[Cobertura] Good Friendly Violent Fun: Gangrena Gasosa e bandas locais em noite histórica no Hangar

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Gangrena Gasosa
Hangar – A Casa do Ócio
Curitiba/PR
19 de outubro de 2019

por Bruno Schmidt e Clovis Roman
fotos por Arianne Cordeiro

O Saravá Metal do Gangrena Gasosa levou uma legião de fãs e curiosos às dependências do Hangar, lendária casa de shows Curitibana desde os anos 90. E a galera, que compareceu em peso, além do show principal, pode conferir três grupos bastante peculiares da cena musical (ou antimusical) da cidade.

O Dalborga, adicionado posteriormente ao lineup do evento, abriu a noite com um show onde tocou diversas músicas com nomes conhecidos pela galera. Sim, nomes, pois as músicas em si mudam a cada noite, ficando apenas os títulos. Isso se deve ao fato de que 100% do que a banda toca nos shows é inventado na hora, sem ensaio prévio. É uma bagunça caótica que com passagens rápidas e urros medonhos cria uma atmosfera convidativa. Dá até pra se quebrar na rodinha ou balançar a cabeleira.

Dalborga (foto: Arianne Cordeiro)

O grupo reuniu após mais de 3 anos sua formação clássica, Yuri (bateria), Yakilli (guitarra) e Clovis (vocal), somados à baixista Kenia. Essa inclusive, saiu para passear em determinado momento, e amigos tocaram várias músicas, até que a titular regressasse para a parte final do repertório. O som do vocal estava um tanto baixo nas partes mais graves, tanto em cima do palco quanto na pista, mas funcionou. O público se divertiu, agitou e alguns até ganharam garrafas plásticas de cachaça vagabunda. No repertório, “Um Abraço pra Galera do Slayer”, “Pomba Gira”, a nova “Excursão para a Borda da Terra” e o encerramento com “A Hebe foi pra Fita”, foram alguns dos destaques. E vale citar a “homenagem” ao Gangrena Gasosa, quando supostamente fizeram releituras de 6 canções dos cariocas, em versões inacreditavelmente bizarras e rápidas; patifaria total.

Chubasa (foto: Arianne Cordeiro)

O Chubasa veio a seguir, e também tem uma proposta pouco comum: A banda em questão não tem guitarrista. E é pesado e barulhento pra caramba. Atualmente a formação conta com três integrantes: os baixistas e vocalistas Michael e Fernando (esse também do Imperious Malevolence) e o baterista Flavio. O som é caótico mas com andamentos variados. O grupo é experiente, pois toca direto por aí em tudo quanto é lugar. As vozes estridentes de Michel, além da massa sonora dos dois baixos, formam a identidade sonora do grupo. No repertório, a cadenciada “Introduzindo”, “Mórbidas Criaturas” e “Brutal Satisfação”, entre outras pérolas, além de “Lycanthropy” do Six Feet Under.

CrotchRot (foto: Arianne Cordeiro)

O CrotchRot é a banda de ‘tupá-tupá’ mais divertida da vizinhança. Divulgando seu disco Brochas From Hell, a banda o tocou na íntegra, mostrando portanto um repertório renovado. Algumas coisas mais antigas apareceram, como “X-Gordinha” e “Orgia de Crackudo”, já conhecidas do público que costuma frequentar seus shows. O visual deles muda a cada noite, e dessa vez o vocalista Muringa estava fantasiado de unicórnio. Coisa super normal num show de ‘roque pauleira’. Vale citar que a banda também verbaliza seu posicionamento político e social nos intervalos das canções, o que de maneira alguma é algo condenável. O público reagiu de maneira feroz, com empolgação similar à mostrada no show da banda principal da noite.

Por fim, o Gangrena Gasosa subiu ao palco, por volta da meia-noite. A excitação da platéia era alta e essa energia foi para o palco e voltou em forma de um show furioso. Gangrena Gasosa é sempre um show de alto nível, mas essa noite foi especial. Angelo Arede – Zé Pelintra (vocal), Eder Santana – Omulu (vocal), Minoru Murakami – Exu Caveira (guitarra), Diego Padilha – Tranca Rua das Almas (baixo), Gê Vasconcelos – Pombagira Maria Mulambo (percussão) e o mais recente membro Alex Porto – Exu Tiriri (bateria) estavam possuídos, e o repertório muito bem escolhido afinou ainda mais a fúria e diversão. Mesmo com uma música agressiva e rápida, o clima no bar era muito amigável. Todos bebendo, curtindo numa tranquilidade quase paradoxal quando se pensa no estilo musical apresentado no palco.

Gangrena Gasosa (foto: Arianne Cordeiro)

O público conhecia as músicas, cantava junto até mesmo as faixas do mais recente disco deles, Gente Ruim Só Manda Lembrança Pra Quem Não Presta, como “Gente Ruim”, a genial “Fiscal de Cu” e o arrasa-quarteirão “O Saci”, que encerrou o show como um furacão, causando um pandemônio nas dependências do Hangar. É um novo clássico da banda que se solidifica em seu extenso catálogo de maldades sonoras. Momentos altos vieram com a dançante “Surf Iemanjá” e com as hilárias “Se Deus é 10, Satanás é 666”, “Quem gosta de Iron Maiden também gosta de KLB” e “Matou a Galinha E Foi Ao Cinema”.

O Gangrena Gasosa surgiu no início dos anos 90, e passou por diversas trocas de formações e tretas em geral, tanto que eles tem 4 álbuns lançados em 30 anos de carreira. Agora, com uma formação sólida e entrosada, eles passam por seu melhor momento da carreira. Com um catálogo com genialidades e um disco recente – e excelente – a banda tem ainda muito para produzir. Inclusive, na entrevista abaixo com o vocalista Angelo Arede, você vai conferir os planos a curto prazo da banda mais legal do Brasil. Só faltou a famosa chuva de farofa e pipoca na galera, mas certamente ninguém tem o que reclamar. A casa cheia prova como o Gangrena Gasosa é prestigiado por esses lados. Que não levem mais 9 anos para retornar à cidade.

REPERTÓRIO – GANGRENA GASOSA
Se Deus é 10, Satanás é 666
Encosto
Surf Iemanjá
Black Velho
Hardcore Gangrena Dfc
Terreiro Do Desmanche
Carnossauro Diet
Chuta que é macumba
Quem gosta de Iron Maiden também gosta de KLB
Cambonos From Hell
Gente Ruim
Eu Não Entendi Matrix
Matou a Galinha E Foi Ao Cinema
Afirma Seu Ponto
Headbanger Voice
Darkside
Fiscal de Cu
A Supervia deseja a todos uma boa viagem
Centro Do Picapau Amarelo
O Saci

Confira a galeria de fotos completa:

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