[Cobertura] Metallica proporciona noite gloriosa e repleta de clássicos em Curitiba

Metallica
07 de maio de 2022
Estádio Couto Pereira
Curitiba/PR

Por Kenia Cordeiro

No dia 07 de maio, um Couto Pereira lotado recebeu aquela que é uma das poucas bandas a fazer parte da formação musical de quase todo jovem que começou a ouvir música mais atentamente. Em Curitiba, os grandes shows internacionais não costumam ser aos sábados, dia mais disputado no calendário do entretenimento, mas por se tratar da primeira passagem dos gigantes do metal por aqui, é possível entender a exceção. Os ingressos estavam há muito tempo oficialmente esgotados, ainda sim, foi possível encontrar pessoas vendendo as entradas de maneira extraoficial, algumas a preços exorbitantes. Há quem pague, afinal, um espetáculo desses não pode ser medido monetariamente.

Logo no começo da tarde, era possível ver a concentração dos camisas pretas ao redor do estádio. A abertura dos portões estava marcada para às 16h e a primeira banda, Ego Kill Talent, se apresentou às 18h30, para um local ainda em vias de encher, pois muitos estavam do lado de fora, comprando merchan ou conversando com os amigos. O quinteto paulista apresentou sete músicas abrangendo seus dois álbuns de estúdio: Ego Kill Talent (2017) e The Dance Between Extremes (2021). Este, com boa receptividade pela crítica.

A ideia dos shows de abertura é esquentar os presentes para a atração principal. Entretanto, que me perdoem os fãs mais assíduos de Greta Van Fleet, mas esse feito não aconteceu, e o frio predominou, literal e figurativamente, afinal os aproximados 12 graus da capital, combinados com a falta de empolgação do público com os jovens convidados norte-americanos, não aqueceram os curitibanos. A banda dos irmãos Kiszka é, com certeza, competente no som que se propõe a fazer, com o resgate setentista, longos instrumentais e vocais agudos. Os meninos são bons músicos e o vocalista, Josh Kiszka, tem um ótimo controle vocal. Talvez um show  em um lugar menor, para o seu público fiel, funcionasse de uma maneira melhor. O set contou com sete músicas e teve a duração de aproximadamente uma hora, mas impressão que ficou para essa que vos escreve é que foi muito mais longo do que mostrara o relógio. O quarteto encerrou a apresentação com “Highway Tune”, talvez uma de suas músicas mais famosas. Nessa hora, foi possível notar alguns celulares em punho e pessoas cantarolando a canção. Após isso, as luzes do palco simplesmente se apagaram e, sem se despedir, a banda encerrou sua apresentação.

Thrashing all around, acting like a maniac

Alguns minutos depois do previsto, veio a famosa introdução “The Ecstasy of Gold”, na sequência, as luzes vermelhas dos telões foram um prelúdio do massacre musical que estava por vir. O Metallica já chega com tudo, abrindo com a violentíssima “Whiplash”, do debut de 1983, Kill ‘Em All. Apesar de não ser mais tocada com a raiva dos primórdios dos anos 1980 e 1990, ainda é uma das músicas mais brutais da banda. A adrenalina começou a correr e já no começo era possível ver centenas de headbangers “…thrashing all around, acting like a maniac…”. O Metallica se consagrou como uma das pioneiras bandas de thrash metal, algo que hoje em dia gera muita controvérsia entre os mais conservadores, devido às mudanças e lapidadas sonoras. Polêmicas à parte, o importante é que o quarteto é um dos principais nomes da música pesada. Ponto.

Em “Ride the Lightning”, a luz é azul, em alusão ao álbum homônimo, sem tempo de descanso aos presentes. A poderosa e cadenciada “The Memory Remains” vem na sequência e o coro entoado pelo público no meio da canção, o uníssono “La, da, da…”, levou esta redatora às lágrimas. Foi impossível não pensar em todos os infortúnios dos últimos tempos e concluir que a música é uma das pouquíssimas potências capaz de unir as mais diferentes pessoas em um momento único e mágico, o renascimento dos shows ao vivo. Porém, além de um renascimento, tivemos um nascimento, em pleno estádio. Durante os acordes de “Enter Sandman”, nasceu o pequeno Luan, filho da tatuadora Joice Figueiró.

Foto: Gisele Pimenta

Passado o momento comovente, James se dirigiu à plateia: “Demorou mais ou menos 40 anos, mas nunca é tarde demais”, emendando a clássica “Seek and Destroy”. Aliás, a fim de não soar redundante, vale ressaltar que o setlist foi repleto de clássicos. Se na apresentação anterior, em Porto Alegre, a banda optou por tocar alguns b-sides, em Curitiba a proposta foi de um repertório com as canções mais consagradas ao longo dos anos. Um dos motivos para isso é o fato de ser a primeira apresentação da banda por aqui, portanto, eles quiseram agraciar os fãs, vários que os assistiam ao vivo pela primeira vez, com seus maiores sucessos. Até a nova, nem tão nova assim, “Moth into Flame”, única canção do último disco Hardwired… to Self-Destruct (2016), tem ares de clássica e funcionou muito bem ao vivo, com toda a pirotecnia e superprodução. Talvez a única surpresa para o público foi a famosa cover “Whiskey in the Jar”, considerando que eles não a tocavam há uns bons shows. Aqui a versão foi mais cadenciada, com James reforçando o quanto eles estavam felizes ao ver o público curitibano.

Mesmo estando ao redor de outras 45 mil pessoas, “Fade to Black” foi um momento de introspecção. As entrelinhas lúgubres e sombrias da canção causaram um momento de reflexão àqueles que se prestam a refletir sobre a letra e sobre a vida. Nesse momento, James fala ao público: “Essa música é para aqueles que estão passando por lutas internas, mas você não está sozinho, não tenha medo de conversar sobre isso, conte aos seus amigos, à sua família, conte pra alguém, conte pra mim agora”. Importantíssimo ouvir isso de um dos heróis da música, ainda mais ele, que também não tem medo de compartilhar as suas próprias fragilidades.  O metal não é feito apenas de passagens rápidas para bater cabeça, o metal já me salvou de diversas maneiras.

Já no encore, somos agraciados com uma das baladas mais famosas da história, trilha de tantos casamentos e que muitas bandas covers adoram destruir: “Nothing Else Matters”. Confesso que achava que soaria como “música batida”, mas a sensação foi totalmente diferente. Ouvir a execução pela banda original tornou tudo muito bonito e emocionante. Podemos concluir que os 40 anos de espera valeram a pena e o público presenciou um espetáculo que ficará na memória por muito mais de 40 anos, até o fim da vida.

Setlist:

Whiplash
Ride the Lightning
The Memory Remains
Seek & Destroy
Moth Into Flame
One
Sad but True
Whiskey in the Jar
The Unforgiven
For Whom the Bell Tolls
Creeping Death
Fade to Black
Master of Puppets
Battery
Nothing Else Matters
Enter Sandman

Foto de capa: Gisele Pimenta

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