[Resenha] Devachan – Regeneração

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Devachan – Regeneração
(nacional – independente)

Material gentilmente enviado por Som do Darma

por Clovis Roman

O termo Devachan se traduz do sânscrito como “paraíso”, porém, não aquele desenhado pela cultura judaico-cristã, de anjinhos, nuvens de algodão e São Pedro na portaria. É mais algo abstrato, de consciência universal não teatral; é um plano superior onde as almas ascendem após saírem de um nível inferior (aqui se faz relação entre terra e algo mais elevado espiritualmente). No que tange ao Metal, Devachan designa um grupo paulista alicerçado pelo baixista Daniel Dias. No disco de estréia do grupo, Regeneração, estão letras que primordialmente falam de ‘reforma interior’, tendo algumas delas mais de 30 anos. Para o registro fonográfico, estão junto com ele seus filhos Leandro Dias (guitarra) e Gabriel Dias (vocal), além do tecladista Michael Santos Veríssimo e do baterista temporário Thiago Zico Teixeira.

A fusão de elementos clássicos com Metal e Prog dá ao som um dinamismo ímpar e ares de grandiosidade. Nem mesmo os vocais em português, que de cara causam estranheza, contam pontos contra. Na segunda audição esse espanto é amenizado sensivelmente. A primeira música de fato é a faixa título, que remete ao Dream Theater, mas com teclados operísticos e até mesmo com uma passagem remetendo a música nordestina. Após “Regeneração”, a pegada se mantém com “Jogo da Vida” e “Um Sonho?”, trinca que somada quase chega aos 20 minutos de duração. Dessas duas, a primeira foi composta em família, após a formação da banda, já a segunda é bem mais antiga: “faixas como “Um Sonho?” e “Eis a Questão” ouvíamos nosso pai tocar durante a infância“, relata Leandro.

As constantes mudanças de andamento, aliadas as letras, criam um cenário na cabeça do ouvinte, algo que poderia ser transportado ao palco, com fundos e vestuário vasto, como um musical. “Loucura, Guerras e Poesias”, com sua abertura ao piano e vocal menos estridente do ouvido até então, me remeteu a um Humberto Gessinger metalizado com seus versos em português. Outra mais amena, “Caminho do Medo” é outro bom momento do álbum.

A supracitada “Eis a Questão” retoma o peso, na faixa mais curta do play, direcionando o ouvinte aos últimos momentos de Regeneração. Fim esse decretado com “Punctus Contra Punctum”, que funciona magistralmente como um ‘outro’, sendo basicamente uma mini peça erudita, encerrando a audição mais ou menos da mesma maneira que começou.

O disco saiu com incentivo cultural do governo de Boituva, São Paulo, pela Lei de Incentivo a Cultura, iniciativas cada vez mais ameaçadas na situação atual do país. É inacreditável como pode-se ver a cultura como algo supérfluo, de menor relevância dentro de uma sociedade. A música, a pintura, o teatro e todas as demais manifestações artísticas são primordiais para um país que quer crescer, não só economicamente, mas intelectualmente. Faz parte de um processo de educação, inclusive. Então quando prefeituras, governos estaduais ou o federal apoiam lançamentos de discos, como nesse caso, é algo a ser louvado e protegido.

Com as letras sendo lapidadas e com uma interpretação vocal mais sóbria em determinadas passagens, o Devachan pode soar ainda mais poderoso em um segundo álbum. Instrumentalmente, Regeneração é irretocável.

FAIXAS
1. Domain Principia Inferiorum (intro)
2. Regeneração
3. Jogo da Vida
4. Um Sonho?
5. Loucuras, Guerra e Poesias
6. Devachan
7. Olho Por Olho…
8. Caminho do Medo
9. Eis a Questão
10. Punctus Contra Punctum

Facebook: www.facebook.com/banda.devachan

Foto: Reprodução Facebook

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