[Resenha] Mystic Circle leva o black metal a novos patamares sombrios com Erzdämon

Mystic Circle – Erzdämon
(Shinigami Records – nacional)

por Clovis Roman

Após um hiato de dezesseis anos, o Mystic Circle lançou em 2022 um novo álbum, com o mesmo nome da banda. Mostrando que a produtividade está em alta após tanto tempo parados, logo no ano seguinte forjaram mais um artefato maligno, moldado no fogo do inferno: Erzdämon, o nono da carreira. Com uma caminhada de mais de três décadas, sempre se destacaram pela abordagem musical agressiva e líricas profundamente sombrias.

Erzdämon solidifica a posição do grupo alemão fundado em 1992 como um dos principais representantes do gênero. Passaram por várias mudanças de formação no passar das décadas, mas sempre mantiveram sua identidade sonora distintiva e seu compromisso com a expressão artística sombria. Obra-prima infernal, Erzdämon mergulha os ouvintes em um reino obscuro e opressivo, com pitadas sinfônicas que realçam o ar gélido. São nove faixas, cada uma delas uma jornada imersiva pelos abismos do black metal.

O equilíbrio entre momentos frenéticos de blast beats e riffs furiosos, e passagens mais atmosféricas e melódicas, fica evidente logo na abertura, “Erzdämon (Part 1)”, com uma breve introdução antes do caos se instaurar. Há velocidade extrema, melodia e algo mais rebuscado com os teclados que, ao mesmo tempo, dão um ar mais macabro ao todo. 

O vocal estupidamente agressivo do também baixista e membro fundador Graf von Beelzebub são um dos grandes destaques, ao flutuar dos screams para os guturais com habilidade e consistência. As linhas do também integrante original A. Blackwar são variadas; o músico também é responsável pelas guitarras, ao menos em estúdio. O resultado da obra criada pela dupla é ousado, mas se sustenta. As músicas tem em média cinco minutos de duração, mas não cansam, pelo dinamismo das composições que, mesmo em momentos menos extremos, não perdem a aura maligna. “From Hell” é um bom exemplo disso, enquanto “Unholy Trinity” é blasfêmia e velocidade pura. Tornar o black metal palatável sem perder a essência é difícil, mas o Mystic Circle faz isto com maestria. 

A apocalíptica “The Scarecrow” e a funérea “Welcome to the Midnight Mass” escancaram outra faceta artística da dupla, mais lentas e soturnas, mas ainda malditas; assim como “Asmodeus And The Temple Of God”, com um coro medonho no começo, mas logo caindo no black metal cru. O ar denso retorna com “The Mothman”, porém, mais limpa e melódica que suas antecessoras mais vagarosas. Servindo como contraponto, “Skinwalker” tem momentos que lembram aquele Marduk estupidamente veloz do Nightwing ou Panzer Division Marduk. Porém, aqui, o trabalho da bateria é muito mais amplo e arrojado. Baixando o andamento para a despedida, “The Princess Of The Deadly Sins (Erzdämon Part 2)” traz até mesmo um dedilhado limpo no começo, e um ritmo hipnótico e lento até o adeus definitivo.

Quanto à parte lírica, Mystic Circle mantém a abordagem anti-cristã, o que é sempre bem vindo. Abra as portas do abismo sonoro e encare Erzdämon sem medo. 

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9495609-Mystic-Circle—Erzdmon

Músicas
Erzdämon (Part 1)
From Hell
Unholy Trinity
The Scarecrow
Asmodeus And The Temple Of God
Welcome To The Midnight Mass
The Mothman
Skinwalker
The Princess Of The Deadly Sins (Erzdämon Part 2)

Foto: Reprodução do CD

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