Metal de Facto – Land of the Rising Sun Part 2
(Shinigami Records / nacional)
Por Clovis Roman
O Metal de Facto não é a primeira banda finlandesa a usar um nome em português. O Força Macabra, surgido em 1991, nao apenas tem esta alcunha em nossa língua, como também ‘canta’ nesse idioma. A similaridade acaba por aí. Afinal, enquanto os veteranos apostam em um crust/thrash/punk metal tosco e veloz, o Metal de Facto se apoia na grandiloquência do power metal, fala de lutas e guerreiros e canta em inglês mesmo. Como o título preconiza, Land of the Rising Sun Part 2 é a sequência do trabalho lançado em em 2024.
O disco é bastante excêntrico, pois começa com um épico de quase nove minutos. “Sengakuji Temple” – faz referência ao templo localizado em Tóquio que abriga o cemitério e os túmulos dos 47 Ronin – começa como uma intro convencional do estilo, depois ganha riffs enérgicos, passagens velozes e outras melódicas, versos bem sacados e solos de guitarra dinâmicos. E a única participação especial do CD surge nesta faixa, algo pouco convencional. Ryoji Shinomoto adiciona vozes, guitarras e instrumentos tradicionais japoneses à faixa, e o resultado final é surpreendente.
Mais convencional, “Across the Milky Way” mostra essa maneira mais moderna de fazer power metal. É como se fosse um Powerwolf, só que bom. Felizmente, “Gojira” não tem nada a ver com a banda francesa, e é outra peça vibrante e veloz, com boas melodias vocais e bom refrão.
Caindo nos braços do metal melódico do final dos anos 1990 e início da década subsequente, “My Plastic Escape” esbarra no brega com uma introdução guiada por teclados. No bom sentido. Com o desenvolver da canção, ficamos cada vez ansiosos por um refrão grandioso e grudento, e nossas expectativas são devidamente atendidas. A base dos versos, simples, é bastante convincente.
“Fury and Beauty” traz momentos velozes de bateria e teclados que lembram aquela clima fantasmagórico do Children of Bodom (não a toa, eles lançaram em 2025 uma cover de “Lake Bodom”); até a sessão de solos lembra seus compatriotas. Aqui, Shinomoto novamente surge como convidado.
“Pen is Mightier Than Sword” (calma) é outro momento speed sinfônico, com teclados espalhafatosos e vocais agudíssimos, que se destaca por sua simplicidade e efetividade. Conquista de imediato. A balada “Light than a Feather” leva a sério seu título, por ser um número de andamento moderado, com passagens sem pressa e uma certa dose apoteótica, sem exageros. É mais dinâmica que a quase ritualística “The Wanderer’s Truth”. Minimalista e um pouco divergente da vibe do restante do álbum, “Wheel of the Rising Sun” não deixa de ser outro bom momento. É diferente, mas não quebra a unidade do trabalho como um todo.
O disco chegou ao mercado internacional em março, pela Reaper Entertainment, e agora chega ao Brasil pela Shinigami Records. A capa é uma ilustração de Gyula Havancsák, que já trabalhou com nomes como Stratovarius, Kreator, Grave Digger, Accept e Destruction. A mixagem e produção ficaram a cargo do guitarrista da banda, Esa Orjatsalo. Completam o time o vocalista Aitor Arrastia (voz), Sami Hinkka (baixo), Atte Marttinen (bateria) e Benji Klint-Connelly (teclas).
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Faixas:
1. Sengakuji Temple
2. Across the Milky Way
3. Gojira
4. My Plastic Escape
5. スズメの群れ (Instrumental)
6. Fury and Beauty
7. The Wanderer?s Truth
8. Pen is Mightier Than Sword
9. Lighter Than a Feather
10. Wheel of the Rising Sun
Foto: Lana Gonch
