[Resenha] Veteranos do ZSK seguem firmes nas lutas sociais com excelente disco de ska/punk

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ZSK – Ende Der Welt
(Shinigami Records)

Por Clovis Roman

São mais de 15 anos fazendo resenhas de discos, e uma das coisas mais divertidas nesta minha profissão é descobrir novas bandas. Ou bandas antigas das quais eu nunca tinha ouvido falar. Os alemães da ZSK são um desses casos. Ao folear o encarte e ver letras em alemão e uma capa etérea, imaginei um metal industrial sujo e tenso, algo como um Rammstein para adultos. Ledo engano. O som da experiente banda alemã é um punk rock/ska contagiante, com temática lírica mais voltada à esquerda, definindo de maneira bem superficial. As letras parecem abordar tanto temas políticos quanto situações da vida cotidiana. O som remete a banda como Anti-Flag.

O grupo surgiu em meados dos anos 1990, e apoia seu som em estilos que rondam o punk e o ska. Eles chegaram a interromper suas atividades em 2007, porém retornaram às atividades em 2011, e Ende der Welt é seu sétimo trabalho de estúdio, lançado pela Century Media em território internacional, e no Brasil, de maneira louvável, pela Shinigami Records.

Os trabalhos começam com duas faixas mais acessíveis; primeiro, “Ich Feier Euch”, com partes velozes mescladas a breves trechos mais amenos – o refrão é pra ser cantado ao vivo a plenos pulmões. Depois, “Die Kids Sind Okay”, que ganhou um videoclipe bastante divertido, quase lúdico, segue mais ou menos as mesmas diretrizes da anterior, e inclui um minúsculo solo de guitarra curioso. Então, surge o excelente ska “Mach’s Gut”, com um coral de crianças muito bacana. O hardcore/punk veloz da faixa título empolga, e certamente vai render momentos de pandemônio nos shows ao vivo, quando estes voltarem a acontecer normalmente. Esta é outra que tem videoclipe, com cenas bastante coloridas e mostrando um monte de adultos se divertindo como crianças – mas a mensagem é clara: A frase “Fight Racism” ganha destaque nas cenas.

Surpreende a passagem mais rap no meio de “Kein Talent”, logo rebatida com o poder sonoro de “Sag Mir Wie Lange”, bem mais palatável e com um andamento empolgante alicerçado pela percussão primitiva e palhetadas secas, além de partes mais raivosas do vocal de Joshi. O refrão, esplendoroso, conquista de vez, em uma das melhores faixas do trabalho. A composição mais extensa do disco é “Stuttgart”, a única que ultrapassa a marca de quatro minutos de duração. O som é mais acessível, melódico e com um ar melancólico perfeito para ganhar um videoclipe, daqueles que rolariam na MTV caso o canal ainda existisse. É uma música brilhante, quase emocionante, e olha que eu nem sei do que a letra fala.

Cheia de energia, “Alle Meine Freunde” é outra bastante amigável para um público maior. Curiosamente, durante a confecção desta resenha, a banda lançou um videoclipe absolutamente genial:

Para deixar bastante claro o posicionamento político, a banda inseriu um refrão em inglês em “No Justice”, onde bradam “No justice, no peace, no racist police” logo na abertura, acappella. A frase ganhou força em 1995, quando um policial branco, em seu dia de folga, matou um morador de rua preto. O assassino, assim que consumou o ato, foi embora e deixou Joseph Gould agonizando até falecer. Este grito de protesto voltou a ganhar força no recente caso da morte de George Floyd, outro caso entre milhares de outros onde um policial branco tirou a vida de um homem negro. Sem contar que “No justice, no peace” remete a casos ainda mais antigos de racismo em âmbito mundial. Apesar da mensagem forte, a música que a acompanha, em geral, é cadenciada, lembra coisas do The Mighty Mighty Bosstones sem os metais. No refrão há uma dose extra de peso, entretanto. Pela carga da importante mensagem e pela composição marcante, é a melhor música de todo  o álbum.

Mais melódica, “Mein Zuhause Ist Bei Dir” mantém a qualidade em alta, com um som básico e efetivo. Com ares deliberados de despedida, a semi apoteótica “Ich Habe Besseres Zu Tun” diz adeus com a força positiva de um “até breve”. Os coros de “ô ô ô” são grudentos e a música, tranquila, é ótima. A letra fala que fala sobre o virologista Christian Drosten, e seu videoclipe – sim, eles gostam bastante de vídeos – é outro extremamente divertido.

Recomendo para aqueles que, assim como eu, não conheciam a banda, que confiram “Ende Der Welt”, pois ele proporciona um pouco mais de meia hora de ótima música. Soma pontos o fato da banda se posicionar em relação a determinados comportamentos, usando sua música como um canal de protesto e clamor por mudanças. Ah! Uma banda que lança uma música chamada “Make Racists Afraid Again”, o que reforça seu caráter anti fascista e anti nazista, merece todo o respeito. Cheerz!

Compre o disco: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9480718-ZSK—Ende-Der-Welt

Músicas
1. Ich Feier Euch
2. Die Kids Sind Okay
3. Mach’s Gut
4. Ende Der Welt
5. Kein Talent
6. Sag Mir Wie Lange
7. Stuttgart
8. Alle Meine Freunde
9. Rumstehen
10. No Justice
11. Mein Zuhause Ist Bei Dir
12. Ich Habe Besseres Zu Tun

Site oficial: https://www.skatepunks.de

Foto: Matthias Zickrow

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