[Cobertura] Prime Rock Brasil tem Capital Inicial e Jota Quest em grande encerramento

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Prime Rock Brasil
Jota Quest + Capital Inicial
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
08 de dezembro de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Essa é a terceira e última parte da cobertura do festival Prime Rock Brasil. Enquanto Jota Quest e Capital Inicial encerraram o evento em grande estilo, com grande quantidade de hits da música brasileira. A primeira parte da cobertura (com Humberto Gessinger e Os Paralamas do Sucesso) você lê aqui, e a segunda (com Frejat e Nando Reis) aqui.

Jota Quest
O grupo mais jovem do cast do Prime Rock Brasil foi a penúltima atração da noite. E foi quem trouxe o repertório mais polido, mais Pop. O Jota Quest, que surgiu no mercado fonográfico nacional em meados dos anos 90, quando todas as outras bandas do festival já tinham ao menos 10 anos de experiência, explodiu já com seu debut, J. Quest, com canções como “As Dores do Mundo” e “Encontrar Alguém”. O segundo disco dos caras, De Volta ao Planeta (98), manteve o frenesi nos caras com hits como a faixa-título e a balada “Fácil”. Desde então a banda vem emplacando sucessos e se mantendo em evidência. A parceria com Anitta mostra a busca em se reinventar para se manter no topo. Curioso notar que PJ usou no show um baixo autografado pela lenda Nile Rodgers. Nile, apenas como referência, gravou o grande sucesso “Get Lucky”, da dupla Daft Punk, tocou no Chic, produziu gente como Madonna e David Bowie, além de já ter tocado ao vivo com mestres como Aretha Franklin e Nancy Wilson. Por fim, Nile é o músico que gravou Blecaute, no album Pancadélico (2015), do próprio Jota Quest. A canção, a referida parceria com a cantora Anitta, não foi apresentada nesse show, entretanto. Mas ela está presente no CD/DVD acústico que a banda divulga com sua atual turnê.

Jota Quest (foto: Clovis Roman)

A abertura veio com “Dias Melhores”, em formato acústico, assim como o recente trabalho lançado pelo grupo. A nova roupagem, sem os elementos eletrônicos e sem guitarras, soou muito melhor, realçando as belas melodias vocais e o refrão grudento, cantado em alto e bom som pelo público. Nota-se claramente que o núcleo do grupo é sólido e entrosado; afinal, desde o começo independente, antes mesmo de assinarem com a Sony Music, o grupo é formado por Rogério Flausino (vocal), Marco Túlio Lara (guitarra e vocal), PJ (baixo), Paulinho Fonseca (bateria) e Márcio Buzelin (teclados), seguindo a cartilha de gigantes como Roupa Nova e Paralamas do Sucesso, sempre manteve a mesma formação.

Se a balada de abertura se saiu melhor no formato acústico atual, sons mais suingados, na veia do Jamiroquai, como “Encontrar Alguém”, “Mandou Bem” e “Planeta dos Macacos” (com uma citação a “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas em meio a caótica introdução com ecos e slide-guitar) também receberam leituras dignas. “Amor Maior”, que não saiu em álbum regular, e sim no ao vivo MTV ao Vivo, foi outro ponto alto; assim como a belíssima “O Sol”. As menos antigas “Pra quando você se lembrar de mim” e “Mandou Bem” (outra que em estúdio contou com participação de Nile Rodgers) também tiveram boa recepção. Antes de “Na Moral”, Flausino convida Seu Jorge, músico que não estava no cast do festival, mas circulava nos bastidores. O músico cantou e tocou flauta, em uma parceria coesa e empolgante.

Jota Quest (foto: Clovis Roman)

Como a apresentação era em um festival, o próprio vocalista explicou que o repertório era um pouco mais enxuto que o normal, mas que os grandes clássicos não poderiam faltar, assim, antes do fim, a galera ainda pulou e cantou com “Só Hoje”, “As Dores do Mundo” e “Além do Horizonte”, releitura do rei Roberto Carlos. E sim, eles fecharam o show com “Do Seu Lado”, composição de Nando Reis que o mesmo havia acabado de tocar em seu próprio show. Todos curtiram o repeteco. A base de fãs do Jota Quest em Curitiba é bastante sólida. Basta notar que todos os shows deles por aqui são estrondosos sucessos de público. Casa cheia garantida. E isso se refletiu na platéia do evento, pois foi sensível a empolgação geral com a enxurrada de hits despejada por Flausino e seus companheiros.

REPERTÓRIO
Dias Melhores
Carta de Amor
Encontrar Alguém
Mais uma Vez
Amor Maior
Pra Quando Você se Lembrar de Mim
Na Moral
O Sol
Mandou Bem
Fácil
As Dores do Mundo
De Volta ao Planeta
Só Hoje
Além do Horizonte [Roberto Carlos]
Do seu Lado

Capital Inicial (foto: Clovis Roman)

Capital Inicial
O grupo oriundo do efervescente cenário de Brasília dos anos 80 teve sucesso naquela década, depois passou por momentos de menor exposição, até explodir novamente com o Acústico MTV. A partir daí o sucesso, enorme, se consolidou definitivamente e os elevou a um dos maiores nomes do Rock nacional. O show apresentado no Prime Rock Brasil – e o fato deles serem os headliners em um lineup monstruoso – só corroborou o fato. A abertura enérgica do Capital Inicial veio com “Depois da Meia-Noite”, uma composição do vocalista Dinho Ouro Preto com Pit Passarell – antigo parceiro de composição – irmão do atual guitarrista da banda, Yves Passarell. Seguiram-se a grande “Independência” e “Todas as Noites”, onde em sua introdução Dinho disse o que sacramentou aquele show como inesquecível: a banda estava gravando para um futuro lançamento ao vivo. Quando entrevistamos o cantor, em 2017, conversamos sobre um possível futuro trabalho ao vivo da banda, e Curitiba foi citada, com um sorriso no rosto, por ele. Parece que a ideia vingou.

Dinho agradeceu ao público e ao festival, de maneira efusiva, e declarou que se sentia em casa e entre amigos. O cantor nasceu na cidade, em meados de 1964, e se sentia visivelmente à vontade em tocar na sua cidade natal. Tanto que antes mesmo do show, na área vip, atendeu uma quantidade impressionante de fãs que o cercaram assim que ele desceu do elevador que leva ao palco da Pedreira. Sempre com um sorriso honesto no rosto, o cara distribuiu autógrafos, tirou fotos e conversou com todo mundo (e não era pouca gente). O repertório do show, após a trinca inicial, teve sequência com “Tudo que Vai”, “Leve Desespero”, vinda do disco de estreia auto intitulado e “Como Se Sente”, puxada pelo baixista Flávio Lemos, que foi prontamente acompanhado pelas palmas da platéia. Ainda na primeira parte do show, hits como “Olhos Vermelhos” e “Primeiro Erro” (de Kiko Zambianchi) também se destacaram.

Capital Inicial (foto: Clovis Roman)

Nessa, inclusive, Dinho precisou reger a multidão, que começou a entoar a letra antes do tempo. Com o vocalista mandando a primeira frase, o pessoal então acompanhou corretamente, cantando junto vários versos sozinhos. Momento marcante. No final da canção, Dinho agradeceu emocionado o “coral improvisado”, e ainda puxou os gritos da galera, bradando que “estamos num show de Rock ao ar livre, vocês tem que fazer mais barulho que isso”. Curiosamente, após esse momento forte, voltaram aos delicados dedilhados dos violões para encerrar a referida canção. Demais. A fantástica “Não Olhe Pra Trás” veio a seguir, mantendo a empolgação em alta.

Caminhando para o fim do repertório, o grupo ainda tocou um par de canções do Legião Urbana, “Tempo Perdido” e “Que País é Esse?”, e as indispensáveis “Fátima”, “Veraneio Vascaína” (em uma performance áspera) e “Natasha”. E ainda teve “Música Urbana”, do disco de estreia, composição em parceria com Renato Russo. O fim definitivo veio com “A Sua Maneira”. Um show do Capital Inicial é um daqueles raros onde você não consegue se distrair do palco, seja pela interação banda/público ou seja pela música. Eles não foram os headliners por acaso.

Capital Inicial (foto: Clovis Roman)

O festival foi um sucesso retumbante. O Prime Rock Brasil ofereceu um lineup de primeira, sem contar toda a organização, tanto para a as atrações como para o público, com soluções práticas e inovadoras. Para uma segunda edição, já deixamos aqui nossos palpites: Raimundos, Titãs, Barão Vermelho, Pato Fu, Ultraje a Rigor e Ira!.

REPERTÓRIO
Depois da Meia-Noite
Independência
Todas as Noites
Tudo Que Vai
Leve Desespero
Como Se Sente
Não me Olhe Assim
Olhos Vermelhos
Primeiros Erros [Kiko Zambianchi]
Não Olhe Pra Trás
Tempo Perdido [Legião Urbana]
Música Urbana
Fátima
Veraneio Vascaína
Que País é Esse? [Legião Urbana]
Natasha
A Sua Maneira

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