[Resenha] Coletânea da Metal Relics celebra o Metal ao redor do planeta

Nenhum comentário

Metal Relics – Hail the World Metal
(material gentilmente enviado por Metal Relics)

por Clovis Roman

Nascida com a intenção de unir todo o mundo em nome do Metal, para celebrá-lo acima de quaisquer diferenças que existam de país para país, a coletânea dupla Hail The World Metal reúne 23 bandas em 21 países, em um total de 24 músicas. A qualidade de gravação varia, mas nada aqui apresentado fica abaixo da nota 7,5 nesse quesito. Os países que tem mais de um representante são França, Alemanha e Brasil, que aparecem duas vezes cada. A curadoria ficou por conta de Pedro Zuppo, e o lançamento do material com a Metal Relics.

Essa excelente compilação abre com a única banda a contar com mais de uma música nessa compilação. Sendo a banda Living Metal, nada mais justo que todas suas músicas aqui terem a palavra mágica “Metal” em seus títulos. A primeira delas é “Hail the True Metal (Will Never Die)”, a música mais Manowar que o grupo de Joey DeMaio nunca fez. Essa verdadeira celebração ao Metal continua com Deadline, com sua “White Death”, um som mais cadenciado, mas com riffs cortantes e vocal mais grave, em momentos em um tom que chega a lembrar Blaze Bayley. Os sul-africanos deixam sua marca com uma ótima faixa, que é bem similar na temática e musicalmente com a anterior.

O Coven, que chegou a participar de uma edição do Roadie Crew Online Festival no mês passado, não se preocupa em esconder seu sotaque em “Wings of Glory”, que agrada mesmo com uma gravação um pouco mais simplória; o som do baixo e as linhas de guitarra alicerçadas em Iron Maiden convencem. Apesar da proximidade geográfica, eu nunca havia ouvido uma banda do Peru. Bom que meu primeiro contato com a música pesada desse país tenha sido por meio da NattHammer, da vocalista Fátima “Natthammer”, que comanda um Hard/Heavy classudo, com refrão que gruda na cabeça. Sujo e com gravação mediana, Witchseeker mostra que aprendeu muito com o Iron Maiden. O trio de Cingapura tem um disco lançado, When the Clock Strikes, de 2017, de onde veio sua contribuição nessa coletânea.

Diretamente do México, a Steel Night, novatos mas que já tem boa projeção em seu país de origem, também apresenta uma reunião de elementos característicos do estilo, com um vocal bem interessante. “Red Alert” vem do único álbum de estúdio do quinteto, Fight Till the End, que saiu ano passado. O Scala Mercalli, com “The 1000 (Calafatini Battle), mantém o ritmo, mesmo com um vocal exagerado e que oscila demais, assim como o Törpedo, cuja influência de Motörhead está até no nome. O som do grupo, “Sons of Evil”, é simples e grudento, certamente um grande hit nas performances ao vivo.

Eu acompanhei as músicas desses dois CDs sem ver os nomes das bandas antes. Só depois que fui pesquisar cada uma delas para escrever o texto. E a faixa 11 saltou aos olhos (ou ouvidos, no caso), se destacando muito, e imediatamente, como ‘highlight’. Quando conferi, era o Sunrunner, já conhecida dos nosso leitores. A banda é um absurdo de boa, tocando Metal de uma maneira um pouco menos áspera, com melodias e soluções inteligentes. Eles e os gregos do Rodhium, com “Memory of Light”, ganhariam medalhas de ouro nesta primeira parte, caso a coletânea fosse uma competição. O Gorgeous, com seu som mais acessível, oferece um belo encerramento da primeira parte dessa coletânea global com “Speeding”.

CD 2
O Living Metal novamente abre os trabalhos, com a música quase homônima “Living For Metal”, com cozinha pulsante e riffs metálicos simples e certeiros, complementados por vocais que mesclam agudos e partes mais agressivas, com versos e refrão certeiros. Seus quase sete minutos passam voando. Bem mais brando, com nuances de Hard Rock na interpretação, o Wings of Decay convence com “Crossroad”. O Diamond Chazer faz um tributo à “Crazy Train”, de Ozzy Osbourne, na intro de “Tokyo Rendevouz” – é impossível que não tenha sido proposital -, um som normal, que não chega a ser maravilhoso mas mantém o interesse do ouvinte. E seu refrão é bem curioso e, ao mesmo tempo, cativante. Antes, “Hellfire”, do Infamy, é outra que quase passa batida. Apesar do vocal apenas mediano, a audição é agradável, mas as memórias dela permanecem por pouco tempo.

O Psywar, das Filipinas, eleva novamente o nível com “Malaya”, usando bem todos os elementos principais do Metal. Com certo clima épico e pomposo, o Oznor abre com a instrumental “Stormbringer” com dedilhados beirando o Thrash, para entrar em um som midtempo bem dinâmico. Mais sujo e direto, o Nightchains manda bem seu recado em “The Law”, uma ode ao Heavy Metal, com vocais mais rústicos – os agudos poderiam ser eliminados sem maiores traumas. Outra que celebra o estilo de música é “Heavy Metal Army”, do Metal Genocide, um som bacana, mas muito extenso para sua estrutura. O Dead Zone surge com uma gravação mais básica, mas bastante razoável, com excelente instrumental. Infelizmente, o vocal é bem fraco e o refrão de “Nightrider”, simplório. O Steel Witch brilha com “The Midnight Hunt”, um som cru mas com grande potencial, pois tem ótimas linhas vocais – além disso, o vocalista canta sem querer aparecer ou exagerar, com um resultado formidável. A parte mais lenta no meio mostra como os caras sabem compor e organizar uma boa música.

Os ‘hermanos’ do Bazofias, formado em 2017, apresentam “Tu Estrella”, do EP de estreia, Naturalmente Metal. A canção varia pouco, portanto seis minutos é mais do que o necessário para apresentar a ideia central. O riff principal é bacana, a gravação é mediana e o vocal, básico. O cenário da Argentina é repleto de ótimas bandas, e o Bazofias, ao lapidar suas composições, pode se destacar naquele meio. Outra banda novata encerra esta ótima coletânea: o Olymp, da Bavaria, formada por ex-integrantes do Moral Hazard. “Icarus”, que saiu como single ano passado, traz um ritmo acelerado, com boas variações e vocal correto, que não se destaca, tampouco compromete. A gravação é magrinha, com pouco peso, mas mesmo assim, convence. Quando eles lançarem um álbum completo, com uma produção digna, certamente farão barulho.

Metal Relics
Fundada em 2016, a Metal Relics é uma loja/selo especializada em heavy metal e todas as suas vertentes, com foco em edições físicas, especialmente materiais raros e diferenciados, nacionais e/ou importados. Como selo, já lançou seis títulos: “Heart of the Ages” e “Omnio” do In The Woods, “The Astral Sleep” do Tiamat, “Ophidian Wheel” do Septicflesh, “Down Below” do Tribulation e o mais recente, a compilação resenhada acima, Hail The World Metal.

Metal Relics: metalrelics.com.br
Living Metal: www.facebook.com/LivingMetalOfficial

Músicas
CD 1
1) Living Metal – Hail The True Metal (Will Never Die) | Brasil
2) Deadline – White Death | Africa do Sul
3) Coven – Wings Of Glory | Japão
4) Natthammer- Lonely Heart | Peru
5) Witchseeker- Speed Way | Singapura
6) Steel Night – Red Alert | México
7) Scala Mercalli – The 1000 (Calatafimi Battle) | Itália
8) Torpëdo – Sons Of Evil | Alemanha
9) Rhodium – Memory Of Light | Grécia
10) Fretless – Freedom | Suécia
11) Sunrunner – The Scout | Estados Unidos
12) Gorgeous – Speeding | França

CD 2
1) Living Metal – Are You Ready For Metal / Living For Metal | Brasil
2) Wings Of Decay – Crossroad | França
3) Infamy – Hellfire | Índia
4) Diamond Chazer – Tokyo Rendezvous | Colômbia
5) Psywar – Malaya | Filipinas
6) Oznor – Stormbringer | Eslováquia
7) Nightchains – The Law | Líbano
8) Metal Genocide – Heavy Metal Army | Chile
9) Dead Zone – Nightrider | Rússia
10) Steel Witch – The Midnight Hunt | República Tcheca
11) Bazofias – Tu Estrella | Argentina
12) Olymp – Icarus | Alemanha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s