ou algo um pouco mais atualizado, sem perder a aspereza no som. A produção é simples mas efetiva, resultando em um som brutal e agressivo, cuja audição flui naturalmente, também pela seleção da ordem das faixas apresentadas.

Voltando ao death metal, “There’s An Emptiness That Weighs On My Shoulders” [sic] traz excelentes riffs e partes que remetem ao Nevermore. Mais calcada no death/doom, “Soul’s Cut to Brunoise” mantém a qualidade com um solo espetacular e um arpejo recorrente bastante curioso, assim como a brutal “Rotten Primacy”, na qual predominam os guturais. A penúltima faixa é ” Causing the Rascal the Fury”, repleta de passagens intrincadas – a música ficaria perfeita caso fosse instrumental.

O título “Soul’s Cut to Brunoise” é outro que chama atenção na obra do Scrupulous, afinal, Brunoise é um termo gastronômico que pode ser traduzido como “picadinho”. O vocalista comenta esta ligação entre universos, a princípio, tão distintos: “Buscamos fazer realmente um jogo de palavras. “Almas cortadas a Brunoise” como uma denominação de um prato na esfera gastronômica. Sou formado em gastronomia e quis trazer um pouco desse mundo. A letra fala sobre o suicídio, a narrativa dita o desespero das pessoas nessa proporção. É como se sua alma estivesse em cortes, corte esse que, na visão gastronômica, são pequenos pedaços. Vimos nos relatos deixados por aqueles que se foram dessa forma, que sentiam a sua alma cortadas em pedaços. O prato moldado ao desespero e angústia”.

Com reminiscências de Death, a saideira “In the Crow’s Beak” (no bico do corvo), tem boas passagens, mas algumas partes soam desconexas entre si. O saldo final ainda é bastante positivo, uma estreia discográfica que aponta para frutos ainda mais maduros pela frente. As letras constam em inglês (a despeito de algumas incorreções) e com a devida tradução ao português no encarte, ideia que Crispim conta a inspiração: “Buscamos um caminho que poucas bandas fazem. Apesar de cantarmos em inglês, queríamos colocarmos uma parte de nós ali. Vi o The Mist fazer isso no disco Phantasmagoria de 1989 e achei muito foda essa visão”. O lançamento do CD é pela conceituada Heavy Metal Rock.

Músicas:
1. Intro Begins…(Intro)
2. Ius Divinium Schizo / Crown of Rubble
3. Ostia and Genocide
4. The Contestation Knock on your Door
5. Dark Womb
6. There’s an Emptines That Weighs on my Shoulders
7. Souls Cut to Brunoise
8. Rotten Prymacy
9. Causing the Rascal To Fury
10. In the Crow’s Beak

Mais informações:
https://www.instagram.com/scrupulous_dm
https://www.facebook.com/bandscrupulous
https://www.youtube.com/channel/UC8iab2o3B_b9NeZu6Oap2XA

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