[Resenha] Suck this Punch – The Evil On All Of Us

Suck this Punch – The Evil On All Of Us
(Voice Music/nacional)

Material gentilmente enviado por Som do Darma

por Clovis Roman

O grupo paulista Suck This Punch conta atualmente com Tadeu Bon Scott (vocal), Phil Seven (guitarra), Matheus Bonon (baixo) e Giacomo Bianchi (bateria) e foi formada em Limeira em 2015. O primeiro álbum – Fire, Cold And Steel – saiu no mesmo ano com dez faixas inéditas. O segundo registro é The Evil On All Of Us, tendo como tema central o mal, tendo o homem como agente e como vítima. 

Após uma breve intro, “Machines” abre o CD e deixa clara a pegada do grupo, um thrash metal moderno (mas não pula-pula), com flertes recorrentes ao stoner, com vocais limpos e magros. Intrincada, como fosse um hard rock noventista com ácido, “You Are the Best Gun (Against the System)” apresenta instrumental redondíssimo e variado, além de uma intro de bateria que certamente é uma homenagem à “Vicious”, do Fight. A alucinada parte perto do final poderia ter sido mais utilizada, pois é bem bacana. Sobre a similaridade da intro, o vocalista Tadeu Bon Scott dá outra visão sobre sua concepção: “Por incrível que pareça, não houve influência da ‘Vicious’, que é uma música espetacular. Na verdade, quis fazer uma referência a ‘Hot For Teacher’, do Van Halen, inclusive a introdução de guitarra. Sou grande fã do Eddie Van Halen”.

Mais acessível, “Alone” teria sido a faixa perfeita para ser usada como música de trabalho, pois é a mais palatável numa primeira audição. Mais cadenciada e calcada em Tony Iommi nos riffs, “Just Follows” tem marcante performance do vocalista , que mescla vozes limpas e agudos fortes no refrão. O interlúdio semi-acústico do refrão é muito bom. Um hard/thrash pesadão, que remete ao Black Label Society (tem até os arpejos) incluindo o vocal que lembra o timbre de Zakk Wylde nos versos é o que oferece a ótima “Shout it Out”. A mixagem deixou o vocal no mesmo nível da voz, com um resultado mais coeso que as faixas anteriores.  Os arranjos são excelentes e a faixa desponta como o grande destaque, antes mesmo de chegarmos no bloco final do CD.

O disco chega às mãos dos fãs de música pesada em um belo digipack, com um encarte espetacular, repleto de ilustrações – obra de Juh Leidl – relacionadas às letras das canções. A arte gráfica conta importantes pontos neste material, coisa de primeira. Mas são as músicas o ponto central do trabalho, como comprova “We All Live in a Hole”, que mescla riffs ótimos, solo de guitarra coeso e linhas vocais bem construídas, enquanto “Coward” abre acusticamente lúgubre, e segue como uma semi-balada, com linhas vocais e entonações na linha do Skid Row. É. Outro grande momento. Retomando o peso, “Blindman” é um rockão pungente, com partes ferozes e outras mais trampadas, só faltou mais punch na interpretação vocal.

O épico que encerra o disco é “Sons of War”, iniciada com um ritmo indígena que se relaciona ao conteúdo lírico. A narração introdutória fala da imposição da cultura pelos brancos aos nativos: “nem todo mundo precisa de religião” (esta frase faz um bem pro coração!). Até mesmo os riffs de guitarra invocam a ancestralidade do povo originário, aliadas à percussão tribal. O vocalista comenta: “É uma música forte, com uma letra que retrata a história dos indígenas e escravos que tiveram tudo de suas vidas tomado e depois foram libertos para a sociedade sem nada; pessoas que muitas vezes acabavam continuando escravos, ou trabalhavam em condições horríveis, pois não tinham para onde ir, e nem apoio de ninguém. Aliás, uma realidade não tão distante assim, pois vivemos em tempos em que ainda encontramos histórias assim. Portanto, se pararmos para pensar, somos todos ‘Sons of War'”.

No geral a abordagem da banda é o foco no Metal, trazendo referências do Hard (há momentos que nos fazem o Mr. Big com Zakk Wylde nas guitarras) e do Thrash, resultando em um som honesto e pesado na medida. O frontman adiciona: “É uma satisfação quando dizem que nossa música tem influências de bandas consagradas, e realmente tem. Crescemos ouvindo e admirando essas bandas, inevitavelmente essas influências acabam entrando em nosso processo de composição. Particularmente, fico muito feliz quando alguém diz ‘cara, que música sensacional, tem a pegada do Black Sabbath’. Influências como Black Sabbath, Pantera, Motörhead, algumas pitadas grunge, são identificadas na nossa música, mas a ideia é deixar que a música tome seu próprio caminho”.

Há faixas mais agressivas e outras mais acessíveis, e o balanço é perfeito neste sentido. A despeito desta unidade, a banda não se acomoda artisticamente, e Tadeu termina o papo adiantando o que podemos esperar do Suck This Punch no próximo disco: “Nosso próximo álbum terá uma ideia um pouco diferente, e bem mais homogênea”. Em todo caso, se prepare para tomar uma bifa na cara ao ouvir The Evil On All Of Us.

Foto: Daniel Gonçalves

Músicas
01. Machines
02. You Are The Best Gun (Against the System)
03. Alone
04. Just Follows
05. Shout It Out
06. We All Live In a Hole
07. Coward
08. Blindman
09. Sons of War

Mais informações:
www.facebook.com/Suckthispunch
www.instagram.com/suckthispunch
www.youtube.com/suckthispunch

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