Lenine fala de Carbono, cuja turnê está chegando ao fim, em entrevista exclusiva ao Acesso Music

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Carbono é um álbum aclamado na primorosa discografia do pernambucano Lenine. Sua subsequente turnê de igual sucesso retorna à Curitiba no próximo dia 26 de maio; esta será a última visita do artista a cidade com este show. A única data na capital paranaense será realizada no palco do Teatro Positivo.

Nós conversamos com Lenine sobre Carbono (um disco que é um amálgama de influências e sentimentos), sobre sua forma de trabalhar e sua visão da música.

O álbum Carbono saiu há dois anos, já existem planos concretos para um novo trabalho de estúdio?
Lenine: É difícil para mim falar do que será. É mais fácil falar do que já é. Você já percebeu que meus trabalhos tem um período de vida útil, que eu descobri ao longo do tempo, que é de dois anos e meio a três anos. Isto para dar tempo de ir a todos os lugares e tem a ver também com essa aptidão que meu trabalho tem, que descobri desde cedo, que é dialogar com o planeta. Não é só tocar no Brasil, mas também viajar para fora dele. Então é natural, eu já estou pensando sim em até final do ano lançar um projeto novo.

Você sempre trabalhou com muitos convidados em toda sua carreira, e em Carbono há novos parceiros nesse sentido. Esse é um direcionamento que você pretende manter no futuro, trabalhar com novas pessoas?
Lenine: De alguma maneira é uma arte de encontro, ou pelo menos acredito que assim seja. E assim tem sido ao longo de minha vida toda. Gravar discos é um momento de experimentação e é onde eu testo e me aproximo de pessoas que admiro, que ainda não trabalhei. É no disco que você exercita isto. Eu tenho, pra ser bom honesto, um grupo de pessoas que são meus parceiros queridos há muitos anos, com é o caso do Lula Queiroga, Bráulio Tavares, Edu Falcão, Edu Santos, que são mais que parceiros de músicas, são parceiros de idéias, de geração. e eles tem uma cadeira cativa no meu trabalho de uma maneira geral. Mas eu gosto muito de através da composição aprofundar o relacionamento, descobrir novas pessoas. Basta eu ficar comovido ou que alguma coisa tenha me tocado de alguma maneira, eu quero me aproximar. Meu trabalho é coletivo sim, e eu gosto de não ter dogmas e de ousar estar procurando, todo tempo, a toda hora.

Você falou em Lula Queiroga. Seu disco de estreia, Batuque Solto, gravado ao lado dele, completa 35 anos em 2018. Você já pensou em fazer algo comemorativo, como tocá-lo na íntegra? Ou por questões de temporalidade essa não é uma ideia?
Lenine: Quando eu fiz 30 anos de carreira, há três anos, eu fiz 30 projetos diferentes. Um dos projetos foi justamente refazer o Baque Solto no palco, fizemos isto, eu e Lula, envolvendo todas as pessoas que gravaram. Foi um momento muito bacana, de confraternização, carinho, afeto. Acho que cada disco é uma foto que você faz. essa foto com o tempo tende a amarelar, é normal. A gente procura fazer uma foto que nunca perca as tonalidades e a objetividade, mas não é sempre que você consegue. É uma busca, mas nem sempre você consegue. A gente tenta fazer a foto para ela não amarelar, mas algumas amarelam. [risos]

Muitas críticas referentes ao álbum Carbono o apontam como um dos melhores de sua carreira, e há quem tenha declarado que este é seu melhor disco até o presente momento. As críticas ‘especializadas’ lhe influenciam de alguma maneira?
Lenine: Não, não, não. Eu nem gosto muito de ler, nem para o bem nem para o mal. Eu tenho muitos anos trabalhando com isto, estou com 58. Então significa que com mais de 30 anos de trabalho eu sei aonde que foi meu ‘turning point’, onde foi que aconteceu de eu começar a construir meu próprio caminho. E isto foi fundamental para eu chegar aqui e estar conversando com você. Então eu fiz meu próprio caminho. Eu acredito é na permanência, na excelência e nesse desejo de estar sempre levando um pouquinho além. Sempre fiz assim, Clovis, isso não mudou. Tenho a impressão que este sentimento é que me mantém assim, ainda me divertindo profundamente fazendo o que eu faço, ainda me espantando com as possibilidades que se abrem quando você mergulha no fazer. E ainda a mercê do agora, eu tou me jogando o tempo todo, cara.

Então a busca por satisfação pessoal e profissional é seu mote…
Lenine: Na verdade quando eu faço, eu faço querendo agradar seis ou sete pessoas [risos] que ao longo da minha vida foram meus desconfiômetro, que não por acaso permanecem sendo meus companheiros mais assíduos. Quando eu faço alguma coisa, eu faço querendo agradar Braulio Tavares, Lula Queiroga, eu faço querendo agradar Dudu Galvão, Ivan Santos, os meus parceiros! Esses foram os que formataram o meu filtro. Tenho certeza que se eu agradar eles tem uma grande possibilidade de eu chegar a mais gente.

Você lançou em 2016 o DVD The Bridge, ao lado de Martin Fondse e orquestra: como surgiu a oportunidade desse trabalho e de registrá-lo?
Lenine: Boa! Boa a sua pergunta. Esse DVD que você se refere, o The Bridge, a gravação dele preenche e dá materialidade a uma turnê que fizemos eu e o Martin Fondse e sua orquestra, por três anos; com a qual rodamos o mundo. A orquestra do Martin Fondse é cosmopolita e planetária, tem dinamarquês, norueguês, finlandês, alemão, holandês, turco… e eles se debruçaram em cima do meu repertório. Este foi um momento muito especial, de muito carinho e muito afeto, na medida em que o Martin mergulhou profundamente nesse repertório e fez um trabalho lindo, de uma autoralidade incrível, com esta formação inusitada. Tem um naipe e um ‘range’ de sonoridades muito interessante. E daí a gente resolveu dar materialidade a esses três anos de parceria. Quase finalizando esta turnê fizemos um show em Amsterdã, numa casa muito prestigiosa e prestigiada, que é o GreenHouse, de Jazz e música contemporânea e a gente disse: por que não documentar? E foi isto que aconteceu. O The Bridge é um documento da história que fizemos pelos principais festivais do mundo. No Brasil estivemos duas vezes em pequenas turnês.

Qual banda ou artista você gostaria de ouvir gravando alguma de suas canções?
Lenine: Eu queria o [Led] Zepellin! [risos] Eu queria Zeppelin ou The Police. Eles conjugados seriam o que foi o Beatles para a geração anterior a minha.

E algum artista nacional? Se bem que, como estes são mais próximos, você pode trabalhar junto…
Lenine: É, eu faço isto! Os que eu não fiz ainda, eu vou fazer. Porque eu gosto do encontro, realmente isso me move, sabe? De reverberar a música pela música, sem adjetivo. Eu acho que isso pontua a minha vida. Me sinto muito tranquilo de tanto fazer [algo] com Naná [Vasconcelos], tanto em fazer com a Anitta!

Deixe uma mensagem aos fãs de Curitiba.
Lenine: Alô alô Curitiba, que bacana! Estamos de volta: Carbono! Na verdade é um momento de despedida, a gente está começando a se despedir desse projeto. Então vamos dividir este momento juntos e celebrar Carbono!

SERVIÇO
Lenine em Curitiba – turnê Carbono
Data: 26 de maio (sexta-feira)
Local: Teatro Positivo (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300)
Horários: 20h15 (abertura da casa) – 21h15 (show)
Ingressos: entre R$ 75,00 (meia-entrada) a R$ 210,00 (inteira), de acordo com o setor.
Vendas: http://www.diskingressos.com.br/evento/5573

fotos: Flora Pimentel

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