[Resenha] Gladenfold – Soulbound

Gladenfold – Soulbound
(Shinigami Records – nacional)

por Clovis Roman

A coisa mais terrível do cenário heavy metal na atualidade são as bandas que se rotulam metal mas que, na verdade, são pop dançante com guitarras sintéticas e ultraprocessadas. Tipo o Battle Beast in Black (ou algo assim). Ou o Powerwolf. Nada contra música eletrônica. Só não quero ouvi-la quando compro um CD de heavy metal.

Admito que, ao olhar a capa de Soulbound, quarto álbum da banda finlandesa Gladenfold, achei que ia começar o bate estaca. Claro que eu não ia jogar o CD fora antes de tentar, e fico feliz de não tê-lo feito. Afinal, o som do quinteto é um power metal moderno, com toques sinfônicos, que imprime peso quando necessário, que convida o ouvinte com melodias efetivas e soa orgânico. Com produção da própria banda, o disco soa excelente seja no carro, no fone ou na caixa de som JBL num churrasco de domingo.

Caindo no terreno do Sonata Arctica, “For My Queen” teria sido escolhida como single por uma criança de cinco anos, tamanho a dose extra de glicose descarregada durante seus pouco mais de 4 minutos de duração. Só que é tudo feito com bom gosto e o solo de guitarra é musical, não apenas veloz para impressionar adolescentes. Tudo bem que um pequeno trecho lá para o final lembre de leve o Beast in Black, mas calma, não precisamos nos desesperar. O Gladenfold é bom.

Bom não, ótimo. “Helix of Hate” traz inesperados vocais guturais do vocalista Esko Itälä, bastante versátil e competente seja nas partes mais brutais, quanto nas mais sublimes. Linhas vocais grandiosas e pomposas elevam a canção para outro nível. Nem mesmo os riffs meio modernosos no meio depõe contra. Michaela Tuomenoksa canta com Itälä em “Mercy”. Ela, vinda de uma banda de metalcore, também não influencia negativamente. Pelo contrário, ela canta bem, afinada e complementa bem o clima da composição.

“Chaos Waltz” traz um quê de erudito, mas tem versos confusos e alguns versos parecem ter mais palavras do que encaixa na métrica. Mas nem todo ouvido vai perceber isto. O trechinho black metal no meio é bem legal, poderia durar mais tempo. Cadenciada e pomposa, “Anthem of the Broken”, traz a melhor performance do vocalista no álbum e tem tudo perfeitamente costurado. Aqui, dá vontade de cantar junto os versos “A flicker in the mist, a whisper in the dark. Anthem of the Broken and Forsaken”. É uma música vitoriosa, na qual os elementos são somados a favor de um bem maior.

O épico do álbum – ao menos em partes – é a saideira, “Soulbound Parallax”. Não chega a ser uma peça completa, pois tem menos de seis minutos, mas ela transita livremente entre suas partes e entonações. Se eu fosse o produtor, colocaria as duas primeiras músicas como as duas últimas. Uma – “Fire Wind” é mais pesada, com teclados contundentes, a outra – “Wardens of Time” – une partes com vozes agressivas a momentos triunfantes de melodia.

A capa pode sugerir que seja alguma banda cansativa de viking metal ou, como sugeri acima, um grupo de electro metal tipo Beast in Black, mas não é. Se metal melódico, power metal e sinfônico é sua praia, não tem erro. E na verdade, mesmo que você goste dessas aberrações que acabei de mencionar, existe uma alta probabilidade de você abraçar o Gladenfold.

Compre o CD: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9503763-Gladenfold—Soulbound

Músicas
1. Fire Wind
2. Wardens Of Time
3. For My Queen
4. Helix Of Hate
5. Mercy
6. Ghostlike
7. Chaos Waltz
8. Anthem Of The Broken
9. Soulbound Parallax

Foto: tepporistolaphotography

Deixe um comentário