[Resenha] The Giant Void – Thought Insertion

The Giant Void – Thought Insertion
(independente/nacional)

Material gentilmente enviado por Som do Darma

Por Clovis Roman

Lembra do programa televisivo The Voice Brasil? Eu também nunca assisti. E daquele grupo enfadonho chamado Sambô? Pois é. O vocalista Hugo Rafael passou por estes dois universos (na verdade, ele ainda integra o tal Sambô) e agora ele finalmente teve em mãos um trabalho de peso, tanto em qualidade quanto em ênfase nas guitarras e agressividade musical. Pois  o The Giant Void é um grupo de Heavy/Prog de nível técnico acachapante, e a performance do cantor aqui é totalmente compatível com este cenário.

O multi instrumentista Felipe Colenci compôs todas as músicas (algumas em parceria com Hugo ou outros), tarefa que tirou de letra – a produção também é dele, outro ponto nota 10. Por sua vez, Hugo Rafael, que já tinha um background do Rock antes das empreitadas citadas acima, parece ter trazido o melhor de cada influência musical que teve contato e entregou uma performance soberba e versátil. Para a dupla mostrar de cara a intenção musical, o disco abre com a pesada “Voidwalker”, com partes rápidas e alguns lampejos malmsteenianos (e não só nas guitarras),  porém com bom gosto. O refrão forte convence de imediato.

Igualmente surpreendente é “Bite the Bullet”, lançada anteriormente como single, que apresenta versos em espanhol de Adrián Barilari (Rata Blanca), em um som mais moderado, mas ainda impactante. Na bateria, um trabalho competente de Michael Ehré (Gamma Ray, Primal Fear), que aliás, toca no álbum inteiro como músico convidado.

Bastante técnica, “Dead End Job” traz pontes melodiosas e novamente um refrão mais porrada, enquanto “Ordinary Men” traz ares de um Black Sabbath acelerado, partes densas que culminam no refrão que surge apenas na metade da extensa faixa, fazendo valer a espera – a ausência daquela urgência em querer mostrar tudo o mais rápido possível faz com que o ouvinte aproveite melhor cada parte de cada uma das composições. Mesmo bastante técnico, Colenci, tanto como músico, compositor ou produtor, trabalhou pelo bem de algo maior. Melhor tática possível.

Mesclando power, heavy tradicional e até algo de thrash volta e meia, sons como a levemente mais acessível “Beltalowda” (alguém manda este disco pro Michael Schenker, por favor) e “Pale Blue Dot (Meant to Last)” mantém o alto nível. Nesta última, há vocais guturais de Renan Roveran, frontman da espetacular banda de death/black Warshipper. (Leia mais aqui: https://acessomusic.com.br/2021/04/23/resenha-a-produtividade-criativa-do-warshipper)

Sem aumentar ou baixar o nível, “Rotten Souls” outra mais amena, em que os vocais novamente se destacam, assim como na faixa-título “Thought Insertion”. A saideira – e única composição que Felipe trouxe de projetos anteriores – é o épico “Chernobyl”, novamente com o monstruoso Roveran nos guturais em determinadas partes, em um som dinâmico com partes power metal bastante empolgantes. Os últimos segundos, os vocais contrastantes mas ao mesmo tempo complementares de Roveran e Hugo deixam uma sensação de que poderíamos tranquilamente ouvir mais músicas. Mesmo que no geral as faixas sejam longas e intrincadas, a audição flui de maneira muito natural e cativante . Musicalmente, que os tempos  de sambinha safado fiquem enterrados no passado, afinal, Thought Insertion é uma obra fenomenal.

Músicas

  1. Voidwalker
  2. Bite the Bullet
  3. Dead End Job
  4. Ordinary Men
  5. Beltalowda
  6. Pale Blue Dot (Meant to Last)
  7. Rotten Souls
  8. Thought Insertion
  9. Chernobyl

De um lado, a crítica do jornalista. Do outro (ou abaixo, no caso), a visão do artista. Conversei com Felipe Colenci sobre alguns pontos referentes a banda e ao álbum. Não editei e a publico abaixo, na íntegra.

De acordo com o release, as letras tratam de forma geral sobre as emoções humanas. Como este fio condutor se relaciona com o nome da banda?

Felipe Colenci – Astrônomos, ao estudarem o universo, descobriram massivas regiões “vazias”, onde se encontram pouquíssimas galáxias; uma dessas regiões foi batizada de The Giant Void – mal sabem eles que, agora, este nome batiza uma banda. Acredito que este imenso vazio também pode ser utilizado para descrever como muitos seres humanos se sentem ao questionar nossa existência e a realidade que enfrentamos atualmente.

Como surgiu a ideia de usar vocais guturais em “Pale Blue Dot” e “Chernobyl” e como chegaram ao Renan Roveran, do Warshipper?

Felipe – Renan mora na mesma cidade que a gente e é um amigo de longa data. Acompanho o trabalho sensacional dele com sua banda Warshipper. Ao criar as músicas citadas, imaginei trechos com vocal gutural e não tive dúvidas em convidá-lo a participar. Ele aceitou prontamente e ficamos muito felizes com o resultado!

Partes em espanhol em “Bite the Bullet” e participação de Adrián Barilari (Rata Blanca): Felipe, você compôs a letra e o Barilari traduziu, correto? A ideia de traduzir era, de fato, fazê-lo cantar na sua língua natal?

Felipe – Sim, o Adrián nos surpreendeu ao fazer uma tradução fantástica da composição original; a ideia não era que ele cantasse em espanhol, na verdade, quando o convidamos imaginamos que ele cantaria em inglês. Porém, quando o empresário nos avisou que ele gravaria sua participação em espanhol, achamos super interessante e ficamos muito felizes com o resultado e a mistura que criou na música!

Aliás, a letra fala sobre superação. Foi um tema que surgiu de vivências pessoais ou algo que você quis explorar como letrista?

Felipe – Sim, basicamente é algo que eu mesmo utilizo como “mantra” – sempre há um outro dia, sempre há um “Sol” além da escuridão. No mundo de hoje e particularmente nos últimos dois anos, pensar de maneira positiva se tornou muito importante para aguentar toda a pressão psicológica que as situações nos trazem.

Como as influências pregressas de Hugo Rafael (Soul Music, Sambô e afins) foram, de alguma maneira, úteis neste álbum do The Giant Void? Ou são universos distintos que não se conversam?

Felipe – Hugo é um fenômeno e transita tranquilamente entre os estilos supracitados; para minha surpresa, tem também uma naturalidade imensa ao cantar metal. Acho que, no fundo, ele é “apenas” um só, um cantor impressionante que se dá bem em tudo que faz.

A banda é um duo, há planos para uma turnê de divulgação do disco?

Felipe – Sim, estamos prontos para shows! Aqui no Brasil somos acompanhados, por ora, por Marcus Castellani (bateria), Guilherme Durão (baixo) e Francisco Rangel (teclados).

Mais Informações:
www.instagram.com/thegiantvoid
www.facebook.com/thegiantvoid
https://www.youtube.com/c/TheGiantVoid

Foto: Divulgação

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