[Entrevista] Turilli / Lione Rhapsody renasce em harmonia e novo foco com disco Zero Gravity

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por Clovis Roman

O Rhapsody, em mais de duas décadas de carreira, passou por diversas mudanças, não só de formação, quanto de nome. É uma história extensa e complexa, mas que no fim das contas rendeu vários trunfos aos músicos envolvidos. Depois de uma turnê de reunião em 2017 e 2018, após alguns anos separados, o vocalista Fabio Lione e o guitarrista Luca Turilli acertaram os ponteiros e se deram super bem novamente, e a boa química entre ambos e os demais músicos levou a banda a voltar com tudo em 2019. A formação é completada por Dominique Leurquin (guitarra), Patrice Guers (baixo) e Alex Holzwarth (bateria).

Agora chamado Turilli / Lione Rhapsody, o grupo italiano tem em “Zero Gravity” seu primeiro álbum com essa alcunha, deixando de lado narrativas fantasiosas e se aprofundando em outras temáticas líricas. Conversamos com Fabio sobre isso e muito mais.

Vale lembrar que a banda toca em São Paulo, dia 07 de dezembro, no Dream Festival, encabeçado pelo Dream Theater, ao lado de Sabaton e Killswitch Engage (veja mais no serviço no fim da página). Em 2020, eles voltam ao Brasil para mais alguns shows.

Por que vocês decidiram chamar a banda de “Turilli / Lione Rhapsody”, já que é basicamente a mesma banda da turnê anterior? Isso foi devido ao fato de que vocês agora tem um novo álbum e não estão mais apenas revisitando um repertório antigo?
Fabio Lione: Bom, inicialmente queríamos chamar a banda de Zero Gravity. Mas então promotores, a gravadora e empresários nos falaram que a palavra Rhapsody, quero dizer, essa marca, teve muito sucesso por mais de 20 anos, e fizemos muitas coisas sob esse nome. Conquistamos muitas coisas com nossos discos, turnês e compondo músicas, então, no final chamamos a banda de Turilli / Lione Rhapsody, e Zero Gravity virou o título do novo álbum.

A propósito, a turnê Rhapsody Reunion foi um fator determinante para vocês continuarem juntos agora? Vocês sentiram a química entre os músicos?
Fabio: Com certeza! Nós não havíamos planejado trabalharmos juntos no começo, mas durante a reunião, como você disse, a química entre os membros da banda foi ótima, e especialmente entre eu e o Luca. Então decidimos ir em frente. Não havíamos trabalhado juntos por 8 anos, então não sabíamos o que esperar no começo, mas tudo foi melhor do que nunca. Os resultados da turnê de reunião foram incríveis em todos os lugares, e tínhamos algumas idéias e músicas, por isso criamos uma nova banda e escrevemos um novo álbum.

Então quando vocês se reuniram novamente, em 2017, você já estava pensando em um novo álbum de estúdio? Ou naquele momento seriam apenas shows isolados e nada mais?
Fabio: Exatamente. No final de 2017 estávamos pensando em fazer alguns shows comemorando 20 anos de história da banda, talvez alguns shows.

Como surgiu a idéia de fazer o crowdfunding, via Indiegogo, para o álbum?
Fabio: Eu devo dizer que tivemos um bom orçamento da Nuclear Blast. Mas lançar um disco do Rhapsody é sempre algo especial e uma grande produção, por isso pensamos em uma campanha de crowdfunding para lançar e oferecer aos nossos fãs um produto de alta qualidade. Queríamos lançar algo especial e único, com uma ótima produção e som, tempo suficiente para mixar, ter convidados, fazer vídeos, etc, e fazer tudo isso da melhor maneira possível para nós e nossos fãs.

A dupla Luca Turilli e Fabio Lione em Curitiba, 2017 (foto: Clovis Roman)

Zero Gravity (Rebirth and Evolution) mostra uma banda ainda mais épica e pesada. De onde veio essa abordagem?
Fabio: É isso que gostamos de fazer agora. Temos uma abordagem e um gosto diferentes em comparação a 20 anos atrás. Ainda épico, sinfônico, mas podemos dizer que mais pesado e moderno. Por isso, compusemos e lançamos algo que reflete nosso gosto hoje e estamos muito felizes com o resultado.

Em termos de letra, quais são as principais diferenças comparando com as coisas mais antigas da banda?
Fabio: Não estamos mais escrevendo sobre uma saga de fantasia, tivemos isso por mais de 15 anos e a saga está encerrada. Não escreveremos uma nova saga ou tentaremos copiar o passado. Este foi um capítulo da banda que amamos e que nos orgulhamos, mas acabou e queremos falar sobre coisas diferentes agora. É por isso que falamos sobre “renascimento e evolução”. É ótimo para um músico criar, conversar e tocar algo novo, ter uma evolução e ter algo novo e único sem perder seu estilo pessoal. Eu pessoalmente não gosto quando as bandas estão vivendo no passado, ou simplesmente tentam copiar o que fizeram no passado produzindo novos discos inúteis. Cada música tem um significado próprio e gostamos da ideia de que as pessoas possam refletir ouvindo nossas músicas. Não importa se falamos de Leonardo Da Vinci, uma poesia, ciência, história ou o cosmo.

Na música “Zero Gravity”, você canta em um estilo diferente, com uma voz mais ‘sedosa’, menos agressiva, que se encaixa perfeitamente com o som. A música tem também algumas influências étnicas no meio, antes dos solos da guitarra. Como foi a reação dos fãs?
Fabio: Ótimo! A maioria dos fãs adoram e também o videoclipe que lançamos para a música. Quero dizer, nunca é fácil quando você propõe algo novo ou diferente, mas se você tem algo legal e único, as pessoas vão gostar. Não é [uma música] fácil, temos muitas partes diferentes, com um ótimo solo de guitarra, os versos são fantásticos e o som é fresco, poderoso, rico e elegante.

Para os próximos shows, como vocês vão preparar o setlist? Serão tocadas algumas músicas mais antigas, mas com foco no novo álbum?
Fabio: É claro que teremos os antigos hits incluídas no setlist, combinadas com as novas músicas do novo álbum. Dessa forma, podemos oferecer aos nossos fãs um bom e variado repertório com momentos especiais, e ótimo show com muitas “cores” e momentos diferentes.

Além de tocar no Brasil, quais são os planos da banda para 2020? Teremos já um novo álbum?
Fabio: Bem, como você sabe, teremos uma turnê latino-americana em março, depois faremos uma turnê pela Europa entre abril e maio, teremos alguns festivais de verão e o ProgPower Fest, nos EUA, em setembro. No final, acho que não lançaremos um novo álbum em 2020, pois estaremos bastante ocupados com shows até o final do ano.

Fabio Lione super simpático em seu momento solo em Curitiba, 2017 (foto: Clovis Roman)

Agora, uma pergunta que faço à todos os meus entrevistados: Qual artista ou banda você acha que faria uma versão interessante de qualquer música do Rhapsody?
Fabio: Eu realmente não sei. Temos muitas músicas com estilos ou abordagens diferentes. Então você pode ter uma [música] muito agressiva como “Reign of Terror”, realmente épica ou poderosa, [além de] ópera, progressivo, celta, rápida ou [então ter algo] realmente delicado e suave. Isso não é fácil de responder. Se você faz uma cover com algo único e seu toque pessoal, sempre fará algo legal. E temos muitos artistas ou bandas boas e legais que podem tentar fazer isso e ter um bom resultado.

Relembrando:
Como você pode notar, em 2017 a então turnê de reunião do Rhapsody passou por Curitiba, e nós estivemos lá. Relembre aqui nossa cobertura.

E já noticiamos também o retorno do grupo italiano ao Brasil em 2020, veja aqui.


ENGLISH
Why did you decide to name the band “Turilli / Lione Rhapsody” as it is basically the same band from previous tours? Was it due to the fact that you now have a new studio album, and are no longer revisiting the repertoire of the past?
Fabio: Well, in the beginning we wanted to name the band Zero Gravity but then promoters, record label, managers told us to use the word Rhapsody, i mean the brand was successful for more than 20 years and we did many things under this monicker, we achieved many things with our records, tours and composing songs so in the end we named the new band as Turilli / Lione Rhapsody and Zero Gravity was the title of the new record!!!

By the way, was your reunion tour in 2017 and 2018 a determining factor for you to continue together now? Did you guys felt the chemistry between the musicians?
Fabio: Of course! We didn’t plan to work together in the beginning but during the reunion tour, as you said, the chemistry between the band members was great and especially between me and Luca so we decide to go on. We didn’t work together for 8 years, so we didn’t know what to expect in the beginning, but everything was better than ever! The results of the reunion tour were amazing everywhere and we had some ideas and songs done so we create a new band and wrote a new record.

So when you guys got together again, in 2017, were you already thinking of a new studio album? Or at that point in time would it be just isolated shows and nothing else?
Fabio: Exactly. In the end of 2017 we were just thinking to play some shows celebrating 20 years of history of the band, maybe few shows.

Luca Turilli shredding his guitar in Curitiba, Brazil, 2017 (foto: Clovis Roman)

How did came the idea to make the crowdfunding, by Indiegogo, for the album?
Fabio: We had a good budget from Nuclear Blast I have to say but to release a Rhapsody record is always something special and a big production, so we thought about a crowdfunding campaign to release and give to our fans an high quality product!!!
We wanted to release something special and unique, having a great production and sound, enough time for mixing, guests, videos etc.. and make all this in the best way possible for us and our fans..

Zero Gravity (Rebirth and Evolution) shows a band even more Epic and Heavy. From where came this approach?
Fabio: This is what we like to do now. We have a different approach and taste compared to 20 years ago. Still Epic, Symphonic, but more heavy and modern we can say. So we composed and released something that reflect our taste today and we are really happy about the result.

Lyricwise which are the main differences comparing the oldest stuff of the band?
Fabio: We are not writing about a fantasy saga anymore, we had this for more than 15 years and the saga is ended. We will not write a new saga or trying to copy the past, this was a chapter of the band that we love and we are proud of it but its gone and we want to talk about different things now. That’s why we talk about “rebirth and evolution”. It’s great for a musician to create, talk and play something new, to have an evolution and have something new and unique without losing your personal style.
I personally don’t like when bands are living “in the past” or they simply try to copy what they did in the past producing unuseful new records. Every song has is own meaning and we like the idea that people can reflect listening our songs. Doesn’t matter if we talk about Leonardo Da Vinci, a poetry, science, history or the cosmo.

Lione and Dominique Leurquin live with Rhapsody, 2017 (foto: Clovis Roman)

In the song “Zero Gravity” you sing in a different style, with a more ‘silky’ voice, less aggressive, which fits perfectly with the sound. The song have as well some ethnic influences in the middle, before the guitar solos. How was the reaction of the fans?
Fabio: Great! Most of the fans love it and also the music video we released for the song. I mean, it’s never easy when you propose something new or different but if you have something nice and unique, people will like it. It’s not an easy one and we have many different parts in the song with a great guitar solo, verses are fantastic and the sound is fresh, powerfull, rich and elegant.

For the upcoming shows, how will you prepare the setlist? There will be played some older songs with the focus on the new album?
Fabio: Of course we will have old hits and songs included in the setlist combined with the new songs of the new album. This way we can offer a really great and various setlist with special moments and give to our fans a great show with many different “colours” and moments..

Besides playing in Brazil, which are the band’s plans for 2020? There will be a new album coming?
Fabio: Well, as you know we will have a Latin American tour on March and after that we will tour Europe in April / May then we will have some summer festivals and ProgPower Fest, in Usa on September. In the end I don’t think we will be able to release a new album in 2020 ‘cause we will be pretty busy with shows until the end of the year.

Now a question I ask all my interviewees: What artist or band do you think would make an interesting version of any of Rhapsody’s songs?
Fabio: I really don’t know, we have so many different songs with a different style or approach. So you can have a very aggressive one like “Reign of Terror”, a really epic or powerfull one, opera, progressive, celtic, fast or really delicated / soft. Not easy to answer. If you do a cover with something unique and your personal touch, you will always do something nice, and we have many nice and good artist or bands that can try to do that and have a good result!

SERVIÇO
Dream Festival
Show com Dream Theater, Rhapsody, Sabaton, Killswitch Engage
Data: 07 de dezembro de 2019
Local: Arena Anhembi
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 – Santana – São Paulo, SP
Ingressos: entre R$ R$ 250 e R$ 550
Venda online: www.clubedoingresso.com/evento/dreamtheater-sp

Foto: Promocional/Divulgação

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