[Entrevista] Bounty Hunters: David Hinds relembra passado com o Rabbit, ao lado de Dave Evans (ex-AC/DC)

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Um “bounty hunter” é uma pessoa que captura fugitivos e criminosos em troca de uma compensação financeira. Um termo assim é bastante Rock and Roll, por isto mesmo um grupo australiano assumiu como alcunha Bounty Hunters. O trio conta nas guitarras com David Hinds, que nos anos 70 tocou ao lado de Dave Evans (ex-AC/DC) no Rabbit e depois no Finch/Contraband com Mark Evans, outro que teve sua história ligada ao AC/DC.

Hoje ele leva o Bounty Hunters grupo ao lado de sua esposa Lyn e com o baterista Mick O’Shea. Batemos um longo papo com David, que contou sobre sua história e também sobre o presente.  Conheça mais sobre o grupo no Facebook: www.facebook.com/bountyhuntersband.

por Clovis Roman
tradução e revisão por Arianne Cordeiro

Você se juntou ao Rabbit e gravou o segundo disco da banda, Too Much Rock and Roll. Os singles Wildfire e a faixa título tiveram boa repercussão na época. Mas logo no começo de 1977, começaram a sair membros e a banda acabou definitivamente com a saída de Evans no final de 78. O que houve, já que a banda parecia estar crescendo musicalmente naquele momento?
Sim, é verdade, eu me juntei à banda a tempo de tocar a guitarra principal, fazer alguns vocais e escrever algumas músicas (“Higher Than A Kite”, “Bad Girls” & “I Like To Hear My Music”, todas escritas em parceria com Dave Evans) no álbum Too Much Rock And Roll e nos singles. A banda estava atingindo seu ápice com grandes shows na Austrália e aparições no icônico programa de TV Countdown. Nós tínhamos muitos fãs. Então, em 1976, nós entramos numa maratona de turnê de 3 meses, 4 estados da Austrália com o Ted Mulry Gang. Foi muito exaustivo e os membros fundadores, o guitarrista Mark Tinson e o baterista Phil Screen ficaram doentes. Eles decidiram que não queriam mais fazer turnês tão grandes como aquela, então decidiram sair. Dave, Jim e eu decidimos seguir como um quarteto e fazer audições com bateristas. Barry ‘Berserk’ Litten acabou entrando como baterista e gravamos o single “Let Me” que contava com outra música de Evans/Hinds, “Kiss Me Goodnight”. Fizemos mais alguns shows e mais alguns programas de TV, e tudo estava indo muito bem. Mas o cenário musical havia mudado, e a Disco Music e o Punk estavam começando a se destacar, então era hora de partir para outra. Foi difícil ver o fim do Rabbit, mas fizemos um bom trabalho.

Nem mesmo o lançamento do single de “Let Me” ajudou a salvar a banda. Vocês ficaram satisfeitos com ele?
Estávamos muito satisfeitos com a maneira com que “Let Me” acabou saindo. Achamos que o som era ótimo e que era um direcionamento diferente para a banda.

A versão, cuja original é de Paul Revere & the Raiders, ficou bem bacana, e até mesmo recebeu um videoclipe. O que você lembra das gravações dessas imagens?
Nós gravamos o single no lendário Alberts Studios em Sidney, onde o AC/DC gravava. O produtor foi Peter Dawkins e o engenheiro foi Bruce Brown. Foi a primeira vez em que eu usei a minha nova Gibson Explorer ’76 no estúdio com meu amplificador da Marshall, e fiquei muito contente com o som da guitarra. Bruce usou alguns efeitos na guitarra, movendo um segundo microfone em volta da cabine de som enquanto eu tocava – e estava muito alto lá dentro! O som ficou muito legal. E foi um vídeo muito divertido também!

Logo depois você entrou no Finch, quando a banda estava prestes a lançar Nothing to Hide. Você chegou a gravar alguma coisa para este álbum ou tudo foi feito ainda por Chris Jones?
O Chris Jones gravou toda a guitarra principal no álbum. Foi gravada pouco antes de eu entrar na banda. Eu tocava essas músicas com a banda ao vivo no palco. Eu toquei as guitarras principais e fiz os arranjos de harmonia vocal no último álbum da banda, Contraband. Nós também lançamos o single “Raining Again” daquele álbum. Tivemos que mudar o nome da banda de Finch para Contraband porque havia uma banda holandesa chamada Finch, que já tinha o nome registrado ao redor do mundo.

No ano seguinte, a banda também acabou. Na época, o que veio a sua cabeça? E o que você fez com a chegada dos anos 80?
O que passou pela minha cabeça na época foi uma mistura de desapontamento e exaustão. A Contraband quase chegou aos Estados Unidos para gravar um álbum, mas a viagem foi cancelada por conta da política da gravadora. Havíamos feito alguns shows fantásticos, incluindo uma turnê com o Status Quo, e foi triste ver isso acabar. Mas a cena Punk estava estourando na Austrália na época, e o Hard Rock clássico estava fora de moda, então era hora de parar. Eu estava tocando direto há 5 anos sem parar, então me mudei de Sydney para a cidade marítima de Port Macquarie, no que acabou se tornando uma pausa estendida do cenário musical mainstream… Até que minha esposa Lyn apareceu na minha vida e formamos o Bounty Hunters, voltando para o mundo do Rock com toda força!!

Como você chegou a formação do Bounty Hunters? O Blues teve forte influência em sua formação musical?
O Blues influenciou muito meu estilo de tocar. Ouvir o solo de Eric Clapton na versão ao vivo de “Crossroads”, do álbum Cream, Wheels Of Fire, mudou minha vida! Foi assim que e soube que queria ser um guitarrista de Blues/Rock. Todos os meus guitarristas favoritos têm elementos de Blues em sua música: Eric Clapton, Jimi Hendrix, Jeff Beck, Jimmy Page, Gary Moore, BB King, Albert King, Buddy Guy, Albert Collins, Steve Ray Vaughan, Robben Ford, Larry Carlton, Mike Landau, Eric Johnson… A lista é longa. Então sim, o Blues foi uma grande influência na minha formação musical. O Bounty Hunters foi originalmente formado para gravar algumas músicas que Lyn e eu havíamos escrito, e se desenvolveu a partir dessa ideia.

E como você e sua esposa Lyn chegaram a conclusão de que trabalhariam juntos na banda?
Conheci Lyn quando ela veio gravar algumas demos de suas músicas próprias em meu estúdio. Fiquei imediatamente impressionado com a qualidade e a pureza de sua voz, além de seus dotes para fazer as letras. Além do mais, ela era estonteantemente bonita! Nós viramos amigos e eu adorava colaborar em suas músicas e também produzi-las. Então nossa amizade acabou virando amor e sabíamos que precisávamos ficar juntos para sempre. Nós casamos em 1996, e depois de trabalhar juntos por um tempo, sabíamos que era hora de unir forças e fazer uma poderosa banda de Rock. Havíamos escrito algumas músicas, então fomos ao estúdio e gravamos o primeiro álbum de estúdio do ‘Booty’ Hunters, e não olhamos mais para trás desde então.

Fale sobre o background musical de Lyn, o histórico dela antes de começar com o The Bounty Hunters.
Lyn cantava em bandas de Rock durante seus anos na universidade, e então virou professora. Enquanto lecionava, ela também cantava e tocava baixo numa banda de música irlandesa/celta chamada Drops O’ Brandy. Eles tinham residentes no prestigiado Sydney Hilton Hotel. Suas influências são variadas como cantora e compositora, passando por Folk, Celta, Rock e Blues. Alguns de seus cantores favoritos são Paul Rodgers, Bonnie Raitt e Linda Ronstadt, e seu estilo de vocal já foi comparado ao de Annie Lennox [do Eurythmics] e de Grace Slick [do Jefferson Airplane]. Suas influências no baixo são o estilo contínuo de condução de Jack Bruce do Cream, Roger Glover do Deep Purple e Mark Evans do AC/DC. Ela também tem um quê de Suzi Quatro, sendo uma garota pequena do Rock, que canta e toca num baixo grande!

São três trabalhos de estúdio de canções próprias: Bounty Hunters (2006), Rise (2014) and Rollercoaster (2016). Fale sobre a estreia com o disco auto intitulado, que traz boas canções e algumas bem pesadas, como “Hot On Ya Heels” e “Show Me”, e a empolgante, com algo de tango, “Silencio”. Como foi gravá-lo e como repercutiu na época?
Bem, como eu disse, a Lyn e eu decidimos dar um passo à frente do trabalho em dupla e fundar uma banda de Rock completa. Tínhamos algumas músicas que já havíamos composto, então recrutamos alguns músicos contratados: Chris Haigh no baixo (Lyn não estava tocando baixo na banda nessa época) e Steve Sowerby na bateria. Nós entramos em estúdio em Newcastle com meu antigo colega do Rabbit, Mark Tinson, sendo engenheiro e co-produtor, e gravamos as doze músicas para o primeiro álbum do Bounty Hunters. Você menciona a faixa “Silencio”: o que soa como um solo trompete mariachi naquela faixa na verdade sou eu no sintetizador de guitarra. Isso enganou até o Mark quando ele ouviu pela primeira vez e perguntou: ‘Onde vocês conseguiram alguém para tocar trompete?’ Nós levamos o álbum finalizado para Sebastian Chase, da MGM, a maior distribuidora de música independente da Austrália. Ele adorou e nos ofereceu uma proposta, e tem vendido sem parar desde então. Nós ganhamos dois Prêmios de Vídeos Musicais Independentes da Austrália, com o vídeo de “Hot On Ya Heels” – Melhor Vídeo de Blues da Austrália e Melhor Vídeo de Blues Internacional. Esta canção  também foi um dos finalistas no Top 10 do Prêmio da Associação Australiana de Compositores.

Rise saiu apenas oito anos mais tarde. Quais as principais diferenças que você enxerga entre ele e seu antecessor? E porque levou tanto tempo?
Bem, depois do lançamento do primeiro álbum do Bounty Hunters, nós fizemos muitos shows pela Austrália, e a banda passou por várias modificações em sua formação, com bateristas e baixistas indo e vindo por diversas razões. Apenas com a chegada de Rob Lyons na bateria e a mudança de Lyn para o baixo permanentemente, foi que ficamos prontos para entrar em estúdio e gravar o que se tornou o álbum Rise. Até que Lyn assumisse os vocais principais e também tocasse um pouco de guitarra e de teclado no palco, mas então voltou a tocar baixo durante todo o tempo, tudo se ajeitou. Eu acredito que a maior diferença entre o primeiro álbum e Rise é que este é um álbum mais de banda. No primeiro álbum usamos músicos contratados para as sessões rítmicas. Rise foi gravado pela banda que tocava as músicas ao vivo. Como sempre, Lyn e eu escrevemos todas as músicas. Nós amamos o primeiro álbum, e tem uma diversidade de material nele, mas acredito que Rise é um pouco mais coeso e funciona muito bem em conjunto como um álbum.

Rollercoaster, o mais recente, ele saiu em 2016. Ele me parece mais cadenciado, e com melodias ainda mais marcantes. O que você acha sobre isto?
Acho que você está certo. Rollercoaster foi um progresso natural de Rise. Era a mesma banda – Lyn, Rob e eu, estávamos fazendo muitos shows entre as gravações dos dois álbuns, e acredito que isso mostra o quão justa foi a gravação e a solidificação de um som distinto do Bounty Hunters. Há várias faixas fortes lá, e foi a primeira vez em que gravamos um cover – nosso remake do hit de Small Faces dos anos 60, “Itchycoo Park”. Os vídeos animados de “Rollercoaster” e de “Itchycoo Park” produzidos pelo honorável Johnny Gibson são muito divertidos! Você pode vê-los no YouTube.

E há planos para lançar um próximo disco de inéditas em estúdio?
Ah, definitivamente! Nosso antigo baterista Rob Lyons infelizmente sofreu um ataque do coração quase fatal no final de 2016. Ele está bem agora, mas precisou de 18 meses afastado. Nós usamos bateristas substitutos durante vários meses até que o incrível Mick O’Shea assumiu a bateria permanentemente. Ele é um baterista incrivelmente poderoso e já tocou com várias bandas de rock muito boas, incluindo Billy Thorpe, Rose Tattoo, Judge Mercy e Richie Sambora & Orianthi. Ele era o baterista ideal para o Bounty Hunters e agora temos o que acreditamos que seja o nosso lineup definitivo. Lyn e eu estivemos compondo e fazendo algumas demos para o próximo álbum, estivemos treinando na estrada ao vivo nos shows e elas soam muito bem! Nós também acabamos de fazer algo que nunca fizemos antes, compor em conjunto, com o ganhador de muitos prêmios de Los Angeles – o escritor das estrelas, Alan Roy Scott. Alan escreveu para algumas das maiores estrelas do mundo, e na sua viagem mais recente para a Austrália ele passou um dia em nosso estúdio, com Lyn e comigo, e nós acabamos com uma faixa matadora que estará no próximo álbum! Em breve, entraremos em estúdio para gravar nosso quarto álbum, e esperamos lançá-lo até o final de 2018.

Já pensaram em registrar um álbum ao vivo, ou até mesmo um DVD?
Definitivamente! Há muitos vídeos de fãs por aí, mas seria ótimo ter um show bem produzido e filmado de um show nosso, com certeza. Se a oportunidade aparecer, vamos agarrá-la!

Vocês têm lançado alguns singles de remixes para o mercado americano. Como surgiu esta ideia de se aproximar do mercado USA?
Tudo isso surgiu porque colocamos “Hot On Ya Heels” num concurso internacional de músicas chamado Your Music Out Loud In The USA (Sua música bem alta nos EUA), e ela ficou em terceiro lugar. O concurso foi organizado pela Kj-International Music Group, e um dos diretores dessa empresa é o produtor e vencedor de prêmios Sam Michaels. Sam teve muitos hits nas paradas da Billboard, e ele é especialista em fazer remixes para a cena dance. Os parceiros de Sam na Kj-International são sua esposa, cantor e compositora Liz Scott e seu DJ e irmão Dan Mathews. Eles todos amaram nosso som e fizeram a oferta para fazer o remix de “Hot On Ya Heels”. Foi algo que nunca havíamos considerado antes, e pensamos: por que não? Estamos felizes que decidimos fazer, porque alcançou o primeiro lugar nas paradas Kings Of Spins chart e o oitavo lugar nas paradas BDS/Nielsen! Desde então, Sam fez alguns remixes de “Can’t Get Through To You” (#1 Kings Of Spins, #3 BDS/Nielsen) e de “Rollercoaster” (#1 Kings Of Spins e, na época dessa entrevista, #11 no BDS/Nielsen e subindo). Liz, Sam e Dan se tornaram nosso time dos sonhos nos EUA! Sam está trabalhando num álbum de remixes das nossas músicas no momento. Esse é um projeto paralelo ao novo álbum do Bounty Hunters em que estamos trabalhando atualmente, então temos muita coisa acontecendo!

Seu amigo Dave Evans está voltando ao Brasil no segundo semestre. Será a segunda vez dele por aqui. Você já, alguma vez, chegou a negociar uma vinda ao Brasil?
Sim, é ótimo que Dave esteja fazendo turnê no Brasil novamente! Nós viramos grandes amigos de seu baixista no Brazilian Badasses, Fabiano Menon II. Adoraríamos levar o Bounty Hunters ao Brasil! Sempre desejamos visitar seu belo país, e estamos realmente conversando com Fabiano no momento sobre a possibilidade de uma turnê brasileira do Bounty Hunters em 2019! É tudo muito empolgante!

Você acha que uma reunião com os membros remanescentes do Rabbit, mesmo que para alguns poucos shows, seria possível algum dia?
Bem, como dizem por aí, nunca diga nunca! Houve algumas reuniões fora dos palcos do Rabbit nos anos 90. O problema é juntar todos ao mesmo tempo, especialmente com Dave vivendo no Texas e fazendo turnê pelo mundo. E é claro que eu ando bem ocupado com o Bounty Hunters, e Mark Tinson está ocupado com seus CDs de estúdio e instrumentais, além de ter acabado de lançar sua autobiografia. Mark na verdade falou sobre a possibilidade de juntar a banda para um único show em Newcastle tocando o álbum Too Much Rock And Roll na íntegra, mas teremos que esperar e ver se isso se torna realidade.

Vocês tocam também covers em suas apresentações ao vivo. Explique para os fãs do Brasil que tipo de canções vocês costumam apresentar em seus shows.
Bem, em shows de festivais geralmente tocamos mais músicas originais de nossos álbuns, mas em pubs menores e shows em clubes, o público australiano também quer ouvir covers de músicas já conhecidas de outros artistas. Então, quando tocamos um cover nós damos a ele o tratamento Bounty Hunters e fazemos dele nosso próprio som. Nós tocamos muitos clássicos do hard rock de bandas como AC/DC, Rose Tattoo, The Angels, Divinyls, Choirboys e Noiseworks… E é claro que tocamos “Too Much Rock And Roll”!! Nós também fazemos cover de rock clássico e de blues de bandas como Cream, Deep Purple, Rolling Stones, Pretenders, Joan Jett, Suzi Quatro, Pat Benatar, etc. E fazemos versões mais pesadas de “You’re No Good” da Linda Ronstadt e “Barracuda” do Heart. São todas músicas divertidas de tocar, mas preferimos tocar nossas originais! É um show de Hard Rock!! E tocamos bem alto!!

Agora, indo ao lado contrário: Qual banda ou artista você acha que gravaria uma cover legal de alguma das canções autorais do Bounty Hunters?
Essa é uma ótima pergunta! E na verdade já está acontecendo! Nosso bom amigo Hiroshi Masuda da KTS Titanium Guitar Components está tocando “BH Boogie” com sua banda em Tóquio, no Japão, e o público japonês tem adorado! E o Fabiano nos contou que tem tocado “Hot On Ya Heels” com sua banda General Lee, e que o público brasileiro está indo à loucura com ela! Então, mal podemos esperar para tocar para o público brasileiro pessoalmente! É claro que se um dos grandes artistas internacionais fizesse cover de uma de nossas músicas e ela virasse sucesso, seria muito legal, especialmente para o nosso lado bancário! Acredito que seria muito interessante ouvir uma banda lendária de rock como o Aerosmith tocar uma música do Bounty Hunters! Mas somos muito protetores com relação a nossa música – são como nossos bebês! [risos]


ENGLISH

You’ve joined Rabbit and recorded the band’s second album, Too Much Rock and Roll. The singles Wildfire and the title track had a good repercussion at the time. But in early 1977, the members started to leave and the band ended definitely with the departure of Evans in the end of 78. What happened, since the band seemed to be musically growing at that time?
Yes that’s true, I joined the band in time to play lead guitar, do some vocals and write some songs (Higher Than A Kite, Bad Girls & I Like To Hear My Music, all co-written with Dave Evans) on the Too Much Rock And Roll album and the singles. The band was hitting its peak with big concerts all over Australia and appearances on the iconic music TV show Countdown. We had lots of fans. Then in 1976 we went on a marathon 3 month, 4 state tour of Australia with Ted Mulry Gang. It was pretty exhausting and founding members, guitarist Mark Tinson and drummer Phil Screen became ill and decided that they didn’t want to do big tours like that any more, so they left the band. Dave, Jim and I decided to keep going as a 4 piece and auditioned drummers. Barry ‘Berserk’ Litten ended up joining on drums and we recorded the single ‘Let Me’ which was backed with another Evans/Hinds song, ‘Kiss Me Goodnight’. We did more gigs and TV appearances and the band was going well. But the musical landscape had changed, and disco and punk were starting to come in, so it was time to call it a day and move on to other things. It was sad to see the end of Rabbit, but we had a good run.

Not even the release of the single “Let Me” helped saving the band. Did you guys get satisfied with it?
We were very satisfied with how ‘Let Me’ came out. We thought the sound was great and it was a different direction for the band.

The version, originally recorded by Paul Revere & the Raiders, ended up being really cool, and even got its own video. What do you remember from these recordings?
We recorded the single at the legendary Alberts Studios in Sydney, where AC/DC recorded. The producer was Peter Dawkins and the engineer was Bruce Brown. It was the first time I had used my new ’76 Gibson Explorer in the studio through my Marshall amp, and I was really happy with the guitar sound. Bruce used some flanging effects on the guitar by moving a second mic around in front of the speaker cab while I played – and it was loud in there! It was a cool sound. And it was a fun video too!

Shortly after you’ve entered Finch, right when the band was about to release “Nothing to Hide”. Did you record anything in this album? Or was everything done by Chris Jones?
Chris Jones recorded all of the lead guitar parts on that album. It was recorded just before I joined the band. I played the songs off it live on stage with the band. I played all of the lead guitar and did the harmony vocal arrangements on the band’s last album, Contraband. We also released the single ‘Raining Again’ off that album. We had to change the name of the band from Finch to Contraband because there was a Dutch band called Finch who had the name registered worldwide.

In the next year, the band also faced its end. What came to your had at that time? And what did you do with the arrival of the 80’s?
What was in my head at that time was a mixture of disappointment and exhaustion. Contraband very nearly made it to the States to record an album but the trip was cancelled due to record company politics. We had done some great shows, including a tour with Status Quo, and it was sad to see it come to an end. But the punk thing was hitting big time in Australia by then, and classic hard rock was out of fashion, so it was time to call it a day. I had been playing for 5 years straight without a break, so I relocated from Sydney to the seaside holiday town of Port Macquarie for what ended up being an extended break from the mainstream music scene…….until my wife Lyn came into my life and we formed Bounty Hunters and we got back into rock music with full force!!

How did you get to the Bounty Hunters’ formation? Did the Blues had a big influence in your musical formation?
Blues music has always been very influential on my playing. Hearing Eric Clapton’s solo on the live version of ‘Crossroads’ from Cream’s ‘Wheels Of Fire’ album changed my life! That’s when I knew that I wanted to be a blues/rock guitar player. My favourite guitar players all have elements of the Blues in their playing – Eric Clapton, Jimi Hendrix, Jeff Beck, Jimmy Page, Gary Moore, BB King, Albert King, Buddy Guy, Albert Collins, SRV, Robben Ford, Larry Carlton, Mike Landau, Eric Johnson….the list goes on. So yes, the Blues was a huge influence on my musical formation. Bounty Hunters was originally formed to record an album of songs that Lyn and I had written, and it developed from there.

And how did you and your wife Lyn came to the conclusion that you would work together in the band?
I met Lyn when she came to record some demos of her original songs in my studio. I was immediately impressed with the quality and purity of her voice and her songwriting skills. Plus she was drop dead gorgeous! We became close friends and I enjoyed collaborating with her on her songs and producing them for her. Then our friendship grew into love and we knew we had to be together forever. We were married in 1996. After working together as a duo for a few years we knew it was time to get serious and put together a kickass rock band. We had written a bunch of songs and we went into the studio and recorded the first Bounty Hunters album, and we haven’t looked back since.

Tell us about Lyn’s musical background, her history before starting in The Bounty Hunters.
Lyn sang in rock bands during her university years, and then became a teacher. While she was teaching she also sang and played bass in an Irish/Celtic band called Drops O’ Brandy. They had a residency at the prestigious Sydney Hilton Hotel. Her influences are varied, from folk, Celtic, singer/songwriter, rock and blues. Some of her favourite singers are Paul Rodgers, Bonnie Raitt and Linda Ronstadt, and her vocal style has been compared to Annie Lennox and Grace Slick. Her bass influences are in the solid driving style of Jack Bruce from Cream, Roger Glover from Deep Purple and Mark Evans from AC/DC. She’s also got a bit of the Suzi Quatro thing going on, being a rock chick bass player/singer and being tiny and slinging a huge bass!

There are three studio works of the band’s own songs: Bounty Hunters (2006), Rise (2014) and Rollercoaster (2016). Tell us about the debut with the self-entitled album, that brings some good songs and also some heavy ones, such as “Hot On Ya Heels” and “Show Me”, and the exciting, “tango-wish”, “Silencio”. How was the experience to record this album and what was the public’s reaction?
Well, as I said, Lyn and I had decided to step up from doing duo work and put together a full blown rock band. We had a bunch of songs that we had written, so we recruited session musicians Chris Haigh on bass (Lyn wasn’t playing bass in the band at this stage) and Steve Sowerby on drums. We went into a studio in Newcastle with my old Rabbit bandmate Mark Tinson engineering and co-producing and we recorded the 12 songs for the first Bounty Hunters album. You mention the track ‘Silencio’. What sounds like a mariachi trumpet solo on that track is actually me on guitar synth. It even fooled Mark when he first heard it and asked ‘Where did you get the trumpet player?’ We took the finished album to Sebastian Chase from MGM Distribution, the largest distributor of independent music in Australia, and he loved it and gave us a distribution deal, and it has been selling steadily ever since. We won 2 awards in the Australian Independent Music Video Awards for the music video of ‘Hot On Ya Heels’ – Best Blues Video Australia and Best Blues Video International. ‘Hot On Ya Heels’ was also a Top 10 finalist in the Australian Songwriters Association Awards.

Rise came out after long eight years. What are the differences that you see between it and it’s predecessor? And why did it take so long?
Well, after the release of the first Bounty Hunters album, we played lots of gigs around Australia, and the band went through several line up changes, with drummers and bass players coming and going for various reasons. It wasn’t until the arrival of Rob Lyons on drums and Lyn moving to bass permanently that we were ready to go into the studio and record what became the Rise album. Until then Lyn had been out front on lead vocals and also played some guitar and keyboards on stage, but when she got back into bass playing full time, everything came together. I guess the main difference between the first album and Rise is that it is more of a band album. The first album we used session players for the rhythm section. Rise was recorded by the band who played the songs live. As usual, Lyn and I wrote all the songs. We love the first album, and it has a diversity of material on it, but I think that Rise is a bit more cohesive and hangs together well as an album.

Rollercoaster, the most recent one, came out in 2016. To me, this one seems a bit more cadenced, with even more striking melodies. What do you think about it?
I think you are right. Rollercoaster was a natural progression from Rise. It was the same band – Lyn, Rob and me, and we had been playing lots of gigs between the recording of the 2 albums, and I think it shows in the tightness of the playing and the solidifying of a distinct Bounty Hunters sound. There are lots of strong tracks on there, and it was the first time that we had recorded a cover version – our remake of the Small Faces hit from the ’60’s, ‘Itchycoo Park’. The animated music videos of ‘Rollercoaster’ and ‘Itchycoo Park’ produced by the Honourable Johnny Gibson are a lot of fun! You can see them on YouTube.

And are there plans to release a new studio album?
Oh definitely! Our previous drummer Rob Lyons unfortunately suffered a near fatal heart attack late in 2016. He’s OK now, but he had to take 18 months off playing. We used replacement drummers for several months until the amazing Mick O’Shea came on board permanently on drums. He is an incredibly powerful drummer and has played with many top rock bands including Billy Thorpe, Rose Tattoo, Judge Mercy and Richie Sambora & Orianthi. He was the perfect fit for Bounty Hunters and we now have what we believe is the ultimate lineup. Lyn and I have been writing and demoing songs for the next album and we have been road testing them live at gigs and they are sounding great! We have also just done something that we have never done before, and that is a co-write with multi award winning LA based songwriter to the stars, Alan Roy Scott. Alan has written for some of the biggest music stars in the world, and on his recent trip to Australia he spent a day in our studio writing with Lyn and me, and we came up with a killer track which will be on the next album! We will be going into the studio soon to record our 4th full length album, and hope to have it out by end of 2018.

Have you ever thought about recording a live album, or even a DVD?
Definitely! There are lots of fan videos of our shows out there, but it would be awesome to have a really well produced and filmed record of our live show for sure. If the opportunity arises we’ll go for it!

You have released some remixes singles in North America. How did you end up with this idea of being more intimate to the US’ market?
That all came about because we entered ‘Hot On Ya Heels’ in an international song contest called Your Music Out Loud In The USA, and came in at 3rd place. The contest was organised by Kj-International Music Group, and one of the principals of that company is award winning producer, Sam Michaels. Sam has had many hits in the Billboard charts, and he specialises in doing remixes for the dance scene. Sam’s partners in Kj-International are his singer/songwriter wife Liz Scott and his DJ brother Dan Mathews. The all loved our sound and made the offer to do the remix of ‘Hot On Ya Heels’. It was something that we had never considered before, and we thought, ‘Why not?’ We’re glad we did, because it reached #1 on the Kings Of Spins chart and #8 on the BDS/Nielsen chart! Since then Sam has done remixes of Can’t Get Through To You (#1 Kings Of Spins, #3 BDS/Nielsen) and Rollercoaster (#1 Kings Of Spins and at the time of this interview, #11 on BDS/Nielsen and rising). Liz, Sam and Dan have become our US Dream Team! Sam is working on an album of remixes of our tracks at the moment. This is a seperate project to the new Bounty Hunters album that we are currently working on, so we have lots going on!

Your friend Dave Evans is coming back to Brazil in the second semester of 2018. This will be his second time around here. Have you ever even negotiated any possible visit to this country?
Yes, that’s great that Dave is touring Brazil again! We have become good friends with his bass player in the Brazilian Badasses, Fabiano Menon II. We would love to bring Bounty Hunters to Brazil! We have always wanted to visit your beautiful country, and we are actually in discussions with Fabiano at the moment about the possibility of a Bounty Hunters Brazilian Tour in 2019! It is all very exciting!

Do you think that a reunion with the remaining members of Rabbit, even if it means a short set of concerts, would be possible someday?
Well, as they say, never say never! There were a couple of one off reunion gigs of Rabbit in the ’90’s. The problem is getting everyone together at the same time, especially with Dave living in Texas and touring the world. And of course I am very busy with Bounty Hunters and Mark Tinson is busy with his studio and instrumental CDs and has just released his autobiography. Mark has actually talked about the possibility of getting the band together for a one off concert in Newcastle and performing the Too Much Rock And Roll album in its entirety, but we’ll just have to wait and see if that comes off.

You have also recorded some covers in your live presentations. Explain to your brazilian fans the type of songs that you guys mainly play on the stage.
Well at festival gigs we usually play mainly original songs off our albums, but at smaller pub and club gigs, Australian audiences also like to hear covers of songs that they know by other artists. So when we play a cover we give it the Bounty Hunters treatment and make it our own sound. We play a lot of classic Aussie hard rock songs by bands such as AC/DC, Rose Tattoo, The Angels, Divinyls, Choirboys and Noiseworks…and of course we play ‘Too Much Rock And Roll’!! We also cover classic rock and blues songs by bands such as Cream, Deep Purple, Rolling Stones, Pretenders, Joan Jett, Suzi Quatro, Pat Benatar etc. And we do heavy versions of Linda Ronstadt’s ‘You’re No Good’ and Heart’s ‘Barracuda’. They are all fun songs to play, but we love playing our originals the best! It’s a hard rocking show!! And we play loud!!

Now, going to the opposite side: Which band or artist do you think would record a good cover of a Bounty Hunters’ song?
That is a very good question! And it’s actually already happening! Our good friend Hiroshi Masuda from KTS Titanium Guitar Components is playing ‘BH Boogie’ with his band in Tokyo, Japan and the Japanese crowds love it! And Fabiano tells us that he is playing ‘Hot On Ya Heels’ with his band General Lee, and that the Brazilian crowds are going wild over it! So we can’t wait to play it to the Brazilian audiences ourselves! Of course if a huge international act covered one of our songs and had a hit with it, that would be cool, especially for our bank balance! I think it would be really interesting to hear a legendary band like Aerosmith play a Bounty Hunters song! But we are pretty protective of our songs – they are like our babies! Lol!

foto de capa: Anestis Mantzouranis
foto matéria: Vicky Walker

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