[Resenha] O retorno triunfante do Helloween

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Helloween – Helloween
(Shinigami Records – nacional)

Material gentilmente enviado por Shinigami Records.

Por Clovis Roman

Em meados dos anos 1990, o videoclipe de “Power” foi um golpe certeiro em um então jovem headbanger. A faixa grudenta, o refrão memorável, o solo de guitarra melodioso: tudo era cativantes demais. Após um quarto de século, muita coisa mudou, porém o Helloween entrega em seu mais recente álbum de estúdio estes mesmos elementos, com um tempero especial da presença de dois ex-integrantes cruciais para a jornada da banda.

Leia nossas entrevistas com o Helloween:
>>> 2017 (sobre a turnê de reunião)
>>> 2019 (sobre os shows no Brasil)
>>> 2021 (sobre o novo disco Helloween)

Vamos lá: em 1996, na época de “Power”, a banda tinha como vocalista Andi Deris, então novato no cargo, que havia acabado de gravar seu segundo disco com o grupo alemão. Na guitarra, Roland Grapow, um pouco mais antigo na formação, que esteve na transição do grupo entre os atemporais Keeper of the Seven Keys e aquele momento específico. O som, ainda bastante melódico, trazia consigo traços mais fortes de Hard Rock. O membro fundador e mente criativa Kai Hansen (guitarra) havia saído para fundar o Gamma Ray, e Michael Kiske, jovem de voz cristalina, se afastou por diversas incompatibilidades.

O Helloween seguiu em frente e Andi Deris se tornou uma peça chave no grupo. Kiske perambulou por outros ambientes musicais e ficou anos sem se apresentar ao vivo. Hansen lançou discos gloriosos com o Gamma Ray e em meados dos 2000, criou o Unisonic, com Kiske ao seu lado. Os caminhos se estreitaram e em 2016, uma das notícias mais aguardadas da história do Metal mundial foi anunciada: Kiske e Hansen estavam de volta ao Helloween, sem que que Deris e o guitarrista Sascha Gaertner tivessem que sair. A banda virou um septeto, uma turnê com um repertório gigantesco de quase três horas foi montado, e levou os fãs as lágrimas mundo afora.

O próximo passo era um disco novo de estúdio, que se tornou realidade em 2021. O CD, que quase se chamou Skyfall, acabou sendo intitulado apenas como Helloween. E que disco! Tudo de melhor que a banda fez nestes mais de 35 anos de estrada foi utilizado aqui, com a maturidade que décadas de carreira proporcionam. A abertura com “Out for the Glory” deixa isto bem claro. A ideia é celebrar o legado e, possivelmente, abrir as portas para um novo capítulo. A canção é dominada por Kiske, com uma classe descomunal e seu timbre característico. Deris, por sua vez, assume as rédeas em “Fear of the Fallen”, uma das principais candidatas a clássico. Mais pesada, traz versos fortes, refrão apoteótico e Kiske abrilhantando partes específicas. Ego não é um problema, e cada um tem seu espaço para brilhar, trabalhando em prol da obra como um todo.

A esplendorosa capa e o encarte luxuoso são um complemento interessante. O Helloween, na maioria dos casos, sempre teve encartes brilhantes e capas bonitas, e aqui um passo a frente foi dado. Acessível, “Best Times” surge como uma alternativa mais radiofônica para a oitentista “I Want Out”. A faixa, minimalista, é empolgante e traz os três vocalistas juntos: Deris, Kiske e Hansen. Não tem como não lembrar dos shows desta atual formação no Brasil, com o trio se revezando em determinadas músicas. A magia apresentada nos palcos foi transmitida para o CD. Igualmente grudenta, porém um pouco mais agressiva, “Mass Pollution” é um heavy metal forte para as massas (trocadilho inevitável).

O guitarrista Sascha Gaertner pode ser visto como “o novo integrante” do Helloween, mas está na banda há quase 20 anos, e com “Angels” o cara deixa mais do que claro ser a pessoa ideal para seu cargo. O ar levemente denso, com uma cadência envolvente, caracterizam uma pequena obra-prima em meio a canções feitas por monstros como Hansen, Weikath e Deris. Outra contribuição de Sascha no álbum está na coautoria, junto a Deris, de “Best Times”.

Com um clima meio “Murderer” (que a banda tocou em 2003, na tour de estreia de Gaertner com a banda) nos versos iniciais, “Rise Without Chains” brilha com um refrão tenso e melódico, onde novamente a duplinha Kiske e Deris rouba a cena. Grosskopf apresenta um trampo magistral no contrabaixo, ele que assina a festeira “Indestructible”, daquelas que funcionarão perfeitamente no repertório da vindoura turnê. Anota aí, ela estará no setlist. Não tem como ser diferente.

A fórmula do Helloween aqui parece ter sido apostar em sons certeiros, usando seu background musical para fidelizar os fãs e resgatar aqueles que haviam parado de acompanhar a banda nos últimos anos. Deu certo, como prova a longa “Robot King”, que tem um refrão glorioso e super grudento. Aliás, a parte das vozes neste CD está primorosa, com os revezamentos certeiros, as melodias marcantes e as letras interessantes. O que não quer dizer que não há solos de guitarras soberbos e bastante melódicos; e as vezes, rápidos. Outro fator importante para o sucesso do álbum é a mescla entre sons mais curtos e certeiros e outros mais elaborados e extensos. A banda, mesmo buscando retomar e ampliar a base de fãs, não mostra pressa na hora de compor. O resultado é um disco que, além de empolgante, é bastante dinâmico.

Caminhando para o fim do CD, a pesada “Cyanide” passa como um furacão mesclando Heavy e uma pegada Hard marcante, e sua vizinha “Down in the Dumps” mantém o ritmo, esta mais Heavy que qualquer outra coisa. O breve interlúdio “Orbit” abre então espaço para o encerramento em grande estilo.

O épico de 12 minutos “Skyfall” tem participação especial do mago Jens Johansson (Stratovarius, Rainbow, Dio) e também traz um nepotismo de leve, com um breve solo de 10 segundos gravado por Tim Hansen, jovem filho de Kai. A faixa é o cartão de visitas deste disco, pois une todos os elementos da trajetória da banda, com riffs marcantes, melodias vocais fortes e melódicas, bateria veloz e baixo incisivo. O som é uma mescla de Helloween clássico com Gamma Ray (há versos que remetem à “Gods of Deliverance”) e umas pitadinhas de Gamma Ray setentista aqui e acolá, em um resultado fulminante. No final da canção, Hansen ainda manda uns “Somewhere out in Space”, em referência clara ao clássico álbum de mesmo nome lançado pelo Gamma Ray em 1997.

O grande trunfo de Helloween é o fato da banda ter olhado para o próprio legado sem soar como um emulador. O septeto alemão condensou as principais características sonoras à sonoridade mais atual dos últimos discos. Com o adendo dos brilhantes Kiske e Hansen ao sólido quinteto que vinha carregando a bandeira do Helloween pelo mundo há vários anos, o resultado foi ainda melhor que o esperado. Item indispensável na prateleira de qualquer banger que se preze.

Músicas:
1. Out For The Glory

2. Fear Of The Fallen

3. Best Time

4. Mass Pollution

5. Angels

6. Rise Without Chains

7. Indestructible

8. Robot King

9. Cyanide

10. Down In The Dumps

11. Orbit

12. Skyfall

Conheça mais: www.helloween.org

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