[Cobertura] A inimaginável violência sonora do Cannibal Corpse

Cannibal Corpse
11 de maio de 2022
Tork N Roll
Curitiba/PR

Por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

A quarta passagem do Cannibal Corpse por Curitiba foi mais uma verdadeira aula de Death Metal. A maior banda do estilo, em todos os tempos, levou um público considerável às dependências do Tork N Roll, casa de estrutura exemplar e espaçosa. O quinteto americano trouxe novidades com a turnê do álbum Violence Unimagined, sendo a principal delas Erik Rutan.

O guitarrista fez história ao tocar com o Morbid Angel e com o absurdo Hate Eternal, com o qual começou a atacar de produtor com mais afinco. Com vasto currículo nesta área nas últimas duas décadas, ele trabalhou com o Cannibal Corpse nos álbuns Kill, Evisceration Plague, Torture e Red Before Black. No mais recente registro, Violence Unimagined, a parceria se manteve, com o adendo de Rutan entrar na banda, substituindo Pat O’Brien. A mudança foi salutar, pois deu um fôlego extra ao som do grupo, assim como na presença de palco.

Em Curitiba, o grande público pode conferir Rutan tocando com uma precisão absurda, e o ventilador estrategicamente posicionado à sua esquerda deu um ar de “deus do death metal” ao músico. Questões visuais à parte, o Cannibal Corpse apresentou um repertório muito bem balanceado, diferente da última visita a cidade em 2018, quando tocaram com o Napalm Death. Se lá, muitas músicas mais cadenciadas vieram lado a lado, aqui, as porradas ultrassônicas foram mescladas de maneira precisa entre as mais arrastadas. O resultado foi um show coeso, brutal e que prendeu a atenção dos fãs do começo ao fim.

Abertura

A abertura ficou a cargo do Royal Rage, banda local formada em 2010 como Royal Rampage, assumindo a atual alcunha em 2017. Em 2018, lançaram o álbum Conquer. De lá pra cá, rolaram mudanças na formação, que resultaram na entrada de dois músicos gabaritados: Henrique Carvalho (baixo/vocal) e Sol Perez (guitarra), que estrearam ao vivo esta noite. Músico experiente, Henrique integrou o lendário Necropsya, banda que obteve grande visibilidade no cenário, e também o Sarx Thanatos, gravando discos com ambas. Com o Royal Rage, além do baixo, fez diversas partes dos vocais com bastante agressividade e energia. Do outro lado do palco, Sol Perez brilhou (trocadilho intencional) com uma segurança absurda nas seis cordas.

Banda de abertura, Royal Rage (foto: Clovis Roman).

O baterista Tiago Rodrigues mostrou força e um certo groove, enquanto o membro original Pedro Ferreira (guitarra e vocal) teve desenvoltura durante todo o set. Foi um show bom, encerrado com “Raining Blood”, do Slayer, para atiçar a galera. Deu certo, pois rodinhas – que já estavam rolando durante todo a apresentação – se intensificaram. Neste ano, a Royal Rage lança seu segundo álbum, Evolve, com produção de Russ Russell (Napalm Death, Dimmu Borgir, The Haunted, At the Gates).

Cannibal Corpse

A pontualidade dos eventos da Liberation é algo a ser louvado. A banda de abertura começou às 20h em ponto, assim como o Cannibal Corpse, que começou seu set às 21h00, exatamente. Para o público, é excelente poder se programar para ir a um evento sabendo que horas começa e que horas termina. O som estava excelente em qualquer ponto da casa. 

O repertório foi muito bem escolhido, contemplando 13 dos 15 álbuns de estúdios lançados pelo Cannibal Corpse; ficaram de fora apenas Gallery of Suicide e Gore Obsessed. Os clássicos The Bleeding e Tomb of the Mutilated tiveram duas músicas, enquanto o novo Violence Unimagined, três. Os demais compareceram com uma representante cada.

Erik Rutan moendo com o Cannibal Corpse (foto: Clovis Roman).

A abertura veio com uma porção de faixas lançadas na última década e meia. Primeiro a veloz “The Time to Kill is Now” (Kill, 2006), depois a cadenciada e brutalmente pesada “Scourge of Iron” (Torture, 2012) , a nova “Inhumane Harvest” (com uma aura fantástica do The Bleeding em certas passagens) e “Code of the Slashers” (Red Before Black, 2017). O bloco seguinte trouxe três clássicos: “Fucked With a Knife”, “The Wretched Spawn” e “Gutted”, que aumentaram ainda mais a violência das rodinhas no público próximo a grade. Quem queria ver o show um pouco mais tranquilo, optou pelas laterais ou ficar mais ao fundo. Como o Tork N Roll é uma casa espaçosa, todo mundo conseguiu se posicionar da maneira que preferia.

Entre outros destaques, “I Cum Blood” e a nova “Necrogenic Resurrection”, que nasceu com cara de clássico. Na realidade, não houve uma faixa sequer que tenha soado deslocada ou desnecessária. Foi uma carnificina musical do começo ao fim, as favoritas de cada um vão mais do gosto pessoal. A técnica absurda de todos, a bateria de Paul Mazurkiewicz (que teve um desempenho especialmente preciso esta noite) e  o vocal que insiste em não envelhecer ou perder a força de George “Corpsegrinder” Fisher foram elementos que complementaram a fórmula de um show impecável. Até mesmo a tela de fundo, única e exclusivamente com o logotipo da banda, contribuiu para um cenário de destruição raramente vista em cima de um palco. 

Cannibal Corpse: Carnificina musical (foto: Clovis Roman).

A colossal “Unleashing the Bloodthirsty” nos fez lembrar do absurdo Live Cannibalism, um dos melhores registros ao vivo da história do death metal mundial. Aqui, a execução primorosa da atual formação se equiparou, quiçá ainda mais letal. Este petardo abriu espaço para as derradeiras canções da noite, daquelas que jamais poderiam faltar em um show do Cannibal Corpse: “Devoured by Vermin”, “A Skull Full of Maggots”, “Stripped, Raped and Strangled” e “Hammer Smashed Face”, o grande hit do quinteto, que tirou as últimas energias da galera. A despedida rendeu algumas palhetas e setlists ao pessoal da grade. Todos, sem exceção, saíram mais que satisfeitos.

No pós-show, os músicos atenderam alguns fãs com extrema simpatia, como lhes é peculiar. Uma noite memorável, que qualquer banda vai penar daqui para a frente para tentar se equiparar. Fica, por fim, os parabéns aos curitibanos, que compareceram em peso,  e agitaram como nunca. Os shows em Curitiba nesta volta aos shows estão melhores nesses quesitos (presença e empolgação). Que assim permaneça!

Repertório
The Time to Kill Is Now
Scourge of Iron
Inhumane Harvest
Code of the Slashers
Fucked With a Knife
The Wretched Spawn
Gutted
Kill or Become
I Cum Blood
Evisceration Plague
Death Walking Terror
Necrogenic Resurrection
Condemnation Contagion
Unleashing the Bloodthirsty
Devoured by Vermin
A Skull Full of Maggots
Stripped, Raped and Strangled
Hammer Smashed Face

Foto de capa: Clovis Roman

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s