[Resenha] Phil Campbell and The Bastard Sons – We’re The Bastards

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Material gentilmente enviado por Shinigami Records

Por Clovis Roman

O Phil Campbell and the Bastard Sons é a banda formada pelo ex-guitarrista do Motörhead, Phil Campbell, ao lado de seus filhos: Todd Campbell (guitarra), Dane Campbell (bateria) e Tyla Campbell (baixo). O único que não pertence é o bom vocalista Neil Starrs (vocal). Antes de analisar o segundo álbum, We’re the Bastards, preciso frisar outra informação menos difundida: além do Motörhead, Phil tocou no Persian Risk, que revelou um monte de gente boa para a música pesada: os vocalistas Carl Sentance (ex-Krokus, atual Nazareth) e John Deverill (que gravou diversos discos com o fantástico Tygers of Pan Tang), e o guitarrista Graham Bat (gravou Children of Madness, do Battlezone, e tocou na banda de Paul Di’Anno). Agora, voltemos ao tema central da resenha.

A faixa de abertura de We’re the Bastards é a sensacional faixa título, com uma letra que fala basicamente da família e da vida do rock and roll, e ainda cabe uma citação ao disco de estreia do conjunto, nos versos “Spending another day in the age of absurdity. Can’t wait to the feel the road moving right under me”. A música em si remete aos tempos de Overnight Sensation, do Motorhead. Igualmente cheia de energia é “Son of a Gun”, onde o baixista Tyla explica que a letra é de Neil, adicionando que “Ele provavelmente estava muito bravo com algo quando a escreveu ”. “Promisses are Poison” pisa um pouco no freio, seguindo as diretrizes do par anterior, abrindo espaço para “Born to Roam”, com toques de blues, principalmente na introdução. Refrão forte e marcante.

Outra a lá Motorhead é “Animals”, quase um power metal no trampo das guitarras, onde é possível imaginar Lemmy vociferando seus versos com aquela voz rouca e grosseira. Este flerte com o heavy metal – é a “Screaming for Vengeance” do trabalho – alivia apenas no refrão, mais ritmado e acessível. A esta altura impressiona a produção enérgica, cristalina e ainda agressiva, cortesia de Todd. A mixagem e masterização ficaram a cargo de Soren Anderson (Glenn Hughes/ The Dead Daisies).

“Bite my Tongue” é outro rockão de responsa, com letra agressiva: “Don’t even think about it, just shut your mouth, ‘cos every time its opens shit just flies out […] I never asked for your opinion”, esbraveja Neil. Guiada por gaitas e guitarras moderadas, a meio stoner “Desert Song”, a despeito dos solos, não chega a brilhar no meio de outras tantas excelentes faixas. É boa, sim, mas fica ali no meio do bolo. O álbum, entretanto, não chega a baixar o ritmo, afinal, a vigorosa “Keep Your Jacket On”, um blend de AC/DC com Motörhead, agita tudo novamente. Neste ponto do trabalho, ficam claras suas grandes qualidades, como os refrões fortes e o trabalho primoroso das guitarras alicerçado pela cozinha correta e certeira.

Com “Lie to Me” (com sua marcante – e infelizmente curta – intro heavy metal) e “Riding Straight to Hell”, o disco segue em alta, com melodias cativantes e peso, principalmente na primeira. Com contornos mais modernos – mas de leve –, “Hate Machine” é áspera, reta e bastante efetiva. A letra, obviamente, é ameaçadora, agressiva, destemida. “Destroyed” é um hardcore irritado, o que não chega a espantar, considerando que a faixa conta com os vocais de Harley Flanagan, do grandioso Cro-Mags. Dando uma volta de 180º e levando o álbum a um encerramento cheio de feeling e sobriedade, a belíssima balada “Waves” (outra com magistral trabalho das guitarras) cumpre seu objetivo.

A versão brasileira apresenta quatro faixas extras, como se o próprio álbum em si não fosse motivo suficiente para compra-lo. As faixas, registradas em uma sessão de estúdio promovida pela Kerrang!, são: a espetacular “Big Mouth”, que saiu no EP de estreia e que leva o nome da banda, de 2016; “Freak Show” e “Dark Days”, do debut The Age Of Absurdity (2018) e “Rock ‘n’ Roll”, de um quarteto que você deve imaginar qual é. São mais 15 minutos de rock and roll do mais alto calibre, além do ouvido nas 13 faixas regulares.

Relembre nossa entrevista com a banda, feita há alguns meses! ☺

Foram dezesseis álbuns de estúdio que Phil Campbell gravou com o Motörhead, portanto semelhanças não podem ser totalmente evitadas. Mas o fato é que o Phil Campbell & The Bastard Sons é um grupo com identidade e som próprios, que celebra o rock and roll de maneira séria e ao mesmo tempo despojada. Se o debut já era bacana, We’re The Bastards é um passo a frente. O disco é forte, pesado e envolvente, e pode rodar diversas vezes na sequência, sempre sendo um deleite para os ouvintes; e digo isto com conhecimento de causa: O CD rodou um dia inteiro no escritório do Acesso Music, sem folga. Com a questão pandêmica resolvida, devem voltar em breve aos palcos, pois como Tyla nos contou: “Somos uma banda que meio que pertence ao palco, para tocar ao vivo em frente de todos os nossos fãs”.

Ainda sobre os shows, Tyla explica: “Grande parte dos nossos fãs são fãs do Motörhead, obviamente por causa do Phil. É sempre divertido tocar músicas do Motörhead para os fãs. Temos [nos repertórios] um tanto de material original, algumas músicas do Motörhead que sempre tocamos e uma cover para descontrair”. Tem fórmula melhor?

Compre: https://www.lojashinigamirecords.com.br/p-9478479-Phil-Campbell-and-the-Bastard-Sons—We-re-the-Bastards

Músicas

  1. We’re The Bastards
  2. Son Of A Gun
  3. Promises Are Poison
  4. Born To Roam
  5. Animals
  6. Bite My Tongue
  7. Desert Song
  8. Keep Your Jacket On
  9. Lie To Me
  10. Riding Straight To Hell
  11. Hate Machine
  12. Destroyed
  13. Waves
  14. Big Mouth (bônus ao vivo)
  15. Freak Show (bônus ao vivo)
  16. Dark Days (bônus ao vivo)
  17. Rock n Roll (bônus ao vivo)

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