20 shows ao vivo gravados no Brasil

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O Brasil está na rota dos grandes shows já há décadas. E a maioria dos artistas que pra esse lados dão as caras elogia o público do país. Alguns por demagogia, claro, mas muitos realmente apreciam a recepção calorosa por esses lados. Tanto que muitos deles – e os grupos metaleiros estão no topo da lista em quantidade – acabam gravando trabalhos em áudio (CD) ou em vídeo (DVD) em nosso território.

Fizemos uma lista com 20 (na verdade são 22) desses registros, nos baseando em artistas e bandas internacionais. Fique a vontade para apontar algum disco que ficou de fora ou para comentar sobre os aqui comentados.

por Clovis Roman

The White Stripes – Under Amazonian Lights (2015)
Em 2005 o duo White Stripes se apresentou no Teatro Amazonas, em Manaus. A casa lotou e muita gente ficou de fora. Quem não pode entrar ficou na frente do teatro assistindo nos telões. Mas estes foram visitados por Jack White (vocalista e guitarrista), que saiu do recinto para tocar um pouco na rua. O show, obviamente, se tornou lendário e acabou chegando às lojas uma década adiante, por meio da gravadora de White, Third Man Records, muitos anos depois do fim do grupo.

Scorpions – Amazonia: Live in the Jungle (2009)
Scorpions é um colosso do Hard Rock e ninguém questiona seu valor. Se nos anos 90 eles estreitaram relações com nosso país, fazendo mais turnês aqui e até gravando uma música em português, após a virada do milênio os alemães eternizaram sua relação conosco lançando o DVD Amazonia: Live in the Jungle. O show é espetacular, como todos do grupo, repleto de clássicos. Há até um bloco acústico e a participação de Andreas Kisser na “viola”. Só a capa que é feia que dói…

Men at Work – Brazil (1998)
Os australianos do Men at Work foram uma grande febre por aqui, principalmente nos anos 90. Indo nesse embalo, gravaram em maio de 1996 um disco ao vivo com o lacônico título Brazil. O encarte nem ao menos especifica em qual cidade foi. Em todo caso, o resultado final é bom demais, e sim, tem “Down Under” (numa versão prolongada com solos e interações), “Overkill” e “Who Can It Be Now?” (precedida por uma batida maluca de samba). Há também uma canção inédita na época, “The Longest Night”. Na ocasião os caras chegaram até a ir no programa do Faustão.

Demis Roussos – Live in Brazil (2006)
O já falecido cantor grego Demis Roussos gravou em 2005 sua apresentação em Curitiba para um DVD; no Estação Embratel Convention Center – um lugar bem legal, mas raramente locado por produtores. A noite de 11 de outubro ficou eternizada no DVD Live in Brazil (título preguiçoso usado pela maioria da galera que gravou em nosso país). O show do grego é aquela coisa, agrada quem é fã – o som é bastante datado, mas é musicalmente muito bem feito.

Pato Banton & The Reggae Revolution ‎– Live In Brazil (2000)
Pato Banton ganhou reconhecimento no boom do Reggae que rolou no Brasil em meados dos anos 90. Ficou famoso principalmente com seu jeito despojado de cantar, que fica evidente no megahit “Go Pato”, que também está neste CD. Há até uma música em português (ao menos era pra ser, já que não dá pra entender muita coisa) chamada “Tudo de Bom”. Um bom momento é a ótima “Groovin’”. Para quem se lembra dele, vale falar que ele continua fazendo shows, mas está há quase 10 anos sem lançar um álbum sequer.

Iron Maiden – Rock in Rio (2002)
Aproveitando a estrutura de um dos maiores festivais do mundo e que a plateia contava com 250 mil fãs (ao menos é o que falam), o gigante do Heavy Metal gravou vídeo e áudio no Rock in Rio de 2001, lançando-o um ano mais tarde. O último show da turnê do magnânimo Brave New World mostrou uma banda poderosa, mandando o repertório regular, com a adição de “Run to the Hills” no bis. As músicas “Fallen Angel” e “Out of the Silent Planet” deveriam entrar no trabalho (ao menos no DVD), pois foram tocadas na Argentina para este fim, mas problemas técnicos as deixaram de fora. Anos mais tarde eles lançaram outro ao vivo, Flight 666, com cada uma das 16 músicas gravadas em diferentes cidades ao redor do mundo. São Paulo e Curitiba (com a espetacular “The Clairvoyant”) foram contempladas nessa coletânea.

Nazareth – Live in Brazil (2008)
Por um tempão o Nazareth era figurinha carimbada anualmente no Brasil. Foram dezenas e dezenas de shows, muitos deles em cidades não óbvias (Francisco Beltrão/PR, Campo Mourão/PR, União da Vitória/PR, Criciúma/SC, Concórdia/SC, Tubarão/SC, Ilha Comprida/SP…). O Sul foi a região mais privilegiada nesse sentido. Por exemplo: em novembro de 2012 eles tocaram em Campo Largo, nas proximidades de Curitiba. Apenas quatro meses depois retornaram ao Paraná para tocar na capital. Nesta cidade, inclusive, eles gravaram um CD e DVD ao vivo; porém, anos antes, em 2007, na Hellooch. A casa lotou, a banda mandou um repertório recheado de clássicos e o resultado final ficou excelente. Vale a aquisição.

Halford – Live at Rock in Rio III
Quem tocou antes do Iron Maiden no Rock in Rio de 2001 foi o na época ex-vocalista do Judas Priest Rob Halford, com a banda que leva seu sobrenome. O repertório teve vários clássicos da banda com a qual se consagrou e petardos do álbum Ressurection, que marcou sua volta ao Metal após lançar um disco Eletrônico/Industrial (o bom, mas criticado, Voyeurs). Um dos grandes hits do som pesado, a dançante “Breaking the Law”, teve o público cantando da primeira estrofe até a última palavra. Só restou a Halford segurar o microfone para as 250 mil pessoas que lá estavam. Momento único.

1200 Micrograms – Live in Brazil (2005)
Música eletrônica – Trance – e lisérgica, que deve ser ouvida embalada por alucinógenos. Preconceito meu? Nunca! Mas é que os caras tem músicas com nomes como “Ayahuasca”, “Mescaline”, “LSD” “DMT” (acrônimo para Dimetiltriptamina) e “Ecstasy” e “Salvia Divinorum”. Coincidência? Eu tenho certeza que não.

Concrete Blonde – Live in Brazil 2002 (2003)
O material foi gravado nas quatro cidades que o grupo passou na ocasião: Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre (grafado no encarte como Porte Allegro). São 18 músicas divididas em dois discos. O trabalho em geral é bem quisto pelo público; em sites de avaliação a nota média gira entre 7,5 e 8.

Queen – Live in Rio (2013)
A apresentação do Queen no primeiro Rock in Rio, em 1985, foi um dos shows mais marcantes na história da música. Após sair em incontáveis bootlegs de qualidade duvidosa, o registro foi compilado e lançado de forma oficial pela banda – e está a venda no site queenonlinestore.com. O show foi realizado para – segundo números oficiais – 250 mil espectadores, sem contar as milhões de pessoas que assistiram a transmissão pela TV. O público cantando “Love of my Life” com Freddie Mercury arrepia. Espetacular!

Marillion – From Stoke Row to Ipanema – A Year in The Life (2003)
Um trecho desse vídeo, que saiu primeiro em VHS e depois em DVD, conta com três músicas gravadas no Brasil, durante o Hollywood Rock de 1990. São elas: “Hooks in You”, “Lavender” e a lindíssima “Kayleigh”. O grupo é figurinha carimbada por aqui. Mesmo veteranos, continuam com um show impecável e de raro bom gosto.

Rush – Rush in Rio (2003)
Saiu em 2003 e mostra o maior power trio do universo tocando para um Maracanã lotadíssimo. A música é soberba e você precisa comprar caso ainda não tenha. Ainda mais que o Rush acabou há pouco tempo. É o momento de assistir – seja novamente ou pela primeira vez – um dos melhores vídeos de Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart.

Helloween – “Live On 3 Continents” (2007)
O grupo alemão leva o crédito por ter criado o chamado Metal Melódico em meados dos anos 80. Hoje em dia seu som é bem diferente dos primórdios mas é ainda muito bom. Em 2006 eles gravaram um show em São Paulo, que compõe boa parte do repertório do DVD. Há cenas registradas também na Bulgária e no Japão (daí vem o nome), mas em poucas músicas. Se o DVD tem um título mais criativo, a versão em CD, cujo áudio é apenas da gravação no Brasil, é simplista: Live in São Paulo.

Bruce Dickinson – “Scream For Me Brazil” (1999)
Na época, Bruce Dickinson havia recém anunciado que voltaria ao Iron Maiden, após se aventurar em ritmos latinos, grunge, pop brega e reggae, entre tantos outros estilos, em sua carreira solo na primeira metade dos anos 90. Sua volta ao Metal em 1997 com dois discos solos brilhantes ao lado do também ex-Iron Maiden Adrian Smith, culminou com uma tour pelo Brasil, e esta resultou em Scream For Me Brazil. A apresentação saiu primeiro em CD, e anos depois ganhou uma versão mequetrefe no DVD triplo Anthology. O show é pesado a beça e Bruce canta como poucos; Smith também rouba a cena com seu bom gosto nos arranjos e tato melódico único. Ambos estão no Iron Maiden desde 1999 e seguem fazendo turnês e compondo grandes canções.

Grave Digger – “25 To Live” (2005)
O grupo alemão é respeitado aqui por aqui e já veio ao país uma dezena de vezes. Em 2005, divulgando o álbum The Last Supper, fizeram shows memoráveis em Curitiba e São Paulo. Nesta última gravaram o supracitado CD e DVD, com um repertório gigante (27 músicas!) revisitando toda sua carreira. A parte das imagens é monótona, mas o conjunto da obra convence. Em tempo: a música “The Last Supper”, nova na época, acabou se tornando um dos grandes clássicos do Grave Digger.

Edguy – “Fucking With F***” (2009)
Em 2004 o Edguy tentou gravar no Brasil, mas problemas técnicos engavetaram o projeto. Na turnê seguinte, dois anos mais tarde, tudo deu certo e Fucking With F*** chegou às lojas como desejado. O show é bom, agrada tanto a galera do Metal quanto um casual ouvinte de música que gosta de um pouco de energia. O tal show de 2004, 13 anos mais tarde, foi restaurado e saiu há pouco tempo na coletânea Monuments, na íntegra, em DVD.


Ray Charles – O Genio Live in Brazil
Apesar de não ser um trabalho oficial do artista, este DVD é um registro de imenso valor histórico, mostrando Ray Charles na Tv no longínquo ano de 1963, portanto há mais de meio século. O disquinho é facilmente encontrado em grandes lojas online de departamento.

Chris Weaver Band – Live in Brazil (2017)
A Chris Weaver Band de Nashville, veio ao Brasil por intermédio da dupla Fernando e Sorocaba, que também participa no álbum. Mas não ache que eles fazem música descartável, como a maioria dos nomes que se intitulam – erroneamente – de sertanejo atualmente. A banda americana combina Country, Pop e até um tanto de Rock, e seu som entusiasma; e o tal Chris Weaver canta demais. Confira sem medo.

Gregory Isaacs – Live in Bahia Brazil (2006)
O cantor de Reggae Gregory Isaacs lançou uma quantidade absurda de álbuns de estúdio. E isto torna este trabalho ao vivo um tanto desapontador. Gravado em 2004 e lançado em 2006, o show é um tanto repetitivo, pois as bases de guitarra são muito similares entre si, assim como a cadência da maioria das músicas. Infelizmente, o Cool Ruler nos deixou em 2010.

Kreator – Live Kreation – Revisioned Glory (2003)
Apesar de ter cenas em outros países, boa parte do show principal do DVD Live Kreation foi gravada em São Paulo. A apresentação é ótima mas as imagens são muito ruins. O vídeo vale pelo documentário biográfico nos extras e por ter todos os clipes oficiais reunidos. Sobre o show principal em si, melhor comprar a versão em CD duplo (cujo nome é apenas live Kreation), que conta com cinco músicas a mais.

Monstrosity ‎– Live Extreme Brazilian Tour 2002 (2003)
O Monstrosity é um grupo de Death/Thrash, algumas das vertentes mais extremas do Metal. Os caras gravaram seu curtíssimo show no país no começo do milênio, que rolou numa casa paulistana chamada Fofinho (!!!). O disco contém seis canções autorais dos americanos e duas covers do Slayer. Só é indicado para os fãs mais completistas da banda, pois a gravação não é das melhores – e para um som tão agressivo, qualidade técnica é primordial. Em tempo: o grupo não existe mais. Em tempo parte dois: O show em questão teve nada menos de TREZE bandas de abertura.

Outros grupos de som extremo, como Necroholocaust, Bessat, Desaster, Incantation, Agathocles e Enthroned, também já gravaram materiais em nosso país. Mas são trabalhos indicados apenas para os iniciados.

Ficou de fora, e com razão:

Paul Di’Anno – South American Live (1994)
O nome é sugestivo e tudo o mais, mas segundo o baixista John Gallagher, do lendário Raven, que tocou no disco, não é bem assim. O disco não foi gravado em apresentações no Brasil, Venezuela e Argentina em 1993, como consta no encarte, mas sim, em um estúdio em New York. Considerando a carreira vacilante de Paul, que chegou a ser preso um tempo por enganar o governo britânico, a dúvida é real. Ainda mais que é evidente que houve enxertos de barulhos de platéia. No começo de “Strange World” há assobios infinitos e ruídos de público quase incessantes. Tão verdadeiro quanto nota de 3 reais com a foto da Dilma abraçada com o Bolsonaro.

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