[Cobertura] A festa viking do Amon Amarth em Curitiba; Powerwolf se iguala a banda principal

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Amon Amarth & Powerwolf
Tork N’Roll
Curitiba/PR
04 de março de 2020

por Clovis Roman e Kenia Cordeiro

Em sua quinta turnê pelo Brasil, o Amon Amarth já comprovou que tem uma legião de fãs por esses lados. Nas últimas três passagens em nosso país eles tocaram em Curitiba, e sempre com públicos expressivos, algo incomum por esses lados. Com o grupo sueco essa dura realidade não os afeta. Depois de tocarem duas vezes em uma casa modesta, agora eles subiram ao palco do Tork N’Roll, imenso e bem estruturado. Da última vez, em 2017, eles vieram com Abbath como número de abertura, o que foi ótimo. Agora, trouxeram outra grande banda, que estreava no Brasil: o Powerwolf.

O Powerwolf é um grupo alemão de Heavy Metal com ares grandiosos, algo como um Sabaton mais malvado – e bem melhor. Aliado ao som pomposo está a parte cênica, com os músicos tendo total noção de suas funções em cima do palco, as maquiagens e as vestimentas. O resultado é um show vibrante e intenso, que raramente dispersa a atenção do espectador. Foram 10 músicas em 60 minutos cravados. Foi pouco. O público presente, já numeroso, agitou como se eles fossem a banda principal da noite. Foi uma recepção que rendeu agradecimentos sinceros do vocalista Attila Dorn em mais de uma oportunidade. Outro que atua de maneira constante, quase como um segundo frontman, é o tecladista Falk Maria Schlegel, que assim como Dorn, é membro original. Ele chega a lembrar os personagens de Tobias Forge no Ghost.

Falk Maria, do Powerwolf

Como o setlist foi reduzido por serem uma banda de abertura, eles tentaram, da maneira que era possível, revisitar sua discografia, dando um tanto de ênfase ao mais recente álbum de inéditas, The Sacrament of Sin, de 2018: a bem humorada “Demons Are a Girl’s Best Friend”, “Fire and Forgive” e “Incense & Iron”. Só ficaram de fora mesmo os dois primeiros discos, Return in Bloodred (2005) e Lupus Dei (07). Ninguém reclamou, afinal, estão no ápice da carreira em todos os quesitos. Dorn muitas vezes interagiu com a plateia, às vezes até demais, como quando ficou ensinando por vários minutos uns coros antes de “Armata Strigoi”. Nem precisava tanto esmero, afinal, a galera cantou praticamente todos os refrãos, notadamente com mais força em músicas como “Sanctified With Dynamite” e “Amen & Attack”. Uma das vezes em que agradeceu a resposta efusiva dos curitibanos, o vocalista disse que queria que todos voltassem roucos para casa. Se eles fossem a única banda da noite, isso já teria acontecido.

REPERTÓRIO
Fire and Forgive
Army of the Night
Incense & Iron
Amen & Attack
Demons Are a Girl’s Best Friend
Armata Strigoi
Sanctified With Dynamite
Resurrection by Erection
Werewolves of Armenia
We Drink Your Blood

E a galera perdeu o resto da voz com a atração principal. Pontualmente às 21h30 (aliás, chega a ser impressionante como todos os shows da Liberation começam nos horários divulgados – isso sem contar a sempre alta qualidade de iluminação e som) o Amon Amarth começou seu set com a dobradinha novata “Fafner’s Gold” e “Crack the Sky”, que logo deram espaço para outra dupla, essa, matadora: “First Kill” e “Runes to My Memory”. “Bem vindos a nossa festa viking“, saudou o vocalista Johan Hegg, em português mesmo. A galera vibrou, e vibrou ainda mais quando tocaram duas das melhores músicas da banda em sequência. Primeiro, “Death in Fire”, do álbum Versus the World e a mais antiga de todo o repertório. Ela foi lançada em 2002, e foi a porta de entrada de muitos fãs mais antigos ao grupo, que na época despontava como uma promessa do Death Metal. Certamente a promessa virou realidade, tendo em vista o porte da banda nos dias atuais.

Ted Lundström, do Amon Amarth

Algumas músicas do ótimo Wide Oden on Our Side, que haviam ficado de fora nas duas últimas visitas da banda ao país, voltaram ao repertório, com bons resultados: tanto “Asator” quanto “Valhall Awaits Me” foram highlights de uma performance homogênea. Em todo caso, a rústica “Guardians Of Asgaard” e o maior hit “The Pursuit of Vikings” foram momentos marcantes. Nessa última, o público cantou até os riffs de guitarra, e no meio, a banda deu uma reduzida no andamento, com acompanhamento feito pelo baixo, para a galera entoar alguns versos. Foi o momento mais ruidoso de toda a apresentação, pois Hegg encorajou até mesmo aqueles que não sabiam cantar: “não importa se você não sabe a letra, cante junto. É Death Metal, ninguém entende a letra“, disse. “Fate of Norns” (onde surpreendeu a performance precisa do baterista Jocke Wallgren e a nova “Raven’s Flight”, com alguns riffs mais quebrados, também se destacaram.

O Amon Amarth tem uma coesão no palco rara de se encontrar por aí. Isso se deve, além do fato de terem grandes composições e serem músicos competentes, ao fato da linha de frente estar junta já há mais de 20 anos. Johan Hegg (vocal), Ted Lundström (baixo) e Olavi Mikkonen (guitarra) estão na banda desde sempre, 1992. O outro guitarrista, Johan Söderberg, entrou em 1998 e só não gravou o disco de estreia, Once Sent from the Golden Hall. Com tudo isso, tanto Powerwolf quanto Amon Amarth proporcionaram uma noite inesquecível ao numeroso público – certamente mais de 1000 pessoas.

REPERTÓRIO
Fafner’s Gold
Crack the Sky
First Kill
Runes to My Memory
Death in Fire
Deceiver of the Gods
Asator
The Fate of Norns
The Way of Vikings
Valhall Awaits Me
Raven’s Flight
Shield Wall
Guardians Of Asgaard
Raise Your Horns
The Pursuit of Vikings
War of the Gods
Twilight of the Thunder God

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