[Resenha] Green Lung – Woodland Rites

Green Lung – Woodland Rites
(Shinigami Records – nacional)

por Clovis Roman

A música pesada está em constante evolução. O Black Sabbath começou tudo em 1970, e dessa banda se ramificaram basicamente todos os estilos que vieram na década vigente e nas duas seguintes. Outros elementos vieram com o tempo, como o funk, o rap e mais um monte de tranqueira, chegando aos pavorosos Nu Metal, Metalcore, MathProgRockCoreAvanteGarde ou seja lá o que valha. Quando uma banda nova (O Green Lung surgiu e 2017, ou seja, atualmente tem nove anos de estrada) surge com a proposta de revisitar respeitosamente o passado, na verdade eles estão na vanguarda, ao se certificar de manter vivo aquilo que foi a gênese de tudo.

O negócio é tão contagiante e de qualidade indubitável que é possível cravar a nacionalidade dos caras antes mesmo de olhar os créditos no CD. Não há dúvida: São ingleses. Woodland Rites é o debut do conjunto, lançado originalmente em 2019 e que chegou ao mercado brasileiro pela Shinigami Records. A bela “Initiation” define o clima de imediato, com sons da natureza como pano de fundo para o violão reconfortante de Scott Black  e o trabalho de teclas de John Wright, que desemboca num movimento elétrico e instrumental. E isto é apenas a introdução.

Já no clima, somos atacados pela faixa título, que ressoa Black Sabbath em seu estado mais puro, influência esta que o quinteto não tenta esconder. Para reforçar ainda mais esta impressão, os vocais de Tom Templar são muito similares aos de Ozzy Osbourne, apenas mais técnicos e melódicos. O solo caótico não se distancia do clima instaurado, este, intensificado por “Let the Devil In”, um pouco mais lenta, com reminiscências de doom metal, riffs memoráveis e um baixo de peso cavalar. Indo ainda mais para o sorumbático, “The Ritual Tree” segue com os temas ritualísticos e com os riffs cortantes.

A produção beira o inacreditável, com tudo soando limpo, definido e maldito. Os vocais não estão acima de tudo, tampouco, soterrados na massa sonora. Como é um timbre “complicado”, poderia ofuscar o resto caso estivesse muito alto, mas não é o caso. Os timbres são excelentes e as vozes tem um leve reverb que dá aquela datada básica no som, mas mesmo assim, tudo soa fresco e atual.

Com teclados fantasmagóricos e riffs enigmáticos, “Templar Dawn” fala dos templários servos de satã, o que é uma premissa muito divertida. “Call of the Coven” é puro setentismo, com o melhor refrão do disco e novamente com as guitarras se destacando, mesmo com a cozinha brilhando por sua precisão. A “balada” do disco é a tensa “May Queen”, uma valsa hipnótica que poderia ser uma música do Ghost se esta banda ainda fizesse música boa. A audição chega ao final muito rápido. “Into the Wild” já é a última, mesclando momentos etéreos com outros pesadíssimos (dentro do estilo proposto, claro; não espere death metal aqui).

Woodland Rites é um disco acachapante. Os caras apostam num doom metal clássico, fortemente alicerçado pelo rock and roll, e flertes com o stoner, mas sem sujeira desnecessária. Este é um ítem essencial para fãs do estilo, e depois deste, provavelmente você vai embarcar de cabeça nos posteriores, que são: Black Harvest (2021), This Heathen Land (23) e o novíssimo Necropolitan, que sai em setembro.

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9503453-Green-Lung—Woodland-Rites

Faixas:
1. Initiation
2. Woodland Rites
3. Let the Devil In
4. The Ritual Tree
5. Templar Dawn
6. Call of the Coven
7. May Queen
8. Into the Wild

Foto: Ester Segarra 

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