[Entrevista] Dinnamarque, uma banda de muitas faces

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Com quase 20 anos desde sua fundação, a banda mineira Dinnamarque passou por diversos momentos até chegar de fato ao seu álbum de estreia. O resultado final agradou bastante público e crítica, como você pode conferir em nossa resenha de One Spirit of a Thousand Faces.

Todavia, como complemento de nossa matéria, trazemos aqui uma entrevista com o grupo, que nos conta toda sua jornada e mais detalhes sobre o disco.

por Clovis Roman

O Dinnamarque mescla diversas influências dentro do metal. Qual gênero vocês usariam para tentar definir o estilo da banda?

Rafael – Costumo chamar de Metal, pois temos um pouco de cada vertente dentro das nossas influências.

Linassi – Nossas influências pessoais vão desde Hard Rock até Black Metal. Tentamos não colocar rótulo em nosso som, mas já fomos rotulados como Heavy Metal Tradicional e também como Prog Metal. Mas isso são só nomes.

Ronan – “Traditional Heavy Thrash Pogressive Black Hard Metal” (risos).

Lanny – Esse primeiro álbum traz um leque de influências de cada um de nós, por mais que os principais compositores sejam: Rafa e Linassi. No entanto, vem trabalho novo por aí… e esse já está com uma identidade maior entre as músicas.

O primeiro álbum saiu em 2020, porém a banda foi criada em 2002. Quais foram os percalços que os levaram a esta demora até sair “One Spirit of a Thousand Faces”?

Rafael – Temos o maior percalço que imagino ser o mesmo de muitas bandas pelo nosso país, que é a falta de grana pra investir e a falta de investidores também. Pois infelizmente o Metal não é um estilo que predomina no país, e isto não atrai investimento.

Linassi – Todos temos que trabalhar em diversas áreas diferentes, inclusive tocando muitas vezes o que não gostamos para pagar as contas. Isso inviabiliza uma total dedicação à banda e consequentemente a estagnação em alguns momentos.

Ronan – Para mim, os maiores percalços foram grana e conseguir conciliar a agenda de todos. A medida que os anos se passaram começamos a ter mais obrigações e menos tempo para concretizar o álbum.

Lanny – Concordo com meus amigos e colegas de bandas, e vejo também que faltou um pouco de maturidade a cada um de nós para aproveitar algumas poucas oportunidades.

Algumas letras são fascinantes, em específico “The Death Dresses White”. Como chegaram a este conteúdo e como foi torná-lo uma letra de fato?

Rafael – Quem vai explicar melhor sobre essa música é o Linassi que compôs.

Linassi – Neste primeiro álbum não temos um tema único sendo abordado, como será o caso do próximo álbum. Sendo assim, entraram diferentes tópicos, e Serial Killers sempre foi um assunto que chamou atenção. Há uma outra música que não chegou ser gravada ainda, que chama “Angel of Mercy”, que seria como uma continuação de “The Death Dresses White”; ambas tratam sobre a enfermeira Jane Toppan, que matava suas vítimas acreditando estar salvando-as e levando-as à redenção divina. Tem também a “Evil Celebrities” que engloba outros assassinos famosos na história do mundo.

Ronan – Quase todas as composições do One Spirit foram criadas pelo Rafael e o Linassi. São dois “loucos”. Tocar com eles sempre é muito enriquecedor e tudo parece sair quase pronto da cabeça dos caras. Quando entrei, ela (música) já estava no jeito. Composição da cabeça perturbada do Linassi! (risos) Também acho fantástica!

Lanny – (Risos) O Ronan disse tudo. De fato esses 2 são exímios compositores e o Linassi por sua vez consegue achar inspiração em lugares e situações inesperadas.

A capa do álbum da Dinnamarque

“Battlefields” é sobre a batalha de Little Big Horn, e há passagens musicais que se mesclam ´contextualizam´ os versos cantados. Como foi fazer esta união? E você concorda que esta faixa tem um clima meio “Falling Into Infinity” (Dream Theater)?

Rafael – Quando o Linassi trouxe essa música pra banda, na hora eu já comecei a pensar nos teclados e nas linhas de vocais que poderiam mesclar nela, pois é uma música forte com uma letra que fala de uma história marcante, e achava que precisava ser algo épico. “Falling into Infinity” é um álbum bem eclético do DT, pode ser que algumas partes da “Battlefields” tenha essa mesma características e outras sejam mais pancada.

Linassi – Apesar de gostar muito de DT, não foi algo pensado. Pra você ter ideia, eu estava ouvindo “Death” quando compus a base do solo da “Battlefields”. Como falamos antes, as influências são inúmeras e volta e meia vai lembrar alguma música ou banda que gostamos.

Ronan – Essa vou deixar para os caras responderem (Linassi/Rafael), mas não acho que ela tenha um clima Dream Theater. Realmente tem vários “temas” na música, mas creio que a intenção foi mais criar um contexto de “historia” como faziam as orquestras sinfônicas para descrever caçadas ou guerras.

Lanny – Já que o próprio compositor já respondeu, só me resta parafrasear meu pai: “Essa música é muito boa, cheia das quebradas (quebra de rítmico/expectativa).”

Um dos destaques que apontei na resenha do disco de vocês foi que não há enrolações: as músicas vão direto ao ponto, o que pode ser notado pela duração média das faixas. Este foi um movimento consciente de vocês, ter esta preocupação de não fazer músicas muito longas e/ou repetitivas?

Rafael – Bem na verdade a única coisa que eu pontuei que o álbum teria que ter é no máximo 1 hora, pois é o tempo de um LP, e eu acho que é o tempo que deixa o ouvinte com vontade de ouvir novamente, mas em relação ao tempo das músicas não pensamos muito, fluiu naturalmente. Quanto à duração das músicas depende mesmo da temática e do que pede cada faixa. Um exemplo em primeira mão é o nosso segundo álbum, que já está em fase de gravação, temos uma música de 10 min.

Linassi – Duas faixas que foram gravadas, mas que não chegaram entrar no álbum tinham em torno de 7, 8 minutos. Estas sim a gente achou que estavam repetitivas e acabamos cortando umas partes, diminuindo para 5, 6 minutos. De resto, creio que foi como tinha que ser mesmo. Hoje em dia não tem mais aquela demanda radiofônica, a qual exigia que uma música comercial tivesse apenas 4 minutos. Isto dá mais liberdade artística, afinal tem música que se resolve em 3 minutos, tem outras que se resolvem em 15. Não tem que haver regras pra isso.

Ronan – Creio que foi uma boa escolha fazer o álbum assim. Deixou o pessoal mais instigado a escutar outro material da banda. Mas, creio que não foi intencional. Não tem receita de bolo pra isso. “Se ficou legal para os ouvidos, bora soltar pra galera!”

Lanny – Eu enxergo nossa banda com 2 momentos bem  definidos: EP e pós EP.
No Período do EP foram aproveitadas músicas de um outros momentos vividos pelo Linassi e o Rafa. Como citado anteriormente,  algumas músicas dessa época, até foram cortadas do álbum por não conseguirem mais se encaixar no novo momento da banda. Assim que o Rafa nos apresentou a composição “Revelations” senti que ali era um caminho em que todos gostaríamos de seguir. E então, as músicas mais diretas começaram a ter um espaço natural na composição do disco.


“One Spirit of a Thousand Faces” reúne músicas antigas (que estavam no EP de 2007) e outras feitas depois. Sobrou algum material para um segundo álbum completo?

Rafael – Na verdade já estamos com o segundo álbum em fase de gravação e temos já músicas para um terceiro.

Linassi – Só eu tenho 23 músicas de sobras do passado. Já pensei em lançar como trabalho solo, e algumas caberiam no trabalho da Dinnamarque. O Rafael deve mais umas 30 ou 40 pelo menos. Compor nunca foi o nosso problema. O que tentamos fazer é manter uma coesão sonora, o que poderá ser observado no segundo álbum e certamente no terceiro também.

Ronan – Rapaz, nem te conto! (Risos) Sim! Temos muito material para lançar um segundo álbum.
Lanny – Sigo os Relatores!

Aliás, há planos efetivos para um novo disco ou ainda é muito cedo?

Rafael – Como falei acima estamos em fase de gravação. Já finalizamos as gravações de batera e estamos na parte de edição e preparação pra fazer os baixos e guitarras.
Estamos com a previsão de lançar ele entre final de fevereiro e princípio de Abril.

Linassi – Demoramos demais para lançar o primeiro devido a todas adversidades ao longo do caminho. Agora temos “fome” de lançar mais e mais material.

Ronan – Com certeza! Já está em andamento. Creio que em 2021 já teremos coisa nova pra vocês!
Lanny – @dinnamarqueofficial! Fiquem ligados!

Qual banda ou artista você acha que gravaria uma cover bacana de alguma das músicas da Dinnamarque?

Rafael – Nossa não tenho muita ideia de qual artista, mas seria uma honra pra gente que algum dia alguém gravasse um cover nosso.

Linassi – Nunca pensei sobre isso, mas seria muito legal ver o que outras mentes fariam com nossa música, seja fazendo apenas um cover ou alguma versão diferente da original.

Ronan – Qualquer homenagem já seria uma honra! Ser influência para outras pessoas é algo que nunca me veio a cabeça.

Lanny – Nunca havia parada pra pensar nisso! E realmente não tenho ideia. Mas, com certeza, uma experiência muito interessante!!!

Informações
Bandcamp: dinnamarque.bandcamp.com
Spotify: open.spotify.com/artist/5FIt75EhwGFCmuGykyKwnz
Facebook: www.facebook.com/dinnamarqueofficial
Youtube: www.youtube.com/dinnamarqueofficial

Foto: Cristiano Kriss

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