[Cobertura] Humberto Gessinger e Paralamas do Sucesso abrem Prime Rock Brasil com clássicos

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Prime Rock Brasil
Humberto Gessinger + Os Paralamas do Sucesso
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
08 de dezembro de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Essa é a primeira parte da cobertura do festival Prime Rock Brasil. A segunda parte retratará os shows de Frejat e Nando Reis, e a terceira, Jota Quest e Capital Inicial.

O Prime Rock Brasil já surgiu gigante. Sua primeira edição, realizada em Curitiba, reuniu um cast irrepreensível, quase inacreditável de tão bom. Conseguiram cobrir o rótulo Rock nacional, pegando artistas diferentes entre si, porém complementares. Isso deu ao extenso festival uma homogeneidade sonora bem bacana. É um formato que deveria se expandir para outros territórios. E há planos para isso.

Como eram sete artistas e bandas, os trabalhos começaram bem cedo. Mandando primordialmente covers de grandes sucessos, O Rodo tratou de aquecer o público ainda pequeno que estava na Pedreira Paulo Leminski às 14h e tantos.

Humberto Gessinger
O primeiro peso-pesado da programação subiu ao palco às 15h30: Humberto Gessinger. Com um repertório totalmente focado nos grandes sucessos do Engenheiros do Hawaii, o cantor e baixista e tecladista fez uma performance inspirada, mesmo com o sol escaldante daquele horário. O público cresceu bastante durante seu set, que durou cerca de 75 minutos. Nesse intervalo, ele conseguiu encaixar duas dezenas de canções, graças a alguns medlyes. A abertura foi planejada para desde os primeiros acordes prender a atenção do público: “Infinita Highway” já intimou a galera a cantar a plenos pulmões seu embalado refrão – e ainda rolou uma paradinha no meio, no ritmo marcado da percussão, para a galera bater palmas. A enérgica “Bora”, de seu álbum solo “Insular”, veio na sequência, e em meio a tantos sucessos inquestionáveis, soou tão grande quanto.

Humberto Gessinger (foto: Clovis Roman)

Humberto, visivelmente empolgado, em muitos momentos inseriu o nome da cidade de Curitiba nas letras, sempre tendo como reação instantânea os brados da galera. Um bom exemplo disso foi já na primeira canção, onde cantou “Eu não vim a Curitiba, para desistir agora”. Bonito. Já nas primeiras faixas quem chamou a atenção foi o baterista Rafael Bisogno, que além de preciso é performático, com suas vestes e poses durante o show. Um deleite para os fotógrafos. “Mapas do Acaso” foi outro belo momento, que antecipou a sorumbática “Eu que não Amo Você” (onde mais uma vez Curitiba foi citada na letra), também com execução primorosa no instrumental, aliada a performance vocal de Gessinger, que se entregou à letra em sua interpretação.

Antes de “A Revolta dos Dândis”, ele relembrou que já estivera na cidade esse ano – ou “se não me engano, acho que sim” – com a turnê de 30 anos do álbum A Revolta dos Dândis “de uma banda que eu gosto muito, o Engenheiros do Hawaii”, que acabou virando DVD. Ele então agradece a todos e frisa a importância do evento. Relembrando os 25 anos de Filmes de Guerra Canções de Amor disco ao vivo que contava com quatro canções inéditas na época, veio “Realidade Virtual”; à ela emendou-se “Vozes”, outra mais tranquila, guiada por dedilhados e melodias suaves.

Humberto Gessinger (foto: Clovis Roman)

No mesmo embalo, ainda veio “Terra de Gigantes”; de rara sensibilidade, “Pra Ser Sincero” teve não apenas seu refrão, mas todos seus versos bradados em alto e bom som pelo público; sua sequência instrumental, guiada pelo baixo de dois braços de Gessinger, levou ao final apoteótico. Marcante. Rumando ao final do repertório, a fantástica “Somos Quem Podemos Ser” abriu caminho para “Pra Caramba”, introspectiva, assim como “3×4”, outra do Engenheiros do Hawaii. Aliás, daqui até o final, só canções dessa banda rolaram. Todos adoraram. “O Preço” foi o prenúncio para “O Exército de um Homem Só” e, claro, a indispensável “Era um Garoto Que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones”. Humberto Gessinger, como era de se esperar, entregou um show perfeito, que sozinho já havia valido o ingresso pago. Mas ainda haveria muito mais por vir. Sorte nossa.

REPERTÓRIO
Infinita Highway
Bora
Surfando Karmas & DNA
Mapas do Acaso
Eu Que Não Amo Você
A Revolta dos Dândis I
Realidade Virtual
Vozes
Terra de Gigantes
Refrão de Bolero
Piano Bar
Dom Quixote
Pra Ser Sincero
Somos Quem Podemos Ser
Pra Caramba
3×4
O Preço
O Exército de Um Homem Só
Era um Garoto Que, Como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones

O Festival
A estrutura do festival impressionou. A não existência da divisão entre pista VIP e pista comum foi um dos pontos que chamou atenção. Dessa maneira, todos puderam ir para próximo do palco ver os artistas que queriam, e voltar quando assim quisessem. Isso proporcionou um rodízio do público, dando chance a todos de se aproximarem de seus ídolos. Quem quis investir um pouco mais, pôde ficar nas áreas alicerçadas nos dois lados do palco, elevadas e ligadas por uma ponte, que passava por cima do palco. Proporcionou também uma experiência diferenciada e deu uma visão que raramente o público convencional teria oportunidade de presenciar.

E quem não pode comparecer de uma maneira ou de outra, assistiu tudo pela internet. Todos os shows, com exceção de Frejat, foram transmitidos ao vivo pelo Facebook, com alta qualidade de áudio e vídeo. O material, armazenado pela rede social, se torna um importantíssimo registro da história da música brasileira e também do próprio Prime Rock. Tudo está lá, de agora para a posteridade.

Os Paralamas do Sucesso (foto: Clovis Roman)

Paralamas do Sucesso
Nem foi necessário ao grupo de Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Viana seguir a cartilha dos festivais e focar propositalmente seu repertório em grandes sucessos. A carreira toda do trio é recheada de hits, então bastou à eles fazerem uma releitura de toda sua trajetória. Em uma hora e 10 minutos, apresentaram duas dezenas de canções, sequência essa iniciada com “Sinais do Sim”, a ótima faixa-título do último play, e única dele tocada nessa noite (ou tarde, no caso). “Itaquaquecetuba” até constava no setlist, mas foi cortada. Depois da abertura, uma sequência devastadora de sucessos: “Alagados”, “Meu Erro” e a ska “Lourinha Bombril”, originária do grupo argentino Los Pericos, que chegou a fazer algum sucesso por esses lados nos anos 90. A original se chama “Parate y Mira” e saiu no disco Pampas Reggae, de 1994.

Dando um ar mais melancólico, mas ainda sim esperançoso, “Uns Dias” veio a seguir, seguida por outro imenso hit: “Ela Disse Adeus”. Tudo foi apresentado de maneira densa, cheia. A transição natural de “Selvagem” e “O Beco” – complementares entre si, mesmo vindo de álbuns diferentes – corrobora a teoria. Essa primeira, com os versos “A cidade apresenta suas armas, meninos nos sinais, mendigos pelos cantos, e o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar”, se mostrou bastante atual. “O Calibre” veio – e teve em sua introdução uma citação aos primeiros versos de “Voodoo Child (Slight Return)”, de Hendrix – como boa surpresa, pois foi grafada a mão no setlist previamente impresso. A canção, assim como o medley supracitado, é uma crítica à violência urbana. Essa faixa é oriunda de Longo Caminho, álbum que lançaram em 2002, o primeiro após o acidente de Herbert. Ali a banda mostrava que sua força superaria qualquer obstáculo. Outra do mesmo trabalho, que se destacou, foi “Cuide Bem do Seu Amor”. Seja quem for.

Os Paralamas do Sucesso (foto: Clovis Roman)

O repertório seguiu com uma enxurrada de sucessos implacáveis, como “Uma Brasileira”, “Caleidoscópio” (com direito a citação, lá pelas tantas, de “Rock and Roll”, do Led Zeppelin), “Ska” e “Vital e sua Moto”, além de “Óculos” e sua inocente letra. Ainda houve espaço para “Você”, de Tim Maia, e “A Novidade”, gravada pelo grupo mas composta pelo mestre Gilberto Gil.

A reta final, entretanto, teve como highlight a lúgubre “Lanterna dos Afogados”, canção de bela angústia, abrilhantada pelos toques certeiros dos instrumentos de sopro. A canção é tão importante, grandiosa, que chegou a receber uma versão do grupo português de metal Moonspell, especialista em músicas mais soturnas e que viu na composição uma relação com seu trabalho autoral. Vale conferir. A performance do Os Paralamas do Sucesso é um vórtice de sentimentos, um catalisador de emoções. O show, fantástico, soberbo, foi possivelmente o melhor do dia. Não que houvesse uma competição. Mas a força ao vivo do trio é dificilmente igualada.

REPERTÓRIO
Sinais do Sim
Alagados
Meu Erro
Lourinha Bombril [Los Pericos]
Uns Dias
Ela disse adeus
Selvagem/O Beco
O Calibre
Aonde Quer Que Eu Vá
O Amor Não Sabe Esperar
Cuide Bem do Seu Amor
Você [Tim Maia]
A Novidade
Melô do marinheiro
Lanterna Dos Afogados
Caleidoscópio
Uma Brasileira
Ska
Vital e Sua Moto
Óculos

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