[Cobertura] Marcelo Nova: um oásis em meio ao deserto criativo do Rock nacional

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Marcelo Nova
Claymore Highway Bar
Curitiba/PR
16 de setembro de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Marcelo Nova é a personificação do Rock nacional. Desde os anos 80 por aí, no começo de sua carreira discográfica com o lendário Camisa de Vênus, o cara gravou o que lhe deu na telha, cantou o que quis e falou o que queria. E falou muito, afinal, Marceleza é uma matraca. Não a toa no programa que conduziu nos anos 90 na rádio Transamérica, o Lets Rock, boa parte da duração era de Nova falando seus pensamentos e conversando com seu alter ego.

Marcelo Nova no Claymore (Foto: Clovis Roman)

Enfim, o tempo passou e com isso a idade aumentou, logicamente. Marcelo está um tanto menos comunicativo, mas ainda domina como ninguém cada centímetro do palco e cada pessoa na platéia de seu show. E sua língua afiada continua áspera. Não espere bons mocismos de Marceleza. O cara é explosivo e não se furta de fazer pilhérias ou até mesmo tirar um sarro da galera. E canta letras que podem ser consideradas de mau gosto – “Sílvia”, por exemplo. Mas ninguém liga. Todo esse cenário foi entremeado por clássicos inquestionáveis do Rock nacional.

Ou seja, teve “Bete morreu” e sua letra caricata e forte, que a galera gritou alto; teve “Gotham City” e “A Ferro e Fogo”, além de “Simca Chambord”, “Eu não matei Joana d’Arc” e “Só o Fim”, clássicos do Camisa. Essa última, inclusive, ganhou uma roupagem mais pesada e rápida, fórmula que funcionou bem ao vivo. O show manteve um ritmo incessante, com velocidade e a fúria característica do Rock. E ainda teve “Bomba Relógio Ambulante”, faixa que viu o mundo na coletânea Um Tijolo na Vidraça, lançada em 2001.

Drake Nova no Claymore (Foto: Clovis Roman)

A parceria de Nova com Raul Seixas também não ficou de fora, com “Pastor João e a Igreja Invisível”, “Quando eu Morri” e “Rock ‘n’ Roll”, vindas do álbum que gravaram juntos, Panela do Diabo (1989). Houve ainda espaço para uma homenagem a Raulzito, onde ele interpretou o clássico “Metamorfose Ambulante”, a sua maneira. O som, cadenciado e suave, ganhou velocidade e aspereza na versão de Nova. A galera curtiu.

Um show de Marcelo Nova é uma viagem na história da música brasileira. O repertório poderia ter tido o dobro do tamanho que ainda faltariam músicas importantes. Exemplos que ficaram de fora? “Carpinteiro do Universo”, “Muita Estrela Pouca Constelação”, “O Ponteiro tá Subindo”, “O Adventista”, “Eu Vi o Futuro”, “A Garota Da Motocicleta”, e por aí vai. Quem afirma gostar de Rock and Roll tem a obrigação de ver um show de Marcelo Nova. O resto é o resto.

REPERTÓRIO
Ninguém vai sair vivo daqui
Bete morreu [Camisa de Vênus]
Rock n’ Roll
Coração satânico
Eu lhe vejo em sonhos
Gotham City [Camisa de Vênus]
Bomba relógio ambulante
A ferro e fogo [Camisa de Vênus]
Metamorfose ambulante
Quando eu morri
Só o fim [Camisa de Vênus]
Passatempo [Camisa de Vênus]
Cocaína
Simca Chambord [Camisa de Vênus]
Hoje [Camisa de Vênus]
Pastor João e a Igreja Invisível
Eu não matei Joana d’Arc [Camisa de Vênus]
Silvia [Camisa de Vênus]
My Way
Deus me dê grana [Camisa de Vênus]

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