[Cobertura] Midnight Oil traz turnê nostálgica à Curitiba e convence com show histórico

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Midnight Oil
Teatro Positivo
Curitiba/PR
25 de abril de 2017

texto por Kenia CordeiroClovis Roman
fotos por Fabiano Guma (BelPress)

O cantor e político Peter Garrett declarou em uma entrevista, há 20 anos, que “talvez o Rock seja uma linguagem universal, capaz de despertar uma energia primal em culturas muito diferentes”. Ao menos no caso de sua banda, o Midnight Oil, esta regra se aplica perfeitamente. O grupo australiano, que ficou em hiato por anos, anunciou seu retorno com força total em 2016. Desde então os fãs ficaram roendo as unhas aguardando a histórica turnê agendada para para o ano posterior. Desde o encerramento das atividades, em 2002, os caras fizeram shows esporádicos, mas sempre deixando claro que eram eventos pontuais.

Os sulamericanos foram contemplados com o giro mundial de retorno do Midnight Oil, e após um show de aquecimento e outro completo na Austrália, sua terra natal, foi o primeiro continente a ver o grupo novamente em ação. A última vinda da banda ao Brasil rolou em 1997 – naquela oportunidade, tocaram no Marumby Expo Center, finado espaço de shows da Curitiba dos anos 90.

Muita coisa mudou desde então. O que não mudou, entretanto, é o poder de impacto das composições do Midnight Oil. Um Teatro Positivo absurdamente lotado pode conferir – e ter suas energias primais despertadas – que essa sentença é verdadeira. Eles apresentaram um repertório feito especialmente para agradar do fã mais ardoroso ao mais casual, afinal, foram oito músicas do álbum Diesel and Dust (87) e mais cinco do Blue Sky Mining (90), os de maior sucesso comercial. Desse último, faixas como “Blue Sky Mine”, “Forgotten Years” e “King of the Mountain” (todas mais pro fim do repertório) fizeram muita gente levantar dos confortáveis assentos do teatro para dançar. Do anterior, pérolas como “The Dead Heart” – cantada em uníssono – e claro, o megahit “Beds are Burning” foram pontos altos, assim como a tensa “Put Down That Weapon”, que abriu o encore.

O Midnight Oil é conhecido por seu engajamento político e em questões ambientais – algo que Garrett deixou claro em seus discursos, feitos em português. Antes de “When the General Talks” (cuja brilhante letra foi cantada pelo baterista Rob Hirst), o frontman deixou claro o quanto a “guerra é algo ridículo”. No que tange a questão musical, foi interessante notar como a banda começou com sons mais lúgubres, mais melancólicos, como “Safety Chain Blues”, “Now or Neverland” (que ao vivo ganha ainda mais força) e principalmente “Mountains of Burma” e depois se utilizou de composições mais radiofônicas. No meio, ainda teve uma parte semiacústica que contou com “Luritja Way”. “Forgotten Years” encerrou o show, mas logo eles voltaram para o encore, com as já citadas “Put Down that Weapon” e “King of the Mountain”, e por fim, “Dreamworld”.

O retorno do Midnight Oil, independentemente do motivo, mostrou que sua obra permanece viva na memória de muita gente. Isto se deve muito a nostalgia, o que comprova-se facilmente pelo perfil do público presente na apresentação: a grande maioria aparentava ter mais de trinta anos. Esses tiveram a chance de viajar ao passado embalados pelo som de uma das melhores bandas de rock da história – e foi provavelmente a última chance.

REPERTÓRIO
Bullroarer
Safety Chain Blues
Now or Never Land
Truganini
Mountains of Burma
Shakers and Movers
Sell My Soul
Only the Strong
When the Generals Talk
Ships of Freedom
Luritja Way
Kosciusko
Arctic World
Warakurna
The Dead Heart
Beds Are Burning
Blue Sky Mine
Forgotten Years

Put Down That Weapon
King of the Mountain
Dreamworld

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