[Resenha] Minerva faz música para pensar ou simplesmente curtir o som

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Minerva – Dissociativo
(Electric Funeral Records – nacional)

por Clovis Roman

Dissociativo (2019) é o segundo álbum do conjunto de Poppy/Punk cearense Minerva, que foi formado em 2007. O primeiro disco deles, auto-intitulado, é de 2012. A formação do trio conta com Eliab Souza (bateria), Igor Mustafa (baixo e voz) e Leonardo Kenji (guitarra e voz). A produção e gravação foi feita por Kenji, e mixadas e masterizadas pelo produtor norte-americano Bill Henderson (ex-guitarrista da banda de post-hardcore Thursday). As letras abordam temas diversos, primordialmente sobre relacionamentos e mensagens positivas ao analisar situações adversas.

O álbum começa com duas músicas com letras mais analíticas, sobre ser você mesmo e ir atrás daquilo que te fará mais satisfeito consigo mesmo. “Dança Valentina” versa sobre garotas que brilham em seu próprio mundo, e “Asfixia” brada para você ir em frente, com versos como “Nunca qualquer um, sempre independente, tanta gente pensa errado sobre o diferente”. A composição, de fácil assimilação e empolgante, foi eleita como primeiro single do álbum.

Em “Clichês” a profundidade lírica é posta de lado em uma narrativa amorosa. A música é quase delicada, um potencial hit. “Baião de Um” também traz abordagem mais amena, mais uma ‘radio friendly’, mesmo incorporando sonoridades de música nordestina, como o próprio nome da canção sugere. A parte final com duas vozes não funcionou muito, pois cada um canta por si só. E como a única faixa a ter voz feminina é essa, esse trecho em específico acaba destoando de todo o resto. Na mesma linha musical estão “Dormente” e “Tarde Cansaço”, esta que traz alguns versos em inglês.

Após um punhado de sons mais diretos, daqueles que funcionam perfeitamente ao vivo, surge “O Coitado”, mais cadenciada, com percussão marcial e sonoridades que remetem ao Rock dos anos 70. Em “Borderline” – que já havia saído em 2017 no EP ao vivo Wazari Tour – as frases se relacionam com o transtorno de mesmo nome que se define pela instabilidade contínua no humor e comportamento; bem sacado. As letras mais contundentes podem, num primeiro momento, parecer destoantes com o Poppy/Punk do Minerva, mas curiosamente as análises críticas da banda na parte lírica acabam sendo um complemento sólido do instrumental melodioso, quase amigável, e grudento. Essas letras são as melhores do álbum.

O disco tem 11 faixas em 30 minutos, algo padrão nesse estilo musical. O som quase minimalista funciona melhor com essa fórmula, inclusive. O espaço de tempo condensado também facilita ao ouvinte fixar concentrado no álbum do começo ao fim. Portanto, o resultado final do segundo álbum do grupo é bastante positivo, e é indispensável para quem curte o estilo.

Músicas
1. Dança Valentina
2. Asfixia
3. Clichês
4. Baião De Um
5. Dormente
6. Borderline
7. Insone
8. O Coitado
9. Tarde Cansaço
10. Olha Pro Céu
11. Depois Do Jantar

Site oficial: www.bandaminerva.com.br

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