[Entrevista] As The Palaces Burn

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O grupo catarinense As The Palaces Burn é relativamente novo, entretanto conta com músicos experientes no cenário metálico nacional. A estreia discográfica do quarteto veio com End’evour, de 2019, cuja recepção foi excelente e rendeu ótimos shows de divulgação, como o realizado no lendário Otacílio Rock Festival 2020, um dos últimos eventos antes do começo da pandemia.

Para falar sobre as conquistas do debut, e principalmente, sobre os planos do futuro do ATPB, conversei com todos, via email. A banda é formada pelo membro fundador, o guitarrista Diego Bittencourt, Alyson Garcia nos vocais, André Schneider no baixo e Gilson Naspolini na bateria. No final, um vídeo inédito, dos bastidores da gravação do novo material do As The Palaces Burn.

A nossa resenha sobre End’evour você pode relembrar aqui.

por Clovis Roman

Para contextualizar tudo, nos contem como vocês se uniram para formar a As The Palaces Burn.
DB: Em abril de 2018 eu resolvi apresentar para cada um dos que hoje são integrantes do ATPB, a demo de duas novas músicas que eu recém havia finalizado para esse novo projeto. De imediato todos sinalizaram positivamente e iniciamos a gravações dos dois singles iniciais.

O Lamb of God tem uma música chamada “As The Palaces Burn”: o nome da banda veio daí?
DB: Não, não veio. A referida banda sequer é uma de nossas referências dentro do metal. “As The Palaces Burn” fez todo o sentido naquele momento em que formamos a banda, o cenário político brasileiro pegando “fogo”, um completo caos (não que agora esteja muito diferente).

As the Palaces Burn em ação no Otacílio Rock Fest 2020 (foto: Clovis Roman)

Ao ouvir o som do As The Palaces Burn, em um primeiro momento me vieram nomes como Nevermore, Pantera e Sepultura como influências diretas. Quais outras sonoridades vocês incorporam na música do grupo além dessas referências dos anos 90?
DB: Eu escuto do Rock n´ Roll até o Black Metal, então são inúmeras as referências e influências dentro disso tudo. Procuro sempre dar uma pitada de cada elemento principal de cada um dos estilos dentro do som do ATPB, pois há possibilidade para tal. Além de claro, guitarras de 07 cordas, afinações baixas e mescla de voz gutural com vocais limpos serem características da banda num todo.

AG: O mais interessante no grupo é a diversidade de influências de cada integrante, temos uma cozinha(Gilson na bateria e André no baixo) ambos trazem uma bagagem do rock progressivo/prog metal , o Diego na guitarra traz o que tem de mais pesado em nossa sonoridade, além dos arranjos intrincados. E eu proporciono um crossover vocal com transições melódicas e agressivas, bem colocadas, completando a sonoridade da ATPB. A proposta sempre foi diversidade na medida certa. No meu caso, o intuito foi criar uma identidade vocal moderna, trazendo muita versatilidade(expressões e drives vocais) além das influências do hard rock, metal melódico e heavy metal.

O álbum End’evour saiu há um ano. Como vocês enxergam esse trabalho nesse momento? Há algo que vocês fariam diferente se fosse hoje, no que tange a composição, execução e/ou produção?
DB: Foi o momento em que vivemos e que resultou o nosso primeiro disco. Creio que fizemos tudo da melhor forma possível naquele momento. Se fosse pra mudar algo hoje, talvez a mixagem final, mas não vem ao caso, pois como eu disse no começo foi um primeiro grande passo que precisamos dar naquele momento.

GN: Eu sempre penso em música como uma pintura. Quando um quadro está pronto? Se você continuar pintando, você vai chegar num ponto aonde tudo será apenas uma tela preta. Então, obviamente sempre teríamos mais coisas a fazer nesse disco, pois somos todos muito ativos quando se trata de composição, arranjos, produção. Mas não diria que temos algo a nos arrepender, pelo contrário, temos muito que tocar desse disco ao vivo ainda, eu espero que por longos anos.

Capa do disco de estreia, End’evour.

End’evour conta como faixa extra uma releitura de Abigail, de King Diamond. Ela foi gravada especificamente para o álbum ou ela veio de outra ideia? E como surgiu o convite para a participação do tecladista Fábio Laguna (ex-Angra)?
AG: O tributo ao King Diamond surgiu como opção para coroar o fechamento do álbum de estreia, nós buscávamos um clássico dos anos 80, algo que destoasse da nossa sonoridade e que pudesse possuir uma versão atual sem perder a essência. Ficamos muito satisfeitos com o resultado, para mim em especial foi muito significativo, pois tive a oportunidade de homenagear um dos cantores mais icônicos do metal á altura. A participação do Fábio Laguna foi uma ideia que surgiu em meio às gravações e o convite foi prontamente aceito pelo Fábio.

Vocês já fizeram dois vídeos no formato “quarentena”, ou seja, cada um gravando de sua respectiva casa: um foi “Gonna Be Fall”, para o Roadie Crew Online Fest, e outra “L.E.O.H.”, no canal de vocês. Há planos para outras apresentações nesse formato, quem sabe uma live com um repertório completo?
AS: Sim, temos planos nesse sentido. Acreditamos que durante essa quarentena as Lives ou mesmo vídeos gravados, sejam a melhor forma de entrar em contato com o público e divulgar nosso trabalho.

A banda soltou alguns vídeos mostrando as gravações de um vindouro EP. Primeiro, de onde veio à ideia de fazer essa série? Vocês já tem definida a quantidade de vídeos que sairão?
GN: Por uma oportunidade nos dada pelo fotógrafo e produtor visual Natanael Knabben, idealizamos capturar o processo de produção de uma das músicas do vindouro EP, desde sua criação até a última etapa de captação. A ideia era fazer algo mais simples e direto do que um documentário porém não tão superficial como uma simples postagem ou stories de instagram. Acho que conseguimos atingir o objetivo, que é criar interesse em nosso trabalho e trazer para as pessoas um pouco do nosso processo criativo, pela perspectiva da banda. A série terá ao todo cinco partes, iniciando pela pré-produção, seguida da captação de cada um dos instrumentos nesta ordem: bateria, guitarra, baixo e vozes.

Sobre o EP: Ele já tem título definido? Quantas músicas ele terá?
AS: O título do EP é All The Evil, que é inclusive homônimo a uma das músicas. Serão 03 músicas ao todo, sendo duas composições próprias e um cover.

Sobre o EP, sabe-se que ele terá uma releitura do Savatage. Houve muito debate para decidirem por “Hall of the Mountain King” ou a escolha foi tranquila?
AG: Foi muito semelhante à escolha de “Abigail”. Procuramos escolher um clássico de metal dos anos 80 e que não tivesse muitas versões. Essa música assim como Abigail tem um significado especial para mim, outro clássico que eu cantarolava quando mais jovem e hoje tenho o privilégio de dizer que fizemos um baita trabalho com essa homenagem.

A capa do EP é de autoria de Marcelo Vasco, renomado artista brasileiro que já trabalhou com bandas como Slayer. A concepção da arte foi direcionada pela percepção dele ao trabalho de vocês ou houve um direcionamento que vocês passaram para ele?
DB: O Marcelo é um grande amigo onde já tive oportunidade de trabalhar em outros momentos. Passei as letras e posteriormente a pré-produção das músicas que fazem parte do EP. Ele sacou a ideia de imediato e o resultado foi mais uma obra de arte oriunda das mãos dele.

Qual banda você acha que gravaria uma cover bacana de alguma das músicas do As The Palaces Burn?
AS: É legal pensar que alguma banda faria um cover nosso. Acredito que qualquer banda que faça um cover bem feito, o que demandaria tempo e dedicação, seria muito bem visto por nós. Nos Sentiríamos prestigiados.

Para finalizar convidamos a todos para conferir o último vídeo da série ATPB:REC (gravação das vozes), que completa a série que retrata a pré produção do EP ” All The Evil”. O EP tem previsão de lançamento para este segundo semestre de 2020.

Site oficial: www.asthepalacesburn.net

Foto de capa: Reprodução/Facebook

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