[Cobertura] Frejat e Nando Reis fazem shows com propostas opostas no Prime Rock Brasil

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Prime Rock Brasil
Frejat + Nando Reis
Pedreira Paulo Leminski
Curitiba/PR
08 de dezembro de 2018

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Essa é a segunda  parte da cobertura do festival Prime Rock Brasil. Enquanto Nando Reis tocou pouca coisa do Titãs,  seu antigo grupo, Frejat mandou um best-of de seus tempos de Barão vermelho. A última parte retratará os shows de Jota Quest e Capital Inicial. A primeira parte você lê aqui.

Frejat
O ex-frontman do Barão Vermelho teve a – princípio – ingrata missão de subir no palco após duas performances devastadoras. Frejat e sua banda, entretanto, parecem ignorar quaisquer obstáculos, mandando de cara “Puro Êxtase”, “Pense e Dance” e “Ideologia”, do seu companheiro de Barão Vermelho nos anos 80: Cazuza. Essa é uma canção que ambos escreveram juntos e foi gravada no álbum Ideologia, de 1988, que vendeu mais de um milhão de cópias. Do poeta autêntico e artista avant-garde, o repertório ainda contemplou “Codinome Beija-Flor” e “Exagerado”, todas indiscutíveis, soberbas em sua qualidade musical, lírica e histórica. Uma homenagem justa e emocionante.

Frejat (foto: Clovis Roman)

Do álbum homônimo, “Amor pra Recomeçar”, a primeira empreitada solo do artista, cativou, assim como “Por Você”, single de sucesso do álbum Puro Êxtase (1998), do Barão Vermelho. Vale citar que “Amor pra Recomeçar” chegou a ser gravada pelos sertanejos Jorge & Mateus, em um registro ao vivo da dupla em Londres, no lendário Royal Albert Hall. Desse trabalho ainda veio a faixa-título, dançante. “Bete Balanço” e “Pro Dia Nascer Feliz” cumpriram papéis semelhantes, tendo sido essa última a derradeira canção da apresentação de Frejat. Em momento mais introspectivo, destacou-se “O Poeta Está Vivo”, oriunda de Na Calada da Noite, sétimo registro de estúdio do Barão, de 1990. Das mais antigas, “Por que a Gente é Assim?” e “Maior Abandonado” estiveram presentes. Ambas são de 1984, assim como “Pro Dia Nascer Feliz”, também dos primórdios.

O festival, como frisado pelo próprio Frejat em entrevista momentos antes do show, tem uma função de reforçar o Rock nacional como estilo, e de fazer uma conexão com o público mais jovem. Sendo assim, nada mais justo que convocar um representante de uma das bandas mais importantes e regulares do Rock Nacional, o Barão Vermelho. Frejat fez um show coeso, forte, e o mais pesado de todo o evento. Seja com canções deliciosamente envolventes – como “Ponto Fraco”, outra dobradinha de Cazuza e Frejat – com baladas ou sons mais rudes, o músico mostrou que o Rock é um estilo calcado na rebeldia, na malícia, cuja função de questionar o padrão é necessária.

Frejat (foto: Clovis Roman)

REPERTÓRIO
Puro Êxtase
Pense e Dance
Ideologia [Cazuza]
Ponto fraco
Tudo Se Transforma
Me dê motivo [Tim Maia]
O Poeta Está Vivo
Codinome Beija-Flor [Cazuza]
Por Você
Segredos
Malandragem [Cassia Eller]
Amor Pra Recomeçar
Bete Balanço
Por que a Gente é Assim?
Maior Abandonado
Exagerado [Cazuza]
Pro dia nascer feliz

Nando Reis
A performance de Nando Reis no palco depende muito de seu estado de humor. Ele pode ser explosivo, desregrado, espontâneo. Se em sua recente empreitada ao lado de mestres como Gal Costa e Gilberto Gil, o fabuloso Trinca de Ases, ele esteve mais brando, em possível reverência a imensos mestres, aqui ele mais uma vez explodiu, no sentido enérgico da palavra. Lembrou o show que ele fez na cidade, seis anos antes, na Vila Capanema, onde estava em refinado estado espiritual.

Nando Reis (foto: Clovis Roman)

O show pareceu bem mais curto que os outros, pois a quantidade de músicas foi menor que de outras bandas. Enquanto Humberto Gessinger e Os Paralamas do Sucesso conseguiram apresentar cerca de duas dezenas de canções, Nando Reis ficou na marca de uma dúzia. Mas o tempo de duração total foi bastante similar, poucos minutos de diferença. Isso se deu, por exemplo, por causa de materiais como “Rock and Roll”, uma canção longa, que segundo o próprio Nando, foi pela primeira vez executada ao vivo com banda (ele já a havia performado anteriormente em shows no formato violão e voz). Com quase 10 minutos de duração, sua letra forte, contundente, pareceu se encaixar no que Frejat havia comentado, sobre o protesto que o Rock deve carregar em si. O trecho em que se canta “A polícia dos costumes, chafurdada no estrume, manipula seu o cardume, acendendo o vaga-lume, aumentando o volume da sirene odiosa da repressão. Uma mão na bíblia, outra no coldre, repetindo seu slogan, dente por dente, olho por olho. Bandido bom, bandido morto, parece um contrassenso o argumento que armamento é proteção” tem endereço certo. Ainda há versos que questionam a violência contra minorias alicerçadas pelo racismo e preconceito (fundamentados na pura ignorância e cega servidão religiosa), antes do fim do poema, que tenta mostrar que a música pode ser um bálsamo. Além de ferramenta poderosa de questionamento.

Quanto a distribuição das músicas apresentadas, ele foi meticuloso ao colocar de cara duas faixas de grande apelo popular: primeiro “Marvin”, vinda do álbum de estreia do Titãs, homônimo, de 1984. A seguinte, também de sua ex-banda, é composição de Nando, e se mostra mais próxima do que ele viria a fazer em carreira solo. Seu refrão é marcante, unido ao trabalho dos vocais de apoio, que criam um clima especial, remetendo aos fantásticos arranjos vocais que são característicos do setentista Uriah Heep. Após essa dobradinha forte, ele saúda e agradece de maneira visivelmente honesta o público, frisando e emoção de estar na cidade ao lado dos outros artistas da noite e no Prime Rock em si.

Nando Reis (foto: Clovis Roman)

Sem precisar de anúncio, “Relicário” foi iniciada e ovacionada quase que de imediato, após um delay do público, que custou a identificar a canção. Composição dele, ela se eternizou principalmente na voz de Cássia Eller, fantástica intérprete e amiga de Nando. Essa parceria também foi lembrada com “O Segundo Sol” e “All Star”, dedicada a ela em momento comovente. O repertório, reduzido, acabou por não contemplar nenhuma canção do último trabalho de estúdio do músico, o ótimo Jardim Pomar, lançado já há dois anos. O encerramento do show de Nando Reis – que volta a Curitiba já no mês seguinte – veio com “Do Seu Lado”, que foi gravada originalmente pelo Jota Quest, curiosamente a banda que subiria no palco na sequência. Será que eles também a tocaram?

REPERTÓRIO
Marvin [Titãs]
Os cegos do castelo [Titãs]
Relicário
Só Posso Dizer
Luz Dos Olhos
Rock N Roll
Pra Você Guardei o Amor
All Star
N
Por Onde Andei
O Segundo Sol
Do Seu Lado

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