[Cobertura] Gosotsa desestrutura momentaneamente a percepção temporal na Avenida Paulista

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Gosotsa
Avenida Paulista
São Paulo/SP
02 de setembro de 2018

por Clovis Roman

Os elementos da vida são dissonantes. A irregularidade é constante. Portanto, a busca por algo simétrico nem sempre é o melhor caminho a ser seguido. Trabalhar pontos aos quais normalmente se foge é uma maneira de fazer algo único. O Gosotsa busca beleza no torto, qualidades no feio. Sonoramente falando, é algo de difícil assimilação. Mas quando acontece, é quase como uma epifania.

O grupo apresentou seu trabalho na Avenida Paulista, em um domingo bastante ensolarado. No local, no final de semana, a via é fechada para carros e uma explosão de manifestações culturais tomam o espaço. Há desde venda de produtos antigos, bebidas e comidas até bandas tocando. Ao andar 50 metros, você se depara com jovens entoando canções cafonas de louvor (aquelas de igreja), um grupo de pessoas da cultura hip hop com suas danças e duelos de rimas e um trio de Rock com letras fortes. Em meio a isso, o povo anda pra lá e pra cá, boa parte desses com uma cerveja na mão. Todas as tribos, raças e estilos unidos. Utopicamente bacana.

O Gosotsa começou seu repertório com sol a pino, por volta das 15h, com um repertório que englobou 10 das 12 músicas que já lançaram oficialmente em discos. Praticamente todo o mais recente trabalho O Sol Ta Maior III foi tocado, e boa parte do EP O Sol Ta Maior II (de 2016) também. Formidável ver a união do som caótico com as letras incomuns do grupo sendo entoadas a céu aberto. Versos como “Felizes são os cachorros que podem chupar seu próprio pau” – da fantástica “Bjoo Polícia” – podem ter passado despercebido dos transeuntes mais desligados, mas certamente deixaram seu impacto.

A epítome da postura, do som e do significado do Gosotsa está em “Peito Aberto, Absorto”, um som cadenciado, denso, desafinado, horrendo e belo. O grupo converge em si expressões artísticas das mais diversas, e nessa apresentação em específico, o som alicerçado pela estética e lirismo foi o maior enfoque.

Acesso Music e Gosotsa
Em novembro de 2017 nós fizemos uma entrevista com o Gosotsa – que ainda não havia lançado o disco O Sol tá Maior III – que você confere aqui. O extenso papo serve de apêndice à essa resenha; assim como a foto de nossa equipe (Clovis Roman e Kenia Cordeiro) com Drannath (baixo e vocal), Malu Gubolin (guitarra) e Élitra (bateria). Histórico.

REPERTÓRIO
Que Babe
Bjoo Polícia
Mas
Ronco Canibal
Caminhão de Salto Alto
Entulho
Meio Vazio
O Sol Tá Maior
Tocar de Luas
Peito Aberto, Absorto

Galeria de fotos

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