[Resenha] Mythologyca: Os corvos do Metal seguem sua vitoriosa jornada em Corner of Hell’s Road

Mythologyca – Corner of Hell’s Road
(MS Metal Records/nacional)

Material gentilmente cedido por Vika Viante/Mythologyca

Por Clovis Roman

Segundo álbum do Mythologyca, Corner of Hell’s Road mostra uma banda que evoluiu bastante em comparação com o debut, ao mesmo tempo que solidificou sua identidade sonora. Com uma nova formação, o disco foi gravado e lançado em 2021, em uma bela embalagem em digipack e com uma produção bastante satisfatória.

A abertura vem com a faixa que dá nome a banda, “Mythologyca”, com refrão simples e efetivo e predominância de teclado e um ótimo riff de guitarra principal. Mais climática, a “polonesa doidona” (“Evil Polish Woman”) é outra com refrão cativante e trabalho de guitarra primoroso de Vika Viante. Trazendo uma outra pegada, mais calcada no hard rock, “Intergalatic Love” começa com um vocal a capela, e conta com um andamento mais cadenciado

Voltando aos ares um pouco mais soturnos, “Dracula” abre espaço para “Lady of Mysteries”, que abre com um suave dedilhado e bela interpretação do vocalista Marco Bührer, com algo de medieval, que pode remeter ao Blind Guardian. É uma balada muito bem construída, que se desenvolve sem pressa e envolve. O momento mais diferente é “Cacique Guairacá”, com versos em português e um em guarani. A frase “Co ivi oguerecó yara” significa “Essa terra já tem dono”.

Um dos highlights, entretanto, é “The Witch of Seven Seas”, na qual tudo se encaixou de maneira sobrenatural. Melodias vocais espetaculares, versos grudentos e um clima que remete ao que o Uriah Heep vem gravando nos últimos discos. Primeiro single do trabalho, “Candles” mostra Bührer cantando muito bem, melodia principal de teclado excelente, algo meio Amorphis só que mais feliz. O disco fecha com “The Blues of Crow’s Crew”, que é de fato um blues. Soa mais como algo que se divertiram para gravar do que uma composição específica para o trabalho. Ela destoa do resto, mas como está no final, não quebra o ritmo, e funciona como uma despedida pândega de um trabalho realmente muito bom.

O álbum Corner of Hell’s Road foi gravado, assim como o debut Lady of the Crows, no Silent Music Studio do músico e produtor Karim Serri, com produção adicional dos vocais por Jonathas Pozo (do Rage in my Eyes). No final, a mixagem do vocal ficou um tantinho mais alta que o necessário em alguns momentos, mas isto é um detalhe. De resto, a sonoridade é muito boa e comprova que o Mythologyca é uma bastante criativa que transita em influências dentro do rock para criar um som com cara própria.

Músicas

1 – Mythologyca
2 – Evil Polish Woman
3 – Intergalactic Love
4 – Dracula
5 – Lady of Mysteries
6 – The Call of the Wild
7 – Cacique Guairacá
8 – The Witch of Seven Seas
9 – Candles
10 – The Blues of Crows Crew

Alguns pontos específicos referentes a este álbum são abaixo dissertados pelo guitarrista Vika Viante, em uma breve entrevista feita como um complemento da resenha acima.

Há diversas músicas no disco com referências a personagens femininas – “Evil Polish Woman”, “The Witch of Seven Seas”, “Lady of Mysteries”. Isto foi algo deliberado ou apenas um acaso?

Isso é uma coincidência que só foi notada recentemente e essa temática surge naturalmente. Nosso primeiro álbum chama-se Lady of the Crows e ainda temos nele as faixas “Morgan Le Fay”, “Persephone” e “Borderline Fairy”. Sem contar “Rock T-Shirt” e “Aurora”, que de certa forma também tratam de personagens femininas. Então basicamente poderíamos ter colocado isso tudo num mesmo pacote e lançado algo realmente conceitual se tivéssemos percebido antes, isso revela que realmente foi ao acaso.

Ouça o álbum Corner of Hell’s Road:

Como é o processo de escrita das letras das músicas? Como esta tarefa é dividida?

As letras são basicamente escritas pelo Marco Bührer, vocalista. Esporadicamente alguém dá uma sugestão ou outra, mas na maioria das vezes esses palpites dizem mais respeito à métrica, rima ou algo que soe musicalmente melhor. As músicas em si na maioria das vezes são feitas por mim, com sugestões inicialmente de riffs de guitarra que evoluem quando juntamos às letras e melodias de vocal. Desse momento em diante, podemos dizer que não existe mais uma divisão. Vamos fazendo as coisas tomarem forma juntamente. Temos também muitas contribuições do Giovanni Vicentin, tecladista. Sobretudo, após a música ter uma estrutura formada, cada instrumentista tem a liberdade de criar a sua parte, prezando pela harmonia do todo.

Falando em letras, qual inspiração para a “Polonesa doidona”, ou seja, “Evil Polish Woman”?

Eu e o Marco somos de Irati/PR, e lá têm muitos poloneses. A mãe do Marco sempre falava pra ele, desde criança, para que ele não se casasse com as polonesas, pois elas dominavam os maridos (risos). Mas na verdade, as polonesas (polacas) são mulheres encantadoras, guerreiras e enérgicas, sendo assim resolvemos fazer essa singela homenagem em forma de música para elas. Aliás, essa música é muito legal, e tem backing vocals guturais do Felipe Franco, baixista.

Explique o significado do título do álbum – Corner of Hell’s Road – e por que não há uma faixa com o mesmo nome do disco (algo que rolou no disco de estreia)?

Isso é bem inusitado. O título do álbum é extraído de uma frase da primeira música dele (“Mythologyca”) . Em primeiro lugar, não achamos que o título de nenhuma música poderia representar o álbum como um todo, então resolvemos usar esse trecho, porque achamos ele forte o suficiente para a questão e também porque representa muito nossa existência como banda (“We were born in the fire/At the corner of hell’s road”). Não tem como contar tudo, mas desde que decidimos montar a banda, muita coisa de ordem pessoal aconteceu com a vida dos integrantes da banda. Cada vez que a gente resolve iniciar alguma saga de composição, gravação, shows ou clipes, as forças do destino começam a pregar peças na gente e sempre foi assim, dá um livro de tanta história! No fim das contas, a gente nem acha estranho mais, nem se abala, já sabemos que vai acontecer. No final da música “Mythologyca”, tem uma frase em espanhol que se refere ao dia que fizemos um show em palco aberto a -2o graus. Ouçam lá [risos].

Quais as principais diferenças ou evoluções entre o novo CD e o primeiro?

A primeira evolução indiscutivelmente está nas linhas vocais, coros e backing vocals. Contratamos para esse trabalho a produção do grande Jonathas Pozo (da banda Rage in My Eyes). Ele ficou quatro dias com a gente, corrigindo algumas coisas e auxiliando na gravação dos vocais e segundas vozes. Isso foi uma experiência totalmente nova para nós e com certeza foi o ponto alto em termos de evolução. Além disso, esse é o primeiro trabalho com a nova “cozinha”. Além do Felipe, que já estava com a gente, tivemos a entrada do novo baterista, o Neto Falcão, que inexplicavelmente gravou o disco em tempo recorde, com pouca pré-produção (entre o Natal e o Ano Novo). Por fim, posso dizer que gravamos um ótimo álbum e que todo mundo deveria ouvir [risos].

Informações:
https://www.instagram.com/mythologyca.band
https://www.facebook.com/mythologyca
https://www.youtube.com/Mythologyca

Plataformas digitais: https://www.trakto.link/mythologyca

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