Corrosion of Conformity – Good God / Baad Man
por Clovis Roman
Foram oito anos de espera por um novo disco do Corrosion of Conformity, e muita coisa mudou de lá para cá. Se em 2018, a banda tinha a sua formação clássica intacta, aqui, Stanton Moore surge como músico contratado para cuidar da bateria. E temos um estreante: Bobby Landgraf, baixista que também é membro da crew do Pantera e tocou no Down. Falando em Down, o guitarrista e vocalista do C.o.C., Pepper Keenan, toca lá e tive a oportunidade de vê-lo em ação em 2011 com este grupo, no finado e saudoso festival SWU. Completa o quarteto o guitarrista e membro original Woody Weatherman. Atualmente, Nick Shabatura assumiu as baquetas por definitivo.
Certamente, Mike Dean e Reed Mullin (que partiu em 2020) fazem falta, mas a banda segue furiosa (e viajada, dependendo da hora) em Good God / Baad Man, o 11º registro de estúdio. Se o disco, durante as gravações, ganhou o apelido de Dark Side of the Doom, o que apresentam aqui está longe do doom metal, mas carrega consigo uma aura macambúzia, de uma maneira ou de outra. Por via de regra, o som é um stoner com cheiro de americano e os dois pés calcados no Black Sabbath. Muitas músicas são rocks cheios de distorção e uma sonoridade suja, beirando o minimalismo, mas sem se furtar em apostar em passagens mais caóticas, lentas, psicodélicas.
No primeiro time, “Good God? / Final Dawn” é uma pauleira incessante, assim como a ainda mais letal “Gimme Some Moore” (que conta com os vocais de apoio de Al Jourgensen (Ministry) e com guitarras de Monte Pittman, que trabalha com a Madonna). No segundo, “Bedouin’s Hand” é um interlúdio hipnótico, e “The Handler” é uma carreta desgovernada descendo uma ladeira, lenta e destrutiva. Mas a psicodelia atinge seu ápice com “Run for Your Life”, com mais de nove minutos de sonoridades etéreas, que vão ficando cada vez mais abstratas até chegar no entorpecente movimento final. Até recuperar os sentidos, “Baad Man” já está rolando, com um riff suingado em excesso e linhas vocais mais desleixadas.
Chegamos a metade do disco totalmente imersos na sonoridade do Corrosion of Conformity, em um momento em que o que vier é lucro. O título dicotômico sugere que há dois discos em um, e é mais ou menos isto que rolou. “Baad Man” é como se fosse a primeira música do lado B, e apesar da própria banda falar que cada parte vai para um lado, a verdade é que todas as 14 músicas, quando unidas, soam como algo sólido e homogêneo. Mas é notável que o segundo bloco tem vocais mais largados e é um pouco menos agressivo. “Mandra Sonos” é uma introdução para “Asleep On The Killing Floor”, pesada mas sem soar gratuita, que serviria como “a música para ganhar um videoclipe”. Um típico rock americano, “Handcuff County” antecede “Swallowing the Anchor”, um dos destaques do fundão. “Forever Amplified” tem seu peso amplificado por vir logo após “Brickman”, guiada por violões, mesmo que não seja bem uma balada.
A análise aqui é praticamente isenta de comparações com obras anteriores do Corrosion of Conformity. Como álbum, Good God / Baad Man convence os fãs de Crossover/Sludge/Southern Metal com tranquilidade, mesmo tendo mais de uma hora de duração. Aqui, a banda olha para a frente, mas sem desprezar seu legado de mais de quatro décadas. A edição nacional pela Shinigami Records saiu em um digipack bem legal.
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Músicas
1. Good God? / Final Dawn
2. You Or Me
3. Gimme Some Moore
4. The Handler
5. Bedouin’s Hand
6. Run For Your Life
7. Baad Man
8. Lose Yourself
9. Mandra Sonos
10. Asleep On The Killing Floor
11. Handcuff County
12. Swallowing The Anchor
13. Brickman
14. Forever Amplified
Foto: Danin Drahos
