[Resenha] Uganga – Servus

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Uganga – Servus

material gentilmente enviado por Som do Darma

por Clovis Roman

O uGanga é uma banda que eu gosto muito. Então ouvir e resenhar o novo trabalho dos caras é uma tarefa a ser feita com um cuidado extra, para filtrar da maneira mais isenta possível os acertos e erros do trabalho em questão. Deixando meu gosto pessoal para lá, mesmo assim senti uma boa expectativa ao pegar Servus na mão. O disco saiu em formato digipack, a capa tem cores vibrantes e o encarte é bem balanceado, com fotos promocionais e ao vivo inseridas em um contexto gráfico. Produzido pelo vocalista Manu Joker, junto a Gustavo Vazquez, o material foi financiado pelo Wacken Foundation (sim, daquele festival), e pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC) de Uberlândia.

Musicalmente, a percussiva “Anno Domini” abre caminho para a nervosa faixa título, cujo clipe foi lançado meses antes do lançamento do álbum em si. A música explicita uma influência mais forte do Thrash Metal, principalmente nos riffs de guitarra. O grupo parece mais metalizada que no anterior, Opressor (2014). A produção também deu um passo a frente, pois está praticamente impecável, tudo bem equalizado e na medida, o que refinou o peso dos sons. Até mesmo “O Abismo”, mais psicodélica, um tanto progressiva, é uma paulada. Aliás, essa é o grande destaque do disco, som colossal que quase no final surpreende o ouvinte com um solo esquizofrênico de saxofone. Tá, não é um John Zorn, mas é bem curioso.

Como um interlúdio, a lenta “Dawn” anuncia “Hienas”, de letra forte e sonoridade que lembra o CD anterior, com os vocais de apoio gritados. O som em si é cadenciado e alterna riffs ganchudos com passagens mais amenas. A participação do artista chileno Dr. Lexico é outra surpresa, colocando uma pitada de Rap na receita do Uganga. Outra que remete à Opressor é “7 Dedos (Seu Fim)”, com algo de Hardcore no meio do Metal. As letras em português e a disposição das frases nas canções é o grande diferencial, dando uma cara única ao som.

Dois momentos não completamente inéditos de Servus são as faixas “Couro Cru” e “Lobotomia”. Sobre a primeira, ela é original do ‘debut’ Atitude Lotus (2003). Ela já havia sido resgatada no DVD lançado ano passado, Manifesto Cerrado, e agora em Servus recebe sua versão final. Quando eu os entrevistei na época, jurou que essa seria a última vez que a gravariam. A versão aqui ficou menos dura que a do ano passado, recorrendo novamente a passagem reggae da original. A outra é uma releitura da banda de mesmo nome. Vale pela homenagem, mas é o momento menos inspirado de toda a audição, afinal, as composições próprias são muito mais fortes. A música não é ruim, certamente, mas prefiro o Uganga resgatando seu próprio passado, assim como fez com “Couro Cru”.

E provando que o que o Uganga tem de melhor é sua própria criatividade, “E.L.A.” é um som inclassificável, brilhante, que une em si possivelmente todos os estilos musicais existentes. Aqui há a participação especial de Flaira Ferro, dançarina e cantora pernambucana, que divide as vozes com Manu Joker e Luiz Salgado, outro convidado especial. Ela se soma a “Depois de Hoje…”, que com as reticências do título sugere que haverá mais capítulos nessa história, encerra de maneira sublime um trabalho extremamente forte. O Uganga, como documentado em seu DVD, passou por momentos complicados nos últimos anos. E Mas isso parece ter fortalecido ainda mais o núcleo, o que culminou nesse inspirado Servus. Trabalho fantástico, para dizer o mínimo.

Vale frisar que a banda teve duas baixas na formação que compôs e gravou esse álbum. Primeiro saiu o guitarrista Murcego, ainda antes do lançamento, dando lugar, ainda em 2018, para Lucas “Carcaça” Simon (ex-The Krow). E depois, ano passado, foi a vez de Thiago Soragi se despedir. Assim, na atual conjuntura, o uGanga voltou a ser um quinteto, apenas com duas guitarras.

No final de 2018 nós publicamos uma entrevista com eles e outras matérias que escrevi deles com o passar dos anos. É um material denso que traça um panorama da história mais recente do grupo com as impressões de cada época. Eu recomendo a leitura enquanto você ouve Servus. Boa viagem.

PS: Agradeço efusivamente a citação de meu nome na lista de agradecimentos no encarte. 🙂

Músicas
1. Anno Domini
2. Servus
3. Medo
4. O Abismo
5. Dawn
6. Hienas
7. 7 Dedos (Seu Fim)
8. Couro Cru
9. Imerso
10. Lobotomia
11. Fim de Festa
12. E.L.A.
13. Depois de Hoje…

Facebook: www.facebook.com/ugangaband

Foto: Reprodução/Facebook

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