[Entrevista] Michael Weikath fala sobre turnê especial do Helloween com exclusividade para o Acesso Music

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Algumas reuniões foram muito esperadas por quem curte Metal. A volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden e a de Rob Halford ao Judas Priest são duas das mais notórias. Mas uma em especial parecia ser impossível. Levou um quarto de século, mas finalmente a voz dourada de Michael Kiske está a serviço do grupo alemão Helloween. Ainda de quebra o guitarrista Kai Hansen também voltou para a banda.

A ideia inicial é fazer uma grande turnê mundial. Esta que, inclusive, começará no Brasil. Em 2018 eles agendarão mais datas, então terão trabalho por bastante tempo. Não criem, entretanto, esperanças de um novo álbum de estúdio. Uma música nova está a caminho, mas por enquanto é isto que está confirmado. O guitarrista e fundador do Helloween, Michael Weikath, me ligou para falar sobre como estão os planos dessa turnẽ histórica. Bastante atencioso e simpático, Weikath foi cuidadoso ao falar do futuro. No momento, nos basta ir aos shows e aproveitar cada segundo, já que tudo é possível após o fim da turnê. Inclusive nada.

Duas perguntas foram sugestões de participantes do grupo Heavy Metal Manas: Monik Alves quis saber sobre planos de gravação em estúdio de músicas novas, e Douglas Sammet Lopes sobre a possibilidade de novas turnês em conjunto no futuro. Para informações sobre os shows no Brasil, confira esta matéria.

por Clovis Roman
tradução: Augusto Magno e Bruno Schmidt

A turnê de reunião do Helloween foi esperada por tanto tempo e fez tanto sucesso que teve dois shows com ingressos completamente esgotados em São Paulo, algo em torno de 15 mil fãs. Em outros lugares no mundo a banda vai se apresentar em lugares grandes também. Você acha que esse sucesso é um sinal de que a reunião aconteceu no momento certo?
Michael Weikath: É bem possível que sim, mas sabe eu não olho para essas coisas deste jeito, certo? Eu fiquei muito surpreso e animado por ver essas vendas, mas não foi por esse propósito, certo? Eu estava surpreso, não achei que isto aconteceria a esse nível, mas aconteceu. Legal, incrível.

Eu li em uma entrevista que a banda tem planos de gravar ao menos uma nova musica com o line up novo – e você comentou sobre um EP. Vocês estão pensando em novo álbum ou ainda não é o momento para isto?
Weiki: Eu não acho que um álbum completo seria tão fácil, dadas as devidas circunstâncias e todas as pessoas envolvidas e todas as agendas. Porque [esta turnê] até agora nos deu trabalho triplicado. Primeiramente por causa do set-list e pelo que vai acontecer nos shows, telas de LED, etc.. Tem tantos detalhes que você nem imagina, e isso é muito louco sabe? E falar sobre gravações futuras é uma coisa totalmente diferente. Primeiramente nós temos que sobreviver à tour e aos festivais estando saudáveis sabe? Na verdade agora nós estamos no processo de gravação de uma faixa nova e eu espero que nós tenhamos terminado em tempo, sabe? Você nunca sabe. Tem sempre curingas, você nunca pode dizer o que vai acontecer, agora nós estamos no processo de gravação da faixa nova. E eu espero que tenhamos terminado e que nós possamos tocá-la, mas você nunca pode antecipar nada.

Vocês tem vários shows marcados de Outubro à Dezembro e vários shows no Japão ano que vem. Existem planos da banda de tocar nos EUA ou em algum outro lugar fora desses eixos ano que vem?
Weiki: Sim, eu ouvi da minha equipe sobre um pré-planejamento rolando sobre shows nos EUA também, o que claro será em algumas cidades específicas como de costume, porque nas últimas vezes que fizemos turnês por lá deu certo [assim]: escolher algumas poucas cidades principais e tocar lá. Isso é um conceito diferente de fazer turnê 365 dias por ano, e nos permite sobreviver a tudo isso um pouco mais, certo? Mesmo conduzindo dessa forma, notamos que é possível pegar algumas cidades e dizer: é isso aí e tá legal. Isso torna a turnê um pouco mais exclusiva também.

Vamos falar sobre a questão dos vocais. Como que ficará a divisão deles entre o Deris e o Kiske? Existe a chance do Kiske cantar músicas da época do Deris tal como “Power” por exemplo?
Weiki: Sim eu tive tais idéias também. Eles estão passando um bom tempo juntos, parece que eles têm um relacionamento muito bom, quando Michael Kiske veio para Tenerife. Eles passaram a maioria do tempo juntos, e parece que eles passam um bom tempo estando juntos. E então todas essas idéias foram propostas, e o que irá ser feito ainda vamos ver. E porque nós vamos ter a próxima bateria de ensaios, com eles e com a banda certo? E isso é também uma das coisas que todos temos em mente, em como fazer, se vão dividir os vocais e tal. Acho que deve ser feito de qualquer maneira que seja interessante. Que o fã gostará de ver e que a banda gostará de tocar também, e se divertir.

Ainda sobre os vocais, o Kai também canta algumas no primeiro álbum. Vocês antecipam alguma música do primeiro para ele cantar?
Weiki: Sim, nós temos um grupo de músicas que ele vai cantar sim, algo do Walls of Jericho e algo do mini-álbum. [N. do R.: ele se refere ao EP homônimo a banda, de 1985].

Ok, e vocês pensaram em incluir no setlist músicas que vocês nunca tocaram ao vivo antes nessa tour?
Weiki: Isso na verdade nós não fizemos, não fizemos. Tem uma quantia suficiente de faixas, que devem ser tocadas, como por exemplo “Twilight of the Gods” sabe? “Twilight of the Gods” não entrou no setlist ainda, mesmo eu propondo toca-la desde o início. Eu acho que é uma faixa que precisa ser tocada. E mesmo assim não está no setlist, porque nós estamos fazendo tipo 50% material clássico 50% material Deris-era, e haverá um intercâmbio, certo? Me foi dito que cada música que não for possível tocar agora, poderia em outra parte seguinte da turnê mais pra frente. Então eu me tranquilizei com essa idéia, mas então deverá haver muito mais ensaio (risos) incluso nisso tudo. Mas até agora nós triplicamos o trabalho de fazer as coisas darem certo. Mas ainda nós não chegamos a conclusão de tocar algo que nunca na história foi tocado, exceto pela faixa nova, certo?

Existe algum plano de gravar um álbum ao vivo ou um DVD dessa tour?
Weiki: Eu acho que isso é obrigatório de fazer! Eu apenas não sei de que jeito e em que formato. Um DVD talvez não consiga manter a qualidade por não suportar tão alta resolução. Eu não quero dizer que faremos um Blu-ray ou algo assim, mas pode ser que seja. Eu estou preocupado em como lançar algo em alta definição, sabe? Para fazer isso valer a pena.  Você comentou DVD, mas o que eu estou falando são dos dados visuais em qualquer formato. E eu estou curioso para saber qual material será! Sem falar de Blu-ray ou o que quer que seja, e como pode ser vendido. Colocar online? Não sei. Apenas me preocupo que isso seja entregue da maneira apropriada e com qualidade para os fãs. Mas eu acho que é obrigatório fazer algo desse tipo.

Quase todos os caras do Helloween já lançaram alguma coisa solo…
Weiki: (interrompendo) Eu não tenho tempo para isso, sabe? Eu já estou tão ocupado com um monte de coisas. Na época do The Dark Ride, eu pensei que eu teria ideias [e utilizaria] as horas vagas para fazer algo assim. Mas foi exatamente nessa época que tivemos problemas [com mudanças na formação do Helloween], e desde então nós estivemos muito ocupados com ensaios para turnês, álbuns e coisas do tipo. E o trabalho não diminui, só aumenta! E também os discos que temos feito contêm mais faixas do que costumávamos ter, o que tem sido frequente, sabe? Se você der uma olhada nos Keepers, eles tem por volta de 37min, 41min e dê uma olhada na duração de Gambling with the Devil [N. do R. tem 57 minutos em sua versão regular] ou os outros álbuns. E para tudo isso você precisa de mais trabalho. E eu estou [sempre] trabalhando na seleção das músicas do Helloween que entrarão na playlist de um álbum. E por ser um grupo democrático em termos de produção e seleção de faixas, eu não estou livre disso: Eu tenho que passar por esse procedimento também. Posso te dizer que temos cada vez mais, mais mais e mais trabalho. Eu realmente não tenho tempo algum na minha vida privada para vir com algo que você possa chamar de um disco solo, entende? E se houvesse, ele iria provavelmente ser um material de Classic Rock, mais do que Heavy Metal ou algo que você escuta regularmente no Helloween. Mesmo que eu sempre tente ser diversificado, eu trago muito do Classic Rock dentro do Helloween, o que não é sempre bem aceito. E para fazer algo tipo ‘Weikath solo album”, esse material deve ser extra bom; se fosse extra ruim eu provavelmente não passaria tanto nele, porque seria ruim de qualquer jeito, enfim. E então todo mundo poderia dizer: “é evidente que Weikath perdeu toda energia de fazer coisas legais”. Em um mundo ideal eu precisaria de muito tempo para fazê-lo, também para poder ficar orgulhoso depois. E isto não poderia influenciar na qualidade do [material do] Helloween, então eu teria trabalho em dobro. Eu tenho um alto padrão de qualidade. As pessoas que não gostassem do que estou fazendo falariam: “ah, eu não quero ter uma porcaria de um solo do Weikath” e outros: “É, entendo os motivos dele”. Mas pelo que eu posso dizer, não há tempo disponível para algo assim.

Quantas músicas terá o repertório dos shows da turnê Pumpkins United?
Weiki: Na verdade eu não sei quantas músicas temos. Tenho a lista, mas teria que dar uma olhada e contá-las. Eu não sei quantas são, talvez umas 20 pelo que eu lembro. Eu não trabalho assim, com um número pronto. O que eu sei é que temos dois setlist, que serão intercalados. Terão faixas que serão tocadas em um dia e no outro dia outras serão tocadas. É tudo que eu posso dizer. Levou muito tempo para escolhermos as que temos agora, para concordar “Sim, queremos tocar esta, ou esta outra tem que ter”.

O Helloween é conhecido – também – por ter algumas canções bem humoradas. Qual dessas você acha que é a mais esquisita? Sabe, “Rise and Fall” é esquisita, por exemplo, e ótima também. Pra você qual é a mais estranha?
Weiki: Bem, a que eu consigo pensar é “The Game is On” e eu não saberia… eu quero dizer, o lance é eu estou acordado há apenas duas horas, e se houvesse algo mais engraçado que “Rise and Fall” eu não saberia dizer, sabe? “Heavy Metal Hamsters” era para ser engraçada, e também era pra ser um B-side, eu não imaginava que acabaria no álbum. Acho que soaria muito bem se o Deep Purple a tivesse tocado, talvez as pessoas a entenderiam melhor, sabe? Se tivesse um teclado Hammond. Era um B-side no início. Este foi na verdade o último momento que Michael Kiske e eu trabalhamos juntos, criando, fazendo letras e trocando ideias sobre o que poderia ter nela. Ou ao menos nós poderíamos ter uma conversa por telefone sobre aquela música estúpida… e sobre o nome “Pink Bubbles Go Ape” também. Aquela foi a última coisa que nós fizemos juntos. Eu achei que era meio engraçada, mas nem todo mundo concordou. Talvez tenha mais coisas engraçadas, mas eu não lembro agora.

Como essa reunião se concretizou de fato? Quem ligou para quem primeiro para viabilizar este encontro?
Weiki: A ideia principal veio de Kai Hansen 20 anos atrás. E levou este tempo para colocar Michael Kiske em todo o processo. Ele disse há 20 anos que desejava falar mais com Michael, sobre fazer algo [com o Helloween]. Você sabe que [Kiske] queria se livrar de qualquer coisa que envolvesse guitarra distorcidas, e então levou um longo tempo para finalmente haver o Unisonic, ou o Place Vendome ou o Supared. Foi um processo contínuo. Nós estivemos em turnê e Michael ficou em casa roendo as unhas, fazendo outras coisas, trabalhado com gráficos 3D e essas coisas que tomam tempo. E [demorou também] para ele se refamiliarizar com a rotina de shows e turnê. Não haviam propostas que realmente fossem interessantes para ele aparecer [no palco], coisas que não prejudicassem seu nome. Você não iria ouvir o Michael Kiske cantando ao vivo num festival de cerveja qualquer, esta não é uma boa ideia. Então tem sido bem difícil reintegrá-lo, escolhendo o que ele deve fazer. Eu não estou envolvido nisto, este é um trabalho dos managers e equipe. Há um trabalho ativo dos empresários do Helloween para reintegrá-lo como pessoa, personagem e cantor e tudo mais, junto com o Kai Hansen. Levou muito ‘convencimento’, vamos dizer assim. Mas eu acho que para ele a coisa mais importante seria que eu e ele trabalhássemos juntos. Eu não quero enfatizar ou me parecer muito importante, quando eu digo isso não é o que quero dizer, isso é o que ele disse. E ele disse “nós tivemos algo problemático, nós somos tipo inimigos ou algo assim, e isso é algo inaceitável”. E então nós conversamos e foi bem libertador para ambos, sabe? Porque nós costumávamos ser melhores amigos. E de repente nós tivemos problemas, discussões e eventualmente ele foi despedido da banda, e isso não é legal. De repente ficamos sem nos falar nas décadas seguintes. Foi algo inacreditável; você nunca sabe quando se aproximar um do outro ou sequer se vai. Foi realmente difícil. Então [nosso primeiro contato em anos] foi feito num festival na França, onde ele estava com o Avantasia e nós estávamos tocando lá também. Nós conversamos e isso tirou um peso de nossos corações. E desde então, tudo isso se tornou possível.

Eu tenho a curiosidade de saber qual sua impressão sobre o recém lançado álbum do Masterplan, que conta com regravações de antigas músicas do Helloween.
Weiki: O problema é que eu não escutei. Eu não tenho escutado coisas que eu deveria escutar, porque nós estamos muito, mas muito ocupados com nossas coisas. Naturalmente eu imagino que o pessoal do Masterplan viria com coisas interessantes, só que eu escutei ainda, me desculpe (risos). Eu não escutei nem os álbuns que amigos meus disseram: “este é meu disco novo, dê uma escutada”. Eu esqueci. [Há] muitas coisas na minha cabeça, eu estou muito por fora, foi mal.

Oh, ok…
Weiki: [interrompendo] Eu nem terminei de ouvir o último do Judas Priest! Eu só escutei metade dele. O que eu ouvi eu amei e adorei. Mas eu não passei da metade!

Mesmo?
Weiki: Sim! Eu acredito que [o resto] deve ser ótimo.

E é! Para finalizar, qual banda você acha que gravaria uma cover interessante de alguma das músicas do Helloween?
Weiki: Olha, eu escrevi Steel Tormentor porque naquela época o Judas Priest não fez nada que eu tivesse gostado. Então, para ter uma nova música do Judas Priest para mim, eu escrevi a Steel Tormentor. Seria um sonho se tornando realidade, mas eu acho que eles jamais fariam, porque eles não tem necessidade. Este é um tipo de pequeno segredo: que a Steel Tormentor era uma nova música do Judas Priest para mim. Eu acho que ela funcionou muito bem. Mas não vamos falar de quem poderia fazer um cover do quê, o problema com ídolos é que eles não tem um sonho necessariamente, eles têm seus próprios assuntos a serem discutidos. Então é algo impertinente dizer: “Eu gostaria que artista A ou B fizessem cover do meu material” ou “Eu gostaria de trabalhar com este grande compositor”. Eles normalmente tem seu próprio trabalho e não podem ser incomodados com isso. Isso é pensamento de fã: “Eu gostaria que isso acontecesse”. Mas todos podem sonhar um pouco, né?

Agradecimentos especiais à Héron Petris e Ute Kromrey

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