[Resenha] Beltane: The Tales of Pantheon

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Beltane – The Tales of Pantheon

(nacional – independente)

Material gentilmente enviado pela banda Beltane

por Clovis Roman

A Beltane percorreu um longo trajeto entre o álbum completo de estreia, The Wheel of Sabbaths (2006), até The Tales of Pantheon, que chegou ao mercado em 2019. Um segundo disco, com o título Awake the Gods (seria um trabalho conceitual sobre a mitologia grega por meio dos doze deuses olímpicos) chegou a ser anunciado no meio deste caminho, mas naquele momento o projeto acabou arquivado. A hora de um novo  CD da Beltane enfim chegou, e por mais que estes treze anos de distância possam ter parecido infinitos para os fãs, a espera valeu a pena. Isto fica evidente em cada segundo deste registro, no qual o quinteto conseguiu lapidar e refinar quase à perfeição cada uma das músicas.

A evolução é evidente, nos mais diferentes pontos de análise. A qualidade de gravação e produção estão melhores, afinal, atualmente há muito mais facilidades e recursos disponíveis para gravação. Outro fator é que foi inserido uma dose extra de peso àquelas melodias e passagens que caracterizavam o som da banda no álbum anterior. O trabalho das seis cordas está fenomenal, tanto na execução quanto nas timbragens. A cozinha é relativamente discreta, com a bateria conduzindo precisamente as levadas, sem preciosismos, e o baixo encorpado alicerça todas as camadas. Sem contar que há momentos em músicas como “Athena” em que Claiton Langner rouba a cena com inserções certeiras. Nesta também há um duelo violento de guitarras.

Apresentando belos arranjos vocais, “Following the Goat” conta com sutis coros no pré-refrão. Quando entra no refrão em si, grandioso e acessível, o ouvinte encontra aquelas melodias características do Beltane. Entra no panteão de clássicos do conjunto de Iraty. Após um par de audições, os versos “In the darkness of my years, when the sand will be filled…” jamais sairão da sua cabeça. Outra cativante é “Belenus”, acerca de uma divindade, na mitologia celta, também conhecida como Apolo e designada como Deus do Sol. Tudo a ver com o nome do grupo, inclusive. Os riffs de guitarra são excelentes, e o andamento cadenciado dos versos é convidativo para cantar junto.

Com ares de Helloween, “Faster Than All” tem partes mais velozes, como o próprio título sugere. A canção abre espaço para outra música espetacular: “Goddess of Seed”. Aqui, os planetas se alinharam e a inspiração chegou para os caras em toda a sua plenitude. Refrão genial, trabalho de condução da bateria e da cozinha como um todo, idem, riffs impressionantes. Tudo organizado a fim de criar um som apoteótico, para levantar o público nos shows ao vivo. A parte após o solo vai criando uma leve tensão até o retorno do magistral refrão. Medalha de ouro para o Beltane.

Outras que carregam em si linhas vocais marcantes são a veloz “Queen of Beasts” – balanceada com a sucessora “Glory of Mars”, mais pomposa e moderada – e “The King of the Seas”, com mudanças, riffs, solos e bateria impiedosa. A letra, claro, fala sobre o deus dos mares, Poseidon/Netuno. A faixa, inclusive, virou um excelente videoclipe, pela Bulk Ink Films. O encerramento com “God of Thunder”, de maneira alguma baixa o ritmo. O som, com aquela identidade peculiar do grupo, é de fácil memorização e parece ter vindo do disco de estreia. O Beltane evoluiu, cresceu, porém não se desconectou da obra criada em sua trajetória de vinte e cinco anos. 

A capa conversa com os primórdios da banda, afinal, a arte foi desenvolvida por Deivis Goetten, o mesmo que fez a capa do EP de estreia, The Ritual Has Begun (2003). As músicas tem em média cinco minutos de duração, porém soam sempre interessantes e empolgantes. Sempre admirei o trabalho da Beltane, e vi muitos shows deles nos últimos quinze anos. Mesmo assim, me impressionei bastante com a qualidade e profissionalismo que este CD exibe. A produção está cristalina (a mixagem e masterização ficaram a cargo do renomado Aly Fioren, do Funds House Studios), com o peso necessário, as composições são bem estruturadas e até mesmo a distribuição das faixas no disquinho foi feita de maneira inteligente. O power metal da Beltane está ainda mais power. Soberbo!

Conheça mais: https://www.instagram.com/beltanebrazil

Ouça:
Spotify: https://open.spotify.com/artist/7Er5KReHNv3eRa0GkODJky
Deezer: https://www.deezer.com/br/album/95063432 

Faixas:

  1. Dominus Metallum (Prelude)
  2. Following the Goat
  3. Athena
  4. Belenus
  5. Faster Than All
  6. Goddess of Seed
  7. Queen of Beasts
  8. Glory of Mars
  9. The King of the Seas
  10. God of Thunder

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