[Cobertura] Therion marca seu retorno a Porto Alegre em espetáculo com mais de 2 horas

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Therion, The Devil, Spleenful
Teatro da AMRIGS
Porto Alegre/RS
09 de maio de 2018

Após 17 anos, Therion retornou à capital dos gaúchos para apresentar álbum inspirado em obra de poeta russo

por Day Montenegro e Daiane Costa

A espera foi grande, mas finalmente os fãs gaúchos puderam prestigiar o espetáculo dos pioneiros do metal sinfônico mundial, Therion, que desembarcaram na última quarta-feira (09.05), em Porto Alegre. O show deu início à turnê brasileira do álbum “Beloved Antichrist” – uma ópera de 3 horas de duração inspirada no livro “Breve Conto do Anticristo”, de Vladimir Soloviev. Apesar da presença constante em nosso país, a banda sueca não visitava a capital gaúcha desde 2001, motivo este que levou fãs de todas as partes do estado a comparecerem em peso no Teatro da AMRIGS.

Convocados como primeira banda de abertura, os gaúchos da Spleenful, banda de Dark Metal de Porto Alegre, começaram as apresentações às 19h30 enquanto o público chegava aos poucos e se acomodava nas poltronas do teatro. Mesmo com o volume dos instrumentos muito acima do que se espera para uma boa equalização em teatro, a combinação do belíssimo vocal de Bia Giovanella e gutural de Tiago Alano, acompanhados dos músicos Elias Mendes (Guitarra), Marcelo Campos (Guitarra), Carlos Ricardo (Baixo), Everton Soares Manso (Teclado) e Yuri Burns (Bateria), conquistaram a plateia com músicas repletas de poesia e melodias obscuras.

Spleenful (foto: Day Montenegro)

Com influências de gêneros que vão desde o Gothic e Dark Metal até mesmo o Prog Metal, durante a apresentação o grupo dedicou uma música às pessoas conhecidas da cena do metal gaúcho que faleceram recentemente. Entre elas, a amiga headbanger Débora Reoly (conhecida por suas excursões de Ijuí para grandes shows na América Latina com a RockTour) e ao ex-guitarrista da Rebaelliun, Fabiano Penna, emocionando a plateia. Apesar de terem somente 6 anos de existência, a Spleenful já teve anteriormente a experiência de abrir um show de grande porte, como o dos portugueses da Moonspell em São Leopoldo, no ano de 2015. Recentemente, graças ao sucesso do videoclipe “Winter Solstice Dream”, primeira faixa do álbum “Theory Of Drama”, foram convidados pela Mitnel Produções para abrirem esta apresentação do Therion, o que certamente foi um marco na carreira e história da atual formação. A banda encerrou sua apresentação com esta música, contando com a presença da dançarina Viih Alves, que atuou também no videoclipe.

Após um breve intervalo para organização do palco e regulagem do som, às 20h15 foi a vez dos misteriosos britânicos da The Devil aparecerem disfarçados com suas máscaras teatrais douradas, causando muita curiosidade entre os fãs, que até os comparavam com a banda “GHOST”.

Como de costume, o grupo composto por dois guitarristas, um baixista e um baterista, não se pronunciaram em nenhum momento durante o show. Subiram silenciosamente ao palco, e então tocaram sua música carregada de um belíssimo instrumental sombrio, acompanhada de uma narrativa baseada em gravações de discursos políticos. Nas laterais dois telões transmitiam imagens de fatos históricos e teorias conspiratórias, como a morte do ex-presidente americano John Kennedy, a bomba atômica de Hiroshima, Nova Ordem Mundial, atentado às Torres Gêmeas, entre outros, que junto à música melancólica, proporcionaram uma variedade de sentimentos e reflexões sobre o mundo em que vivemos. O público que permaneceu atento durante toda a apresentação, foi surpreendido pela incrível performance dos mascarados, que ao final da última música se retiraram rapidamente do palco, dispensando quaisquer despedidas e agradecimentos.

The Devil (foto: Day Montenegro)

Pontualmente às 21h10 as luzes se acenderam iluminando os dois crucifixos (um deles invertido) ao fundo do palco, para grande euforia dos fãs. Com o teatro praticamente lotado, os músicos Nalle Påhlsson (baixo), Christian Vidal (guitarra) e Sami Karppinen (bateria) aparecem aos poucos para tocarem a introdução de “Theme of Antichrist”, acompanhados do guitarrista, fundador e alma do Therion, Christofer Johnsson, que é recebido de pé pelo público, sob muitos aplausos e gritos. É uma emoção poder vê-lo tão bem (e mais calmo no palco), já que quase deixou as apresentações ao vivo ano passado devido a sérios problemas em seu pescoço, que o impediam de tocar. Na sequência da primeira música, os vocalistas Thomas Vikström, Chiara Malvestiti e Linnea Vikstrom, entraram em cena um de cada vez, acompanhados pelos incríveis backing vocals de Nalle e Christian, cantando juntos o refrão como uma bela ópera. Foi certamente uma abertura de tirar o fôlego com tamanha maestria de todos os músicos ali presentes.

Thomas com seus óculos escuros e boina de policial, saudou o público e seguiu com as mais agitadas do setlist, com “The Blood of Kingu” e “Din”, que possuem também uma pegada mais heavy metal devido aos seus riffs de guitarra e vocais mais agressivos. O vocalista então convidou todos a se imaginarem dentro de uma grande igreja, engatando com “Bring Her Home” (2018), com os três vocalistas encenando a história da música, onde duas irmãs conversam com um padre, suplicando pelo retorno da mãe. Na sequência, “Night Reborn” (2018) com seus riffs de guitarra, representaram a parte mais pesada e agitada da ópera “Beloved Antichrist”, lançada recentemente. Logo após, a banda retornou ao ano de 2001 apresentando na sequência duas músicas do excelente álbum “Secret Of The Runes”: “Niefelheim”, com um belíssimo jogo de vocais operísticos dos três cantores, e a poderosa “Ginnungagap”, com trechos cantados na língua sueca e em inglês. Destaque nesta última para os belíssimos agudos da soprano Chiara Malvestiti, que encantou a todos.

Therion (foto: Day Montenegro)

Em “Typhon”, do álbum Lemuria (2004), Linnea Vikstrom roubou a cena com sua interpretação enérgica, chegando até a se jogar no chão durante os solos de Christofer, acompanhada pelo poderoso gutural de Nalle Påhlsson. A plateia mostrou seu lado “headbanger” sacudindo muito a cabeça e cantando a plenos pulmões com a banda. Seguindo com o extenso setlist, Linnea anunciou “Temple of New Jerusalem”, dizendo que a música se tratava sobre cristãos que não andam muito contentes, e que então o “Anticristo” iria fazer algo para resolver isto, reconstruindo o templo de Jerusalém. Dando continuidade ao espetáculo, a banda seguiu com “An Arrow from the Sun” (2004) onde os incríveis riffs do argentino Christian Vidal colocaram toda a platéia de pé, e a interpretação enérgica de Linnea convidava a todos para se agitarem com a banda. A seguir, a rápida “Wine of Aluqah” (1998) foi acompanhada por pulos e gritos dos fãs, que se divertiram com a incrível presença de palco e performance dos músicos.

Acalmando um pouco o ambiente, um silêncio tomou conta do teatro, até o momento em que uma intro de violão foi tocada, anunciando a belíssima balada “Lemuria” (2004). A encantadora soprano Chiara se ajoelhou na parte central do palco para interpretar a canção, tornando este momento um dos mais emocionantes da apresentação do grupo. A seguir o peso do baixo sombrio de Nalle Påhlsson anuncia a dançante “Cults of the Shadow” do álbum “Theli” (1996), considerado um divisor de águas na carreira da banda, a retirando do underground e a consagrando no metal sinfônico mundial. Na sequência, “The Khlysti Evangelist” foi apresentada com uma interpretação vampiresca do vocalista Thomas Vikström, que encena até uma mordida no pescoço de Linnea Vikstrom, arrancando gritos da platéia eufórica.

Therion (foto: Day Montenegro)

O vocalista então anunciou “My Voyage Carries On”, dizendo que era mais uma canção da ópera lançada recentemente. Destaque nesta música para a potencialidade do baterista Sami Karppinen, que voltou recentemente para a banda após anos de distância (ele tocou no grupo entre 1998 e 2001). A tão esperada “The Invincible”, que é a única canção interpretada do excelente disco “Deggial” (2000), foi apresentada com a presença dos três vocalistas, onde Thomas se deslocava pelo palco convidando os fãs a cantarem juntos durante o refrão. Na sequência, as incríveis “Der Mitternachtslöwe” e “Son of the Staves of Time”, ambas do álbum “Gothic Kabbalah” (2007), encerram com chave de ouro a primeira parte do show, onde logo após a banda se retirou rapidamente para um breve intervalo. Os fãs animados não queriam saber de recuperar o fôlego, e gritavam pelo retorno dos músicos no palco o mais breve possível.

A seguir a poderosa introdução com instrumentos de corda anuncia a clássica “The Rise of Sodom and Gomorrah”, do álbum “Vovin” (1998), onde os músicos sobem um de cada vez no palco e já começam a agitar o público. Christofer, Nalle e Christian se balançavam em sincronia com seus instrumentos, e os vocalistas convidavam todos a pularem durante a música. Antes de anunciar a última música, Christofer, que até então demonstrava certa timidez, resolveu conversar com o público. Brincou com a rivalidade do Brasil e Argentina no futebol e desafiou o os fãs a serem tão enérgicos quanto o público de Buenos Aires, onde haviam se apresentado no dia anterior. Finalizam então o espetáculo com a arrebatadora e clássica “To Mega Therion” (1996) tão bem harmonizada e executada pelos músicos, mostrando porque é considerada uma das maiores obras do Therion até hoje.

Therion (foto: Day Montenegro)

O grupo compensou a longa espera de 17 anos por um show em Porto Alegre, trazendo um espetáculo de alto nível com mais de 2 horas de duração, onde interpretaram canções de diversas fases da banda, com a perfeita harmonia entre seus vocais e instrumentistas. Fica aqui a dica a todos para apreciarem o álbum “Beloved Antichrist” em sua totalidade. Ele é por excelência uma obra lírica de 46 faixas, as quais são interpretadas por 30 vocalistas, divididos entre tenores, barítonos, baixos e sopranos. É uma verdadeira obra-prima que além de ter sido trabalhada durante anos por Christofer, é uma incrível contribuição para a música atual, mostrando que o Therion sabe manter sua hegemonia e superioridade ao unirem o erudito com heavy metal, aperfeiçoando cada vez mais seu estilo.

REPERTÓRIO
1 – Theme of Antichrist
2 – The Blood of Kingu
3 – Din
4 – Bring Her Home
5 – Night Reborn
6 – Nifelheim
7 – Ginnungagap
8 – Typhon
9 – Temple of New Jerusalem
10 – An Arrow from the Sun
11 – Wine of Aluqah
12 – Lemuria
13 – Cults of the Shadow
14 – The Khlysti Evangelist
15 – My Voyage Carries On
16 – The Invincible
17 – Der Mitternachtslöwe
18 – Son of the Staves of Time

19 – The Rise of Sodom and Gomorrah
20 – To Mega Therion

Confira a galeria de fotos desta noite:

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