Loudness – Sunburst
(Shinigami Records – nacional)
por Clovis Roman
São mais de 40 anos e um impressionante número de álbuns: Com este Sunburst, são 31! Ou 32, vai saber? Isto sem contar as versões em inglês de álbuns originalmente lançados na língua japonesa. A maior banda da terra do sol nascente, o Loudness chegou a tocar no Brasil em 2013, em um show um tanto confuso, afinal, o vocalista Michael Vescera teve problemas e não pode vir ao Brasil de última hora. Ficou a cargo de Iuri Sanson, na época do Hibria, que vivia ótima fase, segurou a bronca e realizou um ótimo trabalho. Foi um evento histórico por vários motivos.
Uma década depois, recebo da Shinigami Records o álbum duplo Sunburst, com quase uma hora e meia de duração. É uma audição complexa, pelo volume de canções presentes nos dois CD’s. Mas a solução é fácil: ouça cada um deles em momentos distintos, para tornar a assimilação mais efetiva. O trabalho de guitarra de Akira Takasaki é impressionante, repousando nele o principal trunfo dessa obra megalomaníaca, mas muito legal. A cozinha formada pelo baterista Masayuki Suzuki e o baixista Masayoshi Yamashita é bastante sólida, sem extravagâncias. O vocal de Minoru Niihara pode dividir opiniões, pelo timbre incomum e pelo fato de cantar em japonês em algumas tracks, o que torna mais difícil para o ouvinte do outro lado do mundo se conectar de imediato.
Mas esta é uma boa batalha. Há as músicas em inglês, mais afáveis num primeiro momento, e descobrir uma nova faceta dentro do metal é sempre bem vinda. Instrumental, “Rising Sun” cria um bom clima para “OEOEO”, pouco ortodoxa mas interessante. A melodia e ganchos surgem mais evidentes em “大和魂” (“Yamato Damashii”), que só peca por ser grande demais. A cadência de “仮想現実” (“Virtual Reality”) contrasta com o peso metálico de “Crazy World”, com momentos de guitarra incríveis e vocais mais enfáticos. A duração desta e sua sucessora, “Stand or Fall” – outra bem pesada e com boas incursões de teclados – também excede os seis minutos, o que desconta alguns décimos da nota final. Nada grave, entretanto. Os vocais graves afetam a parte balada de “The Sanzu River”, que pedia algo mais delicado para realçar a beleza de seus dedilhados nos minutos iniciais. A parte final surpreende com uma brutalidade inesperada, com vocais guturais e tudo o mais.
Disco 2
Após uma pausa, embarquei no segundo disco de Sunburst, uma obra corajosa, devido a seu formato dilatado. Poucas bandas conseguiram ter bons resultados com discos duplos nas últimas décadas. “Hardwired… to Self-Destruct, do Metallica, e tanto Book of Souls e Senjutsu, do Iron Maiden, entram no hall dos trunfos, com momentos brilhantes e outros que não depõe contra, apenas mantém a coisa rodando. Sunburst, menos impactante que esses exemplos, é candidato a entrar neste seleto grupo. Mesmo que, por exemplo, “輝ける80’” (“Shining 80’s), fique apenas nas boas intenções. Com vocais que lembram muito Andre Matos, “Emerald Ocean” finalmente bota a coisa nos trilhos, rota mantida por “Heaven’s Door”, que apesar do título, não é uma balada insossa, e sim, um hard/heavy irresistível.
A calmaria vem, pela primeira vez, com “All Will Be Fine with You”, na qual brilham os solos de guitarra. O momento de maior peso, “Fire in the Sky” joga tudo pro alto, empolgação catapultada de vez com “Hunger for More”, que lembra muito o que o Accept atual poderia fazer. O épico “The Nakigara” instaura um clima mais sombrio e uma introdução apoteótica, depois, segue outros caminhos, para introduzir “Wonderland”, ainda maior, com mais de sete minutos. Um ar introspectivo e obscuro nos leva ao fim do álbum sem pressa alguma de se despedir. A experiência se encerra como com um convite do Loudness, para que o ouvinte a repita em breve.
Conclusão
A capa é muito bonita, por mais que o personagem central e o fundo do cenário estejam na mesma paleta de cores, o que causa uma estranheza inicial. Se era esta a intenção, deu certo. Não entendi a falta do logo da banda e do título. Um desavisado vai passar batido. A versão nacional de Sunburst (que saiu originalmente em 2021), pela Shinigami Records, é primorosa, um belíssimo digipack mais robusto, com encarte trazendo as letras e as traduções em inglês das faixas nipônicas. É um “must-have” para fãs da banda e quem quer, eventualmente, conhecer o trabalho do Loudness.
Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9493550-Loudness—Sunburst-[DIGIPACK-DUPLO]
Músicas:
CD 1
Rising Sun
Oeoeo
大和魂 [Yamato Damashii]
仮想現実 [Virtual Reality]
Crazy World
STAND OR FALL
The Sanzu River
日本の心 [The Heart of Japan]
CD 2
輝ける80’ [Shining 80’s]
エメラルドの海 [Emerald Ocean]
天国の扉 [Heaven’s Door]
All will be Fine with You
Fire in the Sky
HUNGER for MORE
The NAKIGARA
Wonderland
Foto: Keiko Tanabe
