[Cobertura] Sad Theory: Nesta cidade de nubladas noites, um nome nunca obtuso

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Sad Theory, Gestos Grosseiros, Rot Remains
92 Graus
Curitiba/PR
18 de agosto de 2017

por Clovis Roman

A noite de 18 de agosto marcou a apresentação de três bandas no palco do lendário 92 Graus. Os paulistas do Gestos Grosseiros vieram divulgar seu recém lançado World’s Hypocrisy, e contaram com o apoio das locais Rot Remains e Sad Theory.

O Rot Remains, infelizmente, não pude conferir, já que seu repertório foi bastante curto e quando cheguei, já havia terminado. Eles estão com nova formação e devem ainda render bastante com seu Death Metal calcado nos primórdios do estilo. Vindos de uma terra distante, o Gestos Grosseiros, que está fazendo shows adoidado para promover seu novo trabalho (o 3º disco de sua longeva carreira) tocou por último. Sons deste álbum, World’s Hypocrisy, como “The Ambition”, “Intellectual Death” e “Crushing the Cross” estiveram presentes no repertório, assim como ” Slaves of Imagination”, de Satanchandising, o melhor disco dos caras até o momento. A presença deles no palco chama atenção, já que não há um frontman que cuida das vozes. Quem canta – ou urra, no caso – é o baterista Andy Souza, o único na banda desde sua formação, em 1996. O som no início do show estava fraco, o que tirou o impacto do começo da apresentação.

Gestos Grosseiros (foto: Clovis Roman)

A segunda banda a se apresentar foi o Sad Theory. O grupo, surgido no final dos anos 90, começou a moldar sua identidade sonora com o segundo álbum, o pretensioso A Madrigal of Sorrow, que ia fundo liricamente na obra de Charles Baudelaire. A introspecção induzida neste ficou de lado com Biomechanical, que trouxe um tanto mais de Death Metal com melodias, cortesia do recém integrado (ao menos oficialmente) guitarrista Alysson Irala. O quarto registro, Descrítica Patológica (termo oriundo da última música do álbum anterior), foi gravado em 2008 mas ficou engavetado até 2012. O bom retorno deste e de seu subsequente, o espantoso Vérmina Audioclastia Póstuma, impulsionou o grupo a retomar suas atividades.

Além de Irala e do vocalista Claudio “Guga” Rovel, o grupo se completa atualmente com os novatos – e competentes – Daniel Franco (também baixista do Archityrants e mentor do Rotpeter), Jefferson Verdani (exímio baterista de extenso currículo, apesar da idade) e Wenttor Collete (guitarrista oriundo do Fumaça 08, banda que leva em família, ao lado do irmão e do pai). E a versão 2017 do Sad Theory está em perfeita sintonia, mesmo sendo este apenas o 3º show após seu retorno aos palcos. Olhando para o futuro, o grupo curitibano focou totalmente seu repertório no mais recente álbum, o supracitado Vérmina Audioclastia Póstuma. 

Sad Theory (foto: Clovis Roman)

Abrindo com “Karnofsky 100 – 71 (Arrogância Epistemológica)”, a banda esbanjou técnica e feeling. A performance semi estática de Guga é complementada com um gestual característico. Seu vocal é forte, um gutural encorpado que ao mesmo tempo é bastante inteligível. Sua verve cômica serviu para preencher – entre as canções – um tanto o tempo deles em cima do palco, já que o setlist foi curto. Foram apenas 7 músicas em meia hora cravada. Um dos grandes destaques – apesar da homogeneidade – foi “Algofobia” (o medo de si mesmo!). A faixa título não apareceu, mas teria feito um bom contraponto aos sons velozes tocados. O show termina de maneira apoteótica e precoce. O público, um tanto disperso, pede por mais. Mas as cortinas se fecham definitivamente.

O grupo já tem um próximo disco pronto para ser lançado. Trata-se de Entropia Humana Final,  que deve sair ainda este ano. Tivemos acesso exclusivo a algumas das músicas, e podemos adiantar que o material mostra uma banda que ainda carrega consigo suas características sonoras, mas que ao mesmo tempo não teme ousar. Nesta cidade de nubladas noites, o Sad Theory nunca se torna obtuso, nunca se ofusca nas sombras do marasmo.

Confira algumas imagens do evento:

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