[Resenha] Afronta x Eskröta lançam disco de protesto e músicas agressivas

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Eskröta & Afronta – Ultriz
(split CD – nacional)

Material gentilmente enviado por Collapse Agency

por Clovis Roman

As bandas Eskröta (SP) e Afronta (CE) tem várias coisas em comum. Uma delas é o fato do nome de ambas acabarem com as mesmas duas letras. E além de ambas serem bandas de Metal, elas contam apenas com integrantes mulheres em suas formações. E o protesto já começa por aí. E para estreitar ainda mais as relações, ambas lançaram há alguns meses um ‘split’ chamado Ultriz. Esse verbete pode ser traduzido como “mulher vingadora”. Nada mais condizente com a realidade contida nos 7 minutos e meio de duração do disco.

O grupo paulista conta com Ya Amaral (guitarras e voz – que também toca no ótimo Kultist), Tamy Leopoldo (baixo) e Miriam Momesso (bateria), já o quarteto de Fortaleza é formado por Thuany Asevedo (voz), Tina Paulo (baixo), Dejane (guitarra) e Paloma Cavalcante (bateria).

Eskröta
Oriundas de Rio Claro, São Paulo, o Eskröta abre Ultriz com “Burn the Poor”, que tem posicionamento claro e direto e revolucionário: “Não precisamos de bondade, precisamos insistir, ocupar propriedades, invadir e resistir“, gritam debaixo de um Thrash/Crossover veloz e bastante pesado. Crítica agressiva e ácida a governos que vemos aos montes por aí ao redor do GLOBO.

A verve lírica antifascista e feminista do trio segue firme e forte com “Playbosta”, cujo genial título já explicita o teor dos versos; um deles em específico elas cantam “Machista opressor vai pra casa do caralho“. De fato, combater esse tipo de coisa não demanda bondade, e sim, agressividade e ofensivas hostis. Como elas mesmas cantam: “Você que me afronta, a eskröta aqui está viva“. Viva e ainda com muito tempo de vida e luta pela frente.

Afronta
Com uma intro onde se ouvem frases de cidadãos comuns condenando de maneira odiosa a homossexualidade – com sentenças pesadas como “Acho que tem mais que assassinar mesmo” e “Eu acho que não deveria existir homossexual” – “Operação Tarântula” vocifera contra a guerra às minorias tão em voga nos discursos da direita dominante, que esquece que um governo é para todas as pessoas do país, e não apenas para a maioria branca, cristã e ‘de bem’. O negro, a mulher, o mendigo, o travesti e o gay também são cidadãos. Também pagam impostos, inclusive.

A outra composição da Afronta é “Violada por Deus”, cuja letra é sobre Maria, e a partir daí você consegue saber muito bem o enfoque lírico de crítica ao cristianismo – principalmente ao catolicismo, tendo em vista que esses adoram Maria quase que com a mesma devoção que o próprio Jesus – e seus conceitos. O som é uma porrada ultra sônica que abre com um riff pesado e cadenciado, e depois assume contornos do Hardcore e potencializa a agressividade de seus versos em música.

Recebemos a cópia em CD, que vem em um envelope caprichado com uma estupenda capa, que também escancara o posicionamento das sete musicistas das duas bandas: o atual presidente eleito aparece com sendo o Diabo. Se você curte Metal militante, é obrigatório comprar, compartilhar e conferir os dois grupos ao vivo assim que possível. Mas vale também para quem curte som agressivo sem se importar com as letras. O trabalho, tanto da Eskröta quanto da Afronta, é puro ódio.

FAIXAS
Eskröta – Burn the Poor
Eskröta – Playbosta
Afronta – Operação Tarântula
Afronta – Violada por deus

Facebook Afronta: www.facebook.com/afronta666
Facebook Eskröta: www.facebook.com/eskrota

Foto: Eskrota/Reprodução

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